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Boletim Letras 360º #250

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Passados a página da primeira década para a segunda, antes de repetir as informações que fizeram parte na semana do leitor que acompanha o blog no Facebook, algumas lembranças. 1. O espaço que reúne materiais apêndice às matérias no Letras e publicações importantes, como a Revista 7faces , têm novo nome e página no Facebook: PubliLetras . 2. O Letras é blog com cara de site e está operando em novo endereço, mais  clean , blogletras.com É isso. Vamos às notícias? Segunda-feira, 27/11 >>> Brasil: Simpósio assinala os 40 anos da morte de Clarice Lispector e da publicação de A hora da estrela Foi no dia 10 de dezembro de 1977 que perdemos a escritora que se tornaria uma das mais importantes de sempre da literatura brasileira e responsável por tornar possível entre nós uma estética já consolidada noutras culturas com Proust, Virginia Woolf e Joyce, para citar três dos exemplos: o romance de traço psicológico. No mesmo ano, em outubro, foi publica...

José Saramago e As intermitências da morte

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Por Claudia Rocha Lidar com a ideia da própria finitude sempre foi profundamente desconcertante para a humanidade. A morte é algo perturbador; muitas vezes nem sequer dela lembramos ou não fazemos questão de lembrar, mas a “esperta parca” (adjetivações utilizadas por Saramago) e a “inimiga enigmática” (adjetivações utilizadas por mim) nos ativa a memória e, de vez em quando, bate à nossa porta. Estamos quietinhos no nosso refúgio palaciano, com nossas insignificantes preocupações e, de repente, alguém de quem gostamos muito “falece”, “descansa”, entre outros eufemismos usados por nós para minimizarmos a própria dor.  Várias suposições são feitas para desvendar o enigma do fim. O fato é: “ninguém volta para contar o que viu do outro lado”. A morte seria então o outro lado da moeda, que nunca queremos tirar na sorte, embora saibamos que um dia virá. As instituições religiosas, em sua maioria, pregam a necessidade da morte para alcançarmos a vida eterna. Os mais c...

Não adianta morrer, de Francisco Maciel

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Por Pedro Fernandes Este título de Francisco de Maciel, Não adianta morrer , é parte do verso de um poema dentre os mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade, “Os ombros suportam o mundo”. A confirmação dessa realização não é adivinhada pelo leitor porque revelada pelo próprio autor numa das epígrafes que abre o romance: “Alguns, achando bárbaro o espetáculo, / prefeririam (os delicados) morrer. / Chegou o tempo em que não adianta morrer”. As duas obras mantêm relações muito além de um verso que se transforma em título. Ambas veem o mundo entre o tom desencantado da resignação – de que já não sobra mais o que ser feito pela comunidade humana uma vez que esta parece haver escolhido uma vereda estreita e escura cuja saída ficou perdida e existir é agora só um tateio nas trevas – e o tom irônico, mordaz, que olha com a ideia do rebaixamento proposital da espécie, como se buscasse ser o motivo de reinventar as percepções do homem sobre o homem. Entre uma via e outra se...

Os diários de Sylvia Plath

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Por Rafael Narbona Sabemos realmente o que se passava no interior de Sylvia Plath? Neurose, insatisfação vital, uma profunda melancolia, um agudo sentimento de frustração? Pode-se separar sua obra literária de sua dor psíquica e seu trágico final? Suas mudanças de humor se refletem no literário e o que é vital, introduz os diversos contrastes do drama. Sylvia ansiava a paz interior e os prazeres da vida intelectual, mas se jogava reiteradas vezes no abismo da angústia e da insegurança. Sua breve existência se caracterizou por uma oscilação permanente entre a certeza e a dúvida, a plenitude e o medo, o fervor e o fatalismo. Seus Diários , inicialmente depreciados pelo seu marido, o poeta Ted Hughes, nos revelam um temperamento místico e intransigente, uma ambição sem limites e uma frágil autoestima. Hughes afirmava que se produzia em sua mente atormentada “um desejo ardente de separar tudo o que impede uma intensidade definitiva, uma comunhão com o espírito, ou com a realid...

Carolina Maria de Jesus, a escritora que catava papel numa favela

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Por Sara Mesa Em 1960, o Brasil assistiu a um fenômeno editorial sem precedentes. Quarto de despejo , o diário de uma mulher que vivia na favela do Canindé em São Paulo e que mantinha os seus três filhos catando papel e restos de lixo, vendeu os dez mil exemplares da primeira edição em apenas uma semana. Logo vieram mais centenas de milhares de vendas, aparições na imprensa e na televisão e a tradução do livro para treze línguas, entre elas o inglês ( Child of the Dark , nos Estados Unidos vendeu trezentas mil cópias em uma década). Mulher, pobre, negra, mãe solteira e autodidata, a autora daquele diário, Carolina Maria de Jesus, se tornou símbolo da dureza da vida da periferia, alcançando uma fama inesperada, embora fugaz. Durante muito tempo Quarto de despejo foi livro de leitura obrigatória, convertendo-se no mais vendido no Brasil. Mas, quarenta anos depois de sua morte, Carolina Maria de Jesus parece caída no esquecimento – ao menos fora de seu país. Além-fronteiras s...

Sor Juana Inés de la Cruz, expoente literário e educativo do Século de Ouro espanhol

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Por Alberto López No México do século XVII, então conhecido como Nova Espanha, o acesso a educação e a curiosidade pela aprendizagem eram dois aspectos zelosamente reservados e guardados pelo clero masculino que, uma vez mais, excluía a presença de mulheres. Muito antes da luta de classes e dos direitos universais, uma mulher, religiosa além disso, Sor Juana Inés de la Cruz, escolheu desafiar esta situação de desigualdade e o fez com as mesmas armas: a educação, a erudição e a escrita. Sor Juana Inés de la Cruz se destacou tanto no campo literário que, mais de três séculos depois de sua morte, seu trabalho e seu legado continuam reconhecidos a nível nacional e internacional apesar de não ter sido nada fácil, já que precisou enfrentar até os religiosos com quem conviveu porque não era bem-visto que uma mulher manifestasse curiosidade intelectual e independência de pensamento. Sobre Juana Inés Ramírez de Asbaje y Ramírez de Santillana, que era seu verdad...