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Boletim Letras 360º #522

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    DO EDITOR   1. Até quarta-feira muitos estarão na folia, mas mesmo esses poderão descansar com a companhia deste Boletim. Lembro que foi divulgado nas redes sociais do Letras e mesmo aqui, na seção Ajuda, os livros disponibilizados para o próximo sorteio entre os apoiadores do blog: Lições , de Ian McEwan (Companhia das Letras) e Aniquilar , de Michel Houellebecq (Alfaguara).   2. E você já fez sua inscrição? O sorteio contemplará dois leitores: um livro para cada um. Para enviar seu apoio é simples. Basta enviar a partir de R$20 através do PIX blogletras@yahoo.com.br e em seguida fornecer o comprovante por este mesmo endereço de e-mail. Se quiser mais detalhes, acesse aqui .   3. Outra forma de apoio é a aquisição de qualquer um dos livros apresentados pelos links ofertados neste Boletim ou qualquer produto neste link .     4. Um excelente Carnaval para todos! Com folia, descanso e boas leituras. Sjón. Foto: David Konecny   LANÇAMENT...

Clarice Lispector, entrevistas

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Por Pedro Fernandes Clarice Lispector, 1972. Correio da Manhã / Arquivo Nacional. É possível que a popularidade não esteja entre os desejos mais visíveis de um escritor. Mas, quando alcançada, talvez tenha um significado tão ou mais importante que o reconhecimento. Se a popularidade pode significar em algum grau sobrevida, o paraíso para quem a alcança não é um todo perfeito como talvez se imagina. Há nele algumas porções de inferno. É nelas que proliferam os especialistas, os fãs — a pior claque para quem apenas necessita de bons leitores —, e os que se dedicam ao jogo das atribuições. Na Era do Viral, quando se juntam esses três tipos, qualquer escritor se perguntará se ser conhecido não é integralmente uma condena.   A Era do Viral significou ainda, dizem uns, a manutenção dos informantes de ocasião, atravessadores da notícia. Esses são acusados de comprarem facilmente como verdade a novidade recebida, sem se importar com as fontes, com a maneira como a notícia é dada e mesmo a...

Indevassável, mas perquirível: Melhores contos, de Guimarães Rosa

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Por Guilherme Mazzafera João Guimarães Rosa à máquina de escrever. Que Guimarães Rosa é um contista nato não há como contestar — afinal, o romance, por mais brilhante que seja, é antes desvio irrepetível de percurso do que a norma compositiva em sua obra. No terreno mais ambíguo da novela, sua adoção plena deu-se unicamente em Corpo de Baile , contraface de Grande Sertão: Veredas e que forma com este o ápice da diástole rosiana soberbamente evidenciada no ano de 1956. Circundando estas obras magnas, temos dezenas de narrativas cuja variedade, apuro e escopo formal já seriam mais que suficientes para garantir ao escritor mineiro seu merecido lugar no panteão literário nacional. E é justamente esta contística múltipla que chega às mãos dos leitores brasileiros a partir da esmerada seleção de Walnice Nogueira Galvão. Melhores contos (Global, 2020) reúne 16 narrativas rosianas extraídas de cinco livros seus:  três de Sagarana (1946), sete de Primeiras estórias (1962), três...

Pinóquio, a morte cai tão bem

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Por Diego Cuevas Minha mãe me contou que eu chorei em seu ventre. A ela lhe disseram: terá sorte. Alguém falou comigo todos os dias de minha vida no ouvido, devagar, lentamente. Disse-me: viva, viva, viva! Era a morte.   — Jaime Sabines, “Do mito” Guillermo del Toro esculpiu uma nova criatura. E isso costuma ser motivo de comemoração nesta casa, onde passamos uma década admirando o carinho que o diretor dedica às feras fantásticas. Porque Del Toro é sinônimo de uma devoção sincera aos monstros, ao ponto de não conseguir deixar de evitar um, mesmo embalado, sim, num filme como O beco das almas perdidas onde, a princípio, não havia espaço para seres fantásticos. Seu novo descendente é renomado, com fama nas costas, Pinóquio, mas é criado não apenas a partir de recortes da sombria narrativa original que Carlo Collodi começou a escrever para folhetim em 1881, mas também de pedaços do Pinóquio de Walt Disney e da alma de Frankenstein ou o Prometeu moderno de Mary Shelley. Embora o ma...

O terror de 1824. A obra-prima desconhecida

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Por Andrés Trapiello   O conceito de obra-prima não muda, mudam os critérios para reconhecê-la como tal.   Todos nós temos uma ideia semelhante do que é uma obra-prima e, embora nem sempre aceitemos o que nos propõem sobre a história e alguns de nossos contemporâneos mais influentes. Ariosto, Camões, Schiller, Petrarca, Rabelais, Racine, Milton são escritores que gozaram em seu tempo e em tempos posteriores da consideração de gênios, com livros também considerados obras capitais. Fora do âmbito de seus respectivos idiomas, no entanto, dificilmente são nomes em uma lista ou em uma rua da cidade. Nem mesmo Dante, Púchkin ou Goethe, cujo nome é ainda mais familiar para muitos, se livrariam dessa consideração porque é possível topar com eles em estátuas, grandes avenidas e aeroportos. Quantos de nós já leram Tasso ou Cícero, Juvenal ou Tucídides? Até um século atrás, eles eram amplamente lidos e suas obras eram citadas nas tribunas e comentadas nos jornais.   Quando Stendhal...