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Viagem ao fim da noite, de Louis-Ferdinand Céline

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  Por Pedro Fernandes Louis-Ferdinand Céline. Foto: François Pages.   Os romances que melhor dizem de nós são os escritos sem quaisquer toques melodramáticos porque apenas assim não se contaminam com os limites impostos pela força do egocentrismo que nos regula mesmo quando acreditamos libertos dela. Machado de Assis, por exemplo, fez uso — para recuperar uma expressão sua muito adequada — da pena da galhofa. Esse tom, o escritor brasileiro encontra a partir de uma posição nenhum um pouco irmanada aos de seu tempo; ele propositalmente os trapaceia, qual o homem do subsolo, de Dostoiévski, não porque os renegue, mas porque motivado por visão desencantada desse mundo em que apenas na aparência se manifesta razoavelmente ideal prefere reconhecê-los à contrapelo.   No caso de Viagem ao fim da noite , o desconcerto interior encontra forte correspondente com o exterior e traga qualquer possibilidade de uma mínima noção de idealismo. Isso significa dizer que, ao contrário do rec...

Todos somos o monstro de Frankenstein

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Por Silvia Panadero Frankenstein, de James Whale em 1931. Enquanto Lenu filosofa sobre o Espírito Santo, o ponto principal do curso de teologia que está fazendo, Lila se arruma para ir ao cinema com o marido e alguns amigos. As duas têm a mesma idade, dezesseis anos, mas Lenu pôde continuar estudando, enquanto Lila precisou cuidar de sua vida e de seu futuro muito jovem. Às especulações levantadas por sua amiga responde com uma visão particular do mundo: “Há uma miséria ao redor que nos torna todos ruins. A cada segundo pode acontecer alguma coisa que lhe fará sofrer de uma maneira que nunca haverá lágrimas suficientes. E você faz o quê? Um curso de teologia em que se esforça para entender o que é o Espírito Santo? Deixa pra lá, foi o Diabo que inventou o mundo, não o Pai, o Filho e o Espírito Santo.”¹   Dessa forma, Elena Ferrante captura a raiva, o ódio, o ressentimento e a maldade de Lila em certo ponto de A amiga genial , o primeiro romance da tetralogia napolitana, que na...

Cinco obras fundamentais ao leitor de Gustave Flaubert

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Gustave Flaubert. Ilustração: David Hocney (1937, detalhe). Quando se fala o nome de Gustave Flaubert (1821-1880), logo o leitor recorda por associação um título: Madame Bovary . Isso não é gratuito. O romance projetou o nome do escritor francês para aquela ordem que designamos como de domínio do clássico. Sim, ao contrário do que possa parecer, nos dias de vocabulário gasto, porque utilizado de qualquer maneira, uma obra merece essa designação quando consegue sempre se recuperar de maneira livre pela memória popular e, mais que isso, ser relevante muitos anos depois de sua publicação. Apresentado em 1856, parece oportuno sublinhar o valor do tempo nesse caso e para uma obra capaz de suscitar questões ainda fundamentais aos leitores.   Se Madame Bovary pode ser um bom exemplo na retomada sobre o sentido fundamental do termo clássico , Flaubert se filia, por sua vez, a um lugar no cânone — para citar outro termo que os partidários dos revisionismos insistem por fina força dizer que...

Ferenc Móra

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Nascido em Kiskunfélegyháza em 19 de julho de 1879, segundo filho de um alfaiate e uma padeira, Ferenc Móra cresce e vai para a escola sob as mais extremas dificuldades financeiras dada a pobreza da família. É o seu irmão István, 15 anos mais velho que ele, escritor e professor, quem o incentiva a se matricular na Universidade de Budapeste, onde se formará em geografia e ciências naturais. Só lecionará por um ano como professor assistente e é mandado embora do instituto onde trabalhava por ter incluído no programa de estudos de ciências as novas teorias de Darwin.   Em 1902 foi convidado por Zsigmond Kulinyi, diretor do independente Szegedi Napló (Diário de Szeged) e se torna colaborador na redação do jornal até se tornar uma década mais tarde editor-chefe. Sua relação com este diário se manterá até sua morte e foi um dos poucos da Europa que não se vendeu para as propagandas de guerra. A vivência neste período, leva-o a se estabelecer em Szeged, onde se casou com Ilona Walleshaus...

Boletim Letras 360º #443

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DO EDITOR   1. Caro leitor, como forma de oferecer alguma retribuição pela ajuda com nossa campanha para cobrir as despesas com o domínio e a hospedagem do  Letras  na  web , faremos um sorteio entre os contribuintes.   2. Quem já colaborou está na lista; e quem colaborar a partir deste sábado pode, se quiser, se inscrever para sorteio. É muito simples: basta enviar e-mail a blogletras@yahoo.com.br informando e-mail o nome completo.   3. Podem participar os que adquirirem um dos livros no bazar ou com doações avulsas via PIX e com qualquer valor — há informações  aqui no Facebook   e   aqui no  Instagram . 4. E reitero, a todos que de alguma maneira ajudaram até agora, receba os agradecimentos. Obrigado pela companhia! Louis-Ferdinand Céline. Foto: François Pages.   LANÇAMENTOS Chega ao leitor brasileiro o sexto livro de Paul Celan .   Sexto livro de Paul Celan, e o penúltimo que publicou em vida, Ar-reverso  (Atemwende, 1...