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Verdade ao amanhecer, de Ernest Hemingway

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Por Pedro Fernandes Ernest e Mary Hemingway em África entre 1953 e 1954. Foi das experiências neste último safári que nasceu o projeto de Verdade ao amanhecer , não concluído e publicado postumamente pelo filho Patrick. Contam os registros sobre a aparição de Verdade ao amanhecer , de Ernest Hemingway, em 1999, que este foi um título marcado por uma série de burburinhos da mídia e com forte apelo midiático pelos grupos editoriais; também pudera, sempre quando morre um grande escritor fica a suspeita de que trabalhava em algo significativo e se, como foi o caso do estadunidense, nada é revelado nos primeiros anos mas só muito tempo depois, poderá ser um livro de compilação com receitas de bolo e esse mal aterrador do capital que rege com fina força desde sempre, e hoje mais, o mercado das publicações, explora a descoberta ao limite. Verdade ao amanhecer  ficou por escrever. Hemingway começou a feitura do livro, mas depois de abandonar o projeto nunca mais voltou a ...

Os laivos de metafísica na obra de Nuno Júdice

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Por Maria Vaz Nuno Júdice é um dos poetas contemporâneos que constam da minha lista de preferências: aquela lista de poetas a que se recorre em dias de reflexão. Quem disse que as palavras alinhadas em verso não podem ser uma espécie de religião? É que, de facto, miscigenam-se com o culto ao à beleza e com aquilo que aquela, tantas vezes, esconde, na sua forma ponderada de sublimação do real. Repetidas vezes damos por nós a questionarmos filosoficamente o sentido dos ‘pequenos nadas’ que a vida quotidiana nos trás ou as grandes questões a que apenas a imaginação, ancorada na crença ou na medida da consciência que possuímos, permite conjecturar. E não será o pensamento mais racional uma mera conjectura falaciosamente assente em certezas falsificáveis? Nestes domínios a tolerância carrega consigo a aversão a dogmatismos, a restrições de uma moral que perecerá, na medida em que o bem e o mal acarretam, necessariamente, uma construção a partir de um referencial subjectivo. Enfi...

Diz-me com quem andas e te direi quem és: influências literárias na obra de Gabriel García Márquez

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Por Megan Barnard Alguma vez Gabriel García Márquez comentou acreditar que a principal razão pela qual os escritores leem os romances dos outros era para aprender como foram escritos. Para o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, os livros tinham uma importância tremenda e com frequência escreveu e falou sobre os outros autores que mais haviam lhe influenciado. Em 1981, o ano anterior ao de quando ganhou o maior galardão de sua carreira, García Márquez identificou várias das influências capitais em sua obra numa entrevista que concedeu à Paris Review : “Quando escrevi meus primeiros contos me disseram que se percebia neles um cariz joyceano”, disse. “Nunca havia lido Joyce, de modo que logo fui ler Ulysses ”. Começou com uma tradução em espanhol que mais tarde qualificou de pobre, depois foi ler o original em inglês e uma boa tradução francesa.   Sem dúvidas, esse romance o impactou profundamente conforme declarou: “Aprendi algo que haveria de ser m...

Walt Whitman, o poeta do futuro, da multidão e da liberdade

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Por Neiva Dutra Walt Whitman nasceu em 31 de maio de 1819, em West Hills, Long Island. Foi um autodidata. Aos treze anos, já trabalhava como aprendiz de impressor no Brooklyn e cinco anos mais tarde escrevia para diversos jornais; base que o levou a ser  diretor do  Long Islander  entre 1838 e 1846 e do  Brooklin Daily Eagle , a partir de 1846, cargo que abandonou em 1848 por divergências em questões políticas, especialmente o problema da escravidão. Em 1850 viajou a Nova Orleans, onde trabalhou como construtor durante cinco anos. Um ano depois editou, com seus próprios recursos, o livro  Folhas de erva (1855), que se converteu em sua única e essencial obra, plena de liberdade formal, de acentuado lirismo, inclinação liberal e expressividade poderosa.  A imprensa atacou-a furiosamente como escandalosa pela forma – versos longos, com termos próprios da linguagem popular e direta – e pelos temas.  Porém, também despertou a admiração de ...

Boletim Letras 360º #144

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Pesquisadores encontram três poemas inéditos de Carlos Drummond de Andrade. Mais detalhes ao longo deste boletim. Todo sábado, o leitor do  Letras in.verso e re.verso  tem a oportunidade de re/ver o que noticiamos ao longo da semana em nossa página no Facebook. E o que noticiamos? Sempre assuntos ligados a escritores, obras e temas comuns ao universo do blog. Esta é uma maneira não apenas de organizar o conteúdo disperso na rede social e muitas vezes não alcançado pelo público; é também uma resposta à política de comercialização do publicado no FB. Chamamos essa publicação dos sábados de Boletim Letras 360º; e esta é a edição desta semana. Segunda-feira, 16/11 >>> Estados Unidos: De Gabriel García Márquez para José  ‪ ‎Saramago "José Saramago é um dos escritores grandes deste século e seu Prêmio Nobel é um dos mais justos. A alegria que isto casou nos países de língua espanhola, como se fosse uma vitória nossa, confirma o que alguns escritore...

Para que serve um crítico?

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Por Rafael Kafka A pergunta que dá origem a esse texto é algo que me incomoda desde meados de 2009. Foi nesse ano que comecei a frequentar cineclubes na cidade de Belém. Na época, tais espaços eram locais ainda tímidos, novos nichos de cinema nos quais era possível ver o genuíno cinema clássico sem ter que pagar nada por isso. Além disso, após os filmes havia debates com os exibidores do filme, o que a princípio me soou como uma forma interessante de troca de ideias e incentivo ao hábito de idas ao cinema em busca de um entretenimento maduro, crítico e enriquecedor. Eu tinha o hábito de ir a dois cineclubes naquela ocasião. Em um deles, comandado por críticos mais experiente, eu percebia a presença mais firme de debates sobre a ideia do filme si. A maior preocupação era tirar do espectador a sua impressão de leitura acerca do longa-metragem visto e assim, em uma troca impressões, gerar uma boa conversa que por si seria um motivo a mais para idas mais frequentes ao cinema...