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Antonio Machado, poesia e filosofia

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Por Juan Malpartida Antonio Machado foi o poeta de língua espanhola mais próximo à filosofia e que, por outro lado, mais profundamente viveu a lírica como problema. Embora não a partir de sua poesia e sim de sua prosa. O poeta, no sentido profundo, além de alguma observação em verso, ou algum poema tardio de caráter metafísico, parece ignorar o prosador, que é em quem – e nisto concordo com alguns enquanto discordo de outros – está sua verdadeira modernidade. A originalidade reflexiva de Machado, acredito, radica no que desperta a partir de seu interesse por Kant, especialmente pelo deslocamento que levou a cabo a uma maior subjetividade, depois de Descartes situar o pensar como fundamento do eu. A liberdade, a coisa em si, é algo no qual podemos pensar mas não é compreensível, só acessamos intelectualmente o mundo fenomenológico. Além disso, Kant afirmou o elemento interpretativo da mente humana, que projeta fora o que leva no seu interior. Num texto autobiográfico de 19...

Uma tentativa de descobrir as leis da literatura

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Por Joshua Rothman Ilustração: Pierre di Sciullo A crítica literária deve ser uma arte ou uma ciência? Um tanto considerável depende da resposta a essa pergunta. Se você é um graduando em Língua Inglesa, o que você deve estudar: um idiossincrático grupo de escritores que por acaso te interessam (arte) ou história e teoria literárias (ciência)? Se você é um professor de Literatura Inglesa, como deveria aproveitar seu tempo: produzindo “leituras” de obras literárias que lhe são importantes (arte) ou buscando padrões que moldam formas e padrões literários inteiros (ciência)? Diante dessa questão, a maioria das pessoas tenta dividir a diferença: se você se conecta à crítica como uma arte, tome algumas aulas teóricas; se você se conecta a ela como ciência, encare bravamente algumas leituras cerradas ( O artigo de Louis Menand sobre Paul de Man, na New Yorker dessa semana , cita o crítico Peter Brooks, que lembra como de Man podia “sentar em frente a um texto e arrancar cois...

Boletim Letras 360º #314

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No dia 25 de fevereiro sortearemos um leitor do Letras para levar um exemplar da nova edição do Grande sertão: veredas , de Guimarães Rosa. Interessados em participar podem visitar nossa página no Facebook. Já na quinta-feira disponibilizaremos um novo sorteio e será,  para aguçar a curiosidade outro lançamento da obra da reedição da obra de Tolkien. Além de brindes legais, não deixe de acompanhar o Letras por outro motivo, este mais nobre: saberes e sabores do literário. Aqui e em todas as nossas redes. Abaixo uma pequena amostra sobre as informações que circulam em nossa página no Facebook.  Novo título do expressivo teatro de Oduvaldo Vianna Filho ganha reedição. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Segunda-feira, 18/02 >>> Brasil:  O nervo do poema , uma antologia para Orides Fontela A antologia organizada por Patrícia Lavelle e Paulo Henriques Britto reúne releituras contemporâneas da poesia de Orides Fontela e poemas que, co...

Será o gato o animal favorito da literatura?

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Por Matías Moscardi Certa vez, Jean Cocteau disse que preferia os gatos aos cachorros porque não existem gatos de guarda . Os gatos estão na moda. Por todos os lados, gifs e memes de bichanos simpáticos, ternos, graciosos: invariáveis símbolos cristalizados pelo marketing . O ambíguo poder desses bichinhos parece ter sido reduzido e nivelado pelo mercado, como se o mito segundo o qual “os chineses comem os gatos” fosse uma forma de exteriorizar uma metáfora do sinistro: sim, consumimos gatos, mas apenas como publicidade. Escritores como Truman Capote, Herman Hesse, Aldous Huxley, Jorge Luis Borges e Julio Cortázar; estrelas do cinema como Bettie Page, Brigitte Bardot, Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe; e, mesmo os heróis do rock, de Bob Dylan, David Bowie, Freddie Mercury, Kurt Cobain e Johnny Ramone – até Marilyn Manson! Todos foram fotografados com seus gatos. Por que os cães não gozam do mesmo tipo de estatuto cultural? Qual é o segredo do sedutor magnetismo que os gatos ...

A pele, de Curzio Malaparte

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Por Pedro Fernandes Curzio Malaparte é um homem do seu tempo e este romance é, talvez, a prova mais sincera disso. Formou parte com os soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial, quando foi agraciado com o título de capitão no Quinto Regimento Alpino; membro do Partido Nacional Fascista até meados dos anos 1930, quando os vapores de uma nova guerra pairavam sobre a Itália. Foi nessa ocasião que escreveu vários artigos voltando-se contra Mussolini e Adolfo Hitler, o que levou ao exílio forçado na ilha de Lipari por cinco anos, entre 1933 e 1938; depois disso, ainda foi preso várias vezes e nesse mesmo período que cobre quase uma década da sua vida construiu uma casa na Ilha de Capri que serviu de recepção a várias figuras importantes no fim do segundo conflito. A título apenas de curiosidade, foi esta casa cenário de Le Mépris , de Jean-Luc Godard, filme em que estrelaram Brigitte Bardot e Fritz Lang e baseado no romance de mesmo nome de Alberto Moravia. A pele...