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Boletim Letras 360º #492

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    DO EDITOR   1. Caro leitor, se você está entre os apoiadores do trabalho do Letras in.verso e re.verso estejam atentos: no dia 31 de julho sortearemos um exemplar da edição especial de Ensaio sobre a cegueira , de José Saramago.   2. Se você ainda não enviou seu ao apoio e gostaria de fazê-lo e concorrer a este e outros livros, basta ler as informações aqui — é rápido e prático.   3. Relembro ainda que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você ganha desconto e ainda ajuda ao Letras sem pagar nada mais por isso .   4. Fica o registro de um excelente fim de semana a todos que ajudam e acompanham este projeto. Pier Paolo Pasolini. Foto: Giancarlo Botti.   LANÇAMENTOS   Um relato franco e comovente sobre a própria trajetória e a importância da persistência .   Em Manifesto: sobre como nunca desistir , a autora de Garota, mulher, outras — livro vencedor do Booker Prize de 2019, traduzido para mais de...

Marco Aurélio ou a educação do estoico

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Por Pablo Sol Mora Marco Aurélio. Ilustração: Begoña Blázquez Parro   Já contei que em casa havia vários livros das coleções da Aguilar: Obras Eternas, Joya e Crisol. Desde criança estes últimos me chamavam a atenção, por seu tamanho, muito pequeno, e suas cores: verde para poesia, azul para o teatro, vermelho para a prosa literária e café para a filosofia. Eventualmente comecei a lê-los e ali puder ler pela primeira vez, digamos, Madame de La Fayette ( La princesa de Clèves ), La Bruyére ( Caracteres ), Cícero ( Los oficios ), Unamuno ( Niebla ), Étienne Gilson ( Santo Tomás de Aquino ), Dickens ( Grandes esperanzas ), André Maurois ( Turgueniev ), Joan Maragall ( Antología Poética ), o Viaje de Turquía ,¹ entre outros. Contudo, se tivesse que escolher um único título da coleção teria que ser o dos Moralistas griegos (Madrid, 1960), no qual descobri meu herói da Antiguidade, Marco Aurélio.   Os Solilóquios – ou Meditações , ou Reflexões , ou Pensamentos , na verdade, o títu...

As divagações existenciais de um português pós-moderno. Análise crítica da obra “As intermitências da morte”, de José Saramago

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Por Lucas Pinheiro José Saramago. Foto: Leonardo Cendamo.   Seria simples vir aqui e comentar sobre as características técnicas e estilísticas de Saramago, mas você, leitor instruído, com certeza já sabe, e entende, que ele foi um autor de apostas ousadas em sua literatura. Quem diabos deixaria toda uma população cega em um de seus romances? Apenas um autor demiurgo de veemente agilidade, é claro. Ora, primeiro ganhador português do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, de modo irreverente, neste livro que resenho, propõe reflexões sobre a morte e outras instâncias da vida humana, sendo esta a protagonista absoluta da narrativa, enquanto constrói críticas à sociedade, revelando sua hipocrisia, sem intermitências, à luz da morte — desafiando a própria mortalidade enquanto subverte, ironicamente, o tema desgastado da imortalidade.   Eis que, no primeiro dia do ano, em um país sem nome, a morte resolve tirar férias e, inicialmente, isso é motivo de festa! Em pouco tempo, ent...

Pier Paolo Pasolini e O Evangelho segundo São Mateus

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Por Solange Peirão   Um, entre tantos filmes expressivos e belos do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, é  O Evangelho segundo São Mateus , de 1964. Na comemoração do centenário do cineasta, está disponível temporariamente na plataforma de streaming MUBI.   Sua principal marca é, sem dúvida, a simplicidade minimalista. A locação foi estabelecida no sul da Itália. O texto é integralmente o Evangelho de Mateus — fiz o exercício encantador de acompanhar paralelamente o andamento das cenas e a leitura na Bíblia. Os atores são amadores, muitos, inclusive o Cristo, a atuarem pela primeira vez. Maria, mais velha, é a própria mãe de Pasolini, Suzanna. E a música, clássica e popular, costura este conjunto.   O filme oscila entre planos-sequências e enquadramentos de rostos ou de cenas em que alguma questão específica do discurso bíblico está sendo narrada.   A beleza dessas alternâncias está justamente no fato de que os primeiros se mostram adequados para desnud...

A solidão das palavras

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Por Gustavo Arango Gabriel García Márquez.  Peter Badge/ Harry Ransom Center   Todo escritor — sem importar sua fama ou prestígio — é um artista incompreendido. Quando Gabriel García Márquez tinha 25 anos, um importante editor argentino leu o seu primeiro romance, A revoada , e o aconselhou que buscasse outro ofício. Em 1961, A má hora , o terceiro romance, recebeu um importante prêmio literário, mas só depois do escritor aceitar as condições de um bispo que fazia parte do júri: eliminar a linguagem de baixo calão e modificar o título do livro que inicialmente era Este pueblo de mierda . Esse mesmo romance foi ultrajado uma vez mais quando alguns editores insensíveis traduziram-no para o espanhol da Espanha.   Mesmo quando já era reconhecido, García Márquez saboreou a amargura da reprovação: a 15 de julho de 1981, um ano antes de ser galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura, os editores da revista The New Yorker responderam ao escritor que não publicariam seu con...