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O Cofre de Guma e o discurso de um presidenciável em House of Cards: Mar Morto e Pesquisa Eleitoral

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Por Wagner Silva Gomes Joana de Oliveira Guerreiro   A geração modernista de 1930, marcada pelo romance social, legou ao país obras em que protagonizam personagens marginalizados mas que, de uma autenticidade popular foge ao padrão classe mediano da língua portuguesa tipo roupa social, que cabe bem em qualquer formalidade e informalidade. Da boca de personagens de pouca fala, muita reflexão, e muito vagar silencioso na procura de si, na alienação sincera; deles saíram frases lapidares que paradoxalmente podem se passar por pensamentos filosóficos. Indivíduos protagonistas de suas vidas, ao contrário da sociedade brasileira atual, em que é visível a existência de um bovarismo de classe, seja pela cultura eurocêntrica e estadunidense abrir um guarda-roupa de vestes, máscaras, frases e jeito de se portar, seja pelo sujeito não se ver na plenitude de si, no mais simples de seu ser, por baixa estima de etnia e de classe, por conteúdos de identidade que ao longo do temp...

A mesma fome, de Marize Castro

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Por Pedro Fernandes Algo nasceu agora sem raça, sem sexo. Possui uma alegria inolvidável. Está no mesmo patamar dos seres e das coisas que se dilatam e se aprofundam dentro de si mesmos. A tarefa mais ardilosa para o poeta que deixou de ser uma entidade sensível e suscetível às variações e virações das musas é a de existir. Quer dizer, não é que as musas tenham deixado o mundo pelo seu excesso de balbúrdia, mas o tempo da demasia deixou-nos um bocado mais alheios e céticos à suscetibilidade das entidades que noutro plano regem (de alguma maneira) nossa condição actancial de existir. Poetas de toda estirpe podem estar suscetíveis a isso. O preço que se paga por tanto não é só o levante dos individualismos – é a abolição dos sentidos, dentre eles, a possibilidade de abrir-se sensivelmente aos objetos de prazer, como a poesia, e a multiplicação do banal e da barbárie. Que no passado se condenassem os poetas pela mesma condição de marginais que uns pou...

Promessa ao amanhecer, de Eric Barbier

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Por Pedro Fernandes Até este ano, o nome de Romain Gary deve fazer sentido para uma pequena e muito seleta parcela de leitores brasileiros; pode-se dizer sobre escritor francês que este integra a lista formada por nomes inquestionáveis da literatura amplamente lidos durante certo tempo e depois lançados a uma espécie de limbo onde repousam à espera de possível resgate. Essas afirmações encontram justificativas em vários dados: na ausência total da presença de Gary nas livrarias e na quantidade ampla de títulos traduzidos por aqui, dos quais é possível citar, Lady L. , As pipas , Nas sombras do Vaticano , O rouxinol sempre retorna , O último suspiro e Luz-mulher . No Brasil, parece que, qualquer autor que tenha mais de três títulos traduzidos em pouco espaço de tempo – e estes estão entre os anos 1960 (data da publicação do primeiro título listado) e 1987 (quando da publicação do último título) – estão / estiveram no auge. Bom, mas há uma pequena exceção capaz d...

Seis lições de Doris Lessing

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Por Daniel Gascón “Manter uma opinião dissidente, sendo parte de um grupo, é a coisa mais difícil do mundo”: este poderia ser o tema principal de Prisões que escolhemos para viver , de Doris Lessing. O volume recolhe cinco conferências que autora ministrou para a Canadian Broadcasting Corporation em 1985 e uma sexta, ministrada sete anos depois na Universidade de Rutgers. Em certa medida é um livro sobre a independência do pensamento e suas complicações. A autora, galardoada com o Prêmio Nobel de Literatura em 2007, utiliza suas próprias experiências, tanto as vividas em Rodésia (atualmente Zimbábue) como as de sua vida de militante comunista e pós-militância. Mas não recai, nessa dissidência, nem em sua biografia, o que é muito bom, e o que não quer dizer que ela tenha sido imune a esse impulso gregário. (Certamente, se existissem tantos dissidentes no momento da verdade como existem retrospectivamente, não existiria gregarismo). O livro, humilde e às v...

Naipaul, o primeiro escritor

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Por Carlos Manuel Álvarez Rodríguez O olhar constrito e áspero de V. S. Naipaul em qualquer de suas fotografias da maturidade é o olhar do velho insuportável a alguém que vem-lhe roubar maçãs ou morangos do seu quintal enquanto prefere que apodreçam a dá-los. Sua misantropia e crueldade proverbiais pareciam fascinar, talvez assustar, não tanto já pela misantropia e crueldade propriamente ditas, mas por seu reconhecimento pleno de ambas. Naipaul não ocultava seu sadismo, o reivindicava e permitia logo sua aparição em biografias autorizadas. No ensaio As trevas de Conrad [tradução livre], publicado originalmente em The New York Review of Books no outono de 1974, Naipaul disse que o interesse pela obra de um autor leva indefectivelmente ao interesse por sua vida. Não é verdade. Mas, tudo isso se torna a mesma coisa – a vida, a obra, o escritor cindido entre sua matéria e o que escritor é – em O enigma da chegada , um romance que não é de ninguém, escrito “com a sen...

Boletim Letras 360º #287

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Estamos  colocando o ponto final em mais uma semana e sempre (como é de costume) pensando nas matérias que irão compor este blog nos dias seguintes. Por enquanto, a comum reunião das notícias que foram publicadas em nossa página no Facebook. Boas leituras! Roberto Bolaño. Finalmente, teremos em português a poesia do escritor chileno. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Domingo, 12/08 >>> Inglaterra: Morreu o escritor britânico V.S. Naipaul, premiado com o Nobel de Literatura em 2001 Nascido em Trinidad e Tobago, estudou Literatura inglesa na Universidade de Oxford, antes de se estabelecer na Inglaterra. Passou muito tempo viajando e se tornou um símbolo do desenraizamento moderno. Naipaul mudou-se em 1950 para a Inglaterra, onde trabalhou como jornalista para a rede de TV britânica BBC. Doutor Honoris C ausa pelas universidades de Cambridge, Londres, Oxford e Columbia, ele foi ainda sagrado cavaleiro britânico pela rainha Elizabeth ...