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Sinfonia Ilitch II

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Por Michele Soares Eu vos pergunto: Qual é o peso da luz? — Clarice Lispector Iliá Répin. Lev Tolstói em uma poltrona rosa, 1909. Tolstoy Museum.   Uma vez tendo em mente os movimentos gerais de A Morte de Ivan Ilitch e da Sexta Sinfonia, segundo apresentados na parte I deste ensaio, o estabelecimento dos pontos de contato entre ambas as obras se torna menos árduo e mais plausível. Se houve quem observasse e cotejasse trechos específicos da novela com a sinfonia, buscando ver em uma a transcrição exata da outra — a novela na sinfonia, no caso, já que a obra de Tolstói é anterior —, a despeito de Tchaikovsky e Tolstói terem se conhecido pessoalmente e de Tchaikovsky ter lido A Morte de Ivan Ilitch , acredito que, para os fins da nossa análise, é mais prolífico voltar o olhar sobre as constatações as quais chegaram ambos, Tolstói na literatura e Tchaikovsky na música, do que estabelecer influências e correlações exatas, no miúdo dos detalhes, entre uma e outra obra. Quando eu o...

Boletim Letras 360º #476

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DO EDITOR   1. Caro leitor, no último final de semana realizamos o quarto sorteio entre os apoiadores do Letras . Três livros do catálogo da editora Bandeirola foram sorteados por votação às cegas no nosso Instagram. O trabalho agora é para o próximo bimestre e é possível contar algumas novidades.   2. Os livros do mês de maio são de autores brasileiros editados no grupo Companhia das Letras. Essa escolha sublinha as celebrações do Dia da Literatura Brasileira e a pluralidade de novas vozes de nossa literatura hoje.   3. Outras formas de colaborar com o Letras e mais detalhes sobre como se inscrever para o sorteio estão disponíveis aqui . Sua ajuda é sempre muitíssimo bem-vinda e, em nome do projeto, registre-se os agradecimentos a todos que, de alguma maneira, contribuem para sua continuidade.   4. Aproveite nossas boas informações e boas leituras. E, cabe não esquecer que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem descon...

“Relacionar-se é administrar conflitos”. Entrevista com Adriano de Paula Rabelo

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Por Marília Bertolino   Acaba de sair, publicado pela editora Minotauro, selo do grupo Almedina, o livro A primeira pessoa: duas histórias , do escritor mineiro Adriano de Paula Rabelo. Como indica o título, a obra é composta por duas narrativas concisas, situadas entre o conto e a novela. No entanto, ou por isso mesmo, essas histórias, contadas em primeira pessoa por protagonistas homens a caminho dos quarenta anos, são bastante concentradas e carregadas de tensão a partir do momento em que ocorre um desarranjo da situação de “normalidade” inicial. Conversamos com o autor sobre esse livro e as escolhas que ele vem fazendo na escritura de seus trabalhos.   No ano passado, você lançou O amor é um abismo furtivo , que reúne uma série de contos retratando o final da relação amorosa. Agora você retorna ao tema da separação dos amantes. Por que esse assunto tem estado tão presente neste momento de sua produção?   Esse assunto tem estado muito presente na produção de quase todo...

Algumas notas sobre escrever de pé

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Por Bárbara Mingo Costales Ilustração: Golden Cosmos.   Perguntei a alguém que eu achava que já tinha resolvido como combinar o exercício da escrita, que sempre se diz que o leva a uma vida solitária, com o contato constante e genuíno com os outros. Ele respondeu perguntando por que estava procurando isso, por que ir atrás de um equilíbrio. Que fizesse o que pudesse e que tudo iria se ajustando.   Às vezes imagino a escrita como uma atividade espeleológica, na qual você desce a estratos inexplorados e depois emerge com o que encontrou às cegas e que só poderá apreciar quando estiver fora. Outras vezes é como estar em um campo cheio de flores com a intenção de fazer um buquê. Você escolhe algumas e descarta outras. Há algumas flores que você corta e depois joga fora e assim por diante. Todas essas possibilidades. Agora estou mais interessada em espeleologia. De certa forma, ao caminhar pelo campo você já viu o buquê que vai fazer, disperso. Aqui, profundidades e flores represen...

Literatura do córrego: sobre o que falamos quando falamos sobre “grit lit”?

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Por Laura Fernández Alfred H. Maurer. Recorte com tribulo a  Sherwood Anderson. Google Art Project   No sul dos Estados Unidos, o sul de cidades fantasmas, de caravanas que confundem com a terra, de ravinas sinistras, rios rasos e vibradores em forma de cobra, só se toma café com algo chamado corn grits . Um tipo de cereal de tigela no leite que parece um mingau monstruoso e mole. “Foi assim que tudo começou”, diz Chris Offutt (Lexington, Kentucky, 63). Autor do sufocantemente poderoso Kentucky Straight , e de pelo menos mais um par de romances, publicados na Espanha por Sajalín, e filho de Andrew (Offutt), o rei da pornografia escrita do século passado, refere-se à maneira como surgiu o apelativo grit lit . A chamada “literatura-rio”, ou noir rural , aquela que torceu o universo irremediavelmente perdido do clássico (de 1919) Winesburg, Ohio , de Sherwood Anderson, não foi oficialmente considerada “uma coisa toda em andamento” até 2012, como lembra Offutt de algures do conda...

Alejandra Pizarnik: correspondências

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Por Fernanda Fatureto Alejandra Pizarnik. Arquivo Flia D'Amigo-Digisi. As correspondências de Alejandra Pizarnik e seu psicanalista Léon Ostrov foram reunidas em livro em 2012. Cartas tem edição de Andrea Ostrov e mostra a relação íntima que Pizarnik trava com o papel e sua confiança no profissional. Dessa relação que se converte num tipo de amizade a argentina constrói belos momentos quando da sua estadia em Paris.   “Léon Ostrov foi o primeiro psicanalista de Alejandra, que recorreu a ele quando tinha apenas 18 anos, em meio de 1954. Quando ela se instalou em Paris, entre 1960 e 1964, estabeleceu uma relação epistolar que se converteu em 21 cartas. A relação de amizade entre Pizarnik e Ostrov foi sustentada pelo profundo interesse de ambos por literatura e filosofia.”, afirma-se na introdução do livro.   A poesia de Alejandra Pizarnik nasce da angústia e do contato com o vazio. Léon Ostrov lhe impulsiona a persistir nessa busca: “tenta lhe dar ânimo, reforçar sua autoesti...