Boletim Letras 360º #698
DO EDITOR
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| Orides Fontela. Foto: Fritz Nagib |
Às portas da Festa Literária Internacional de Paraty, a obra de Orides Fontela, homenageada na edição de 2026 do evento, ganha novos acréscimos com dois livros inéditos editados pela Hedra.
1. Conversas: escritos e entrevistas de Orides Fontela traz quatro textos da poeta, três deles publicados originalmente em periódicos e um inédito. Nesses ensaios e depoimentos, a autora reflete sobre o fazer poético e a relação entre poesia e filosofia em suas dimensões estética, ética e política. O volume reúne ainda quinze entrevistas, das quais oito são inéditas em livro. Nelas, é possível acompanhar a trajetória de Orides, o reconhecimento junto à crítica e, ao mesmo tempo, as dificuldades enfrentadas por uma mulher de origem pobre. Organizado por Ieda Lebensztayn, Augusto Massi e Mário Alex Rosa. Você pode comprar o livro aqui.
2 Pelos olhos de Orides não é um livro para crianças, mas este é um livro para crianças! Orides contava que aprendeu poesia, ainda menina, com o pai, um marceneiro analfabeto. Sim, porque a poesia vem antes das letras, está na vida. Poesia, para Orides, era um modo de olhar para as coisas, como quando esperava o trem passar junto com seu pai. “O canto é anterior ao pássaro”, escreve. Organizado por Augusto Massi, o livro reúne ilustrações de Cynthia Cruttenden. Você pode comprar o livro aqui.
Para marcar o bicentenário da morte de William Blake em 2027 e reafirmar sua relevância, a Iluminuras publica em três volumes onze livros criados entre 1789 e 1795, reproduzindo um total de 183 estampas iluminadas pela primeira vez em conjunto numa edição brasileira.
Engenhosa recriação da iluminura medieval, o livro iluminado, sem igual na literatura inglesa, combina texto e imagem gravados em alto-relevo em chapa de cobre, impressos em cores e com acabamento aquarelado. Ao adotar essa alternativa para a impressão e a confecção convencionais do livro, Blake produziu objetos de arte, cada exemplar com identidade própria, tanto pelas variações da gama de cores ou de detalhes de figuras como pelas diferenças na escolha ou na ordem das estampas. Este primeiro volume reúne dois dos livros mais conhecidos. Em Canções de inocência, de 1789, por uma sutil subversão da poesia pastoral e dos hinos moralistas da época, Blake retrata com leveza, lirismo e musicalidade uma vida quase paradisíaca, a espontaneidade da criança, a sensação de proteção e segurança, o bem e o Céu. Em 1794, o poeta juntou a ele Canções de experiência, nunca impresso em separado, no qual aborda a perda da inocência com a queda do homem ao ser expulso do Paraíso, a mortalidade, a inimizade, a exploração do trabalho infantil, o mal e o Inferno. Explicitando os temas, e sugerindo a essência de uma visão de mundo, acrescentou o subtítulo “Mostrando os Dois Estados Contrários da Alma Humana”. São estados dialéticos. Em 54 estampas, Blake nos instiga a elaborar sínteses ao mostrar em poemas e ilustrações a presença da experiência do adulto na inocência da criança, e vice-versa, numa inevitável tensão gerada pelos opostos. Com tradução de organização de José Antonio Arantes. Você pode comprar o livro aqui.
Coletânea de contos acadêmicos reúne treze narrativas curtas pouco conhecidas, escritas por estudantes de direito em São Paulo, no século XIX.
Os textos foram publicados majoritariamente em periódicos discentes e permitem apurar o cotidiano e o imaginário desses estudantes no Brasil imperial. Com referências ao romantismo byroniano, que se contrastavam ao dia a dia entediante em uma cidade com poucas opções de lazer, os contos reunidos por Natália Gonçalves de Souza Santos permitem traçar um panorama histórico do surgimento do conto no Brasil, especialmente da sua vertente acadêmica, contribuindo para a compreensão da figura literária do bacharel em direito e para a definição de um gênero literário tão importante quanto variado. A autora introduz os textos com uma reflexão acerca da existência do conto acadêmico no romantismo, passando pelas especificidades temáticas e formais que culminaram na organização da antologia. Romantismo paulista em contos acadêmicos é publicado pela Edusp. Você pode comprar o livro aqui.
Livro de crônicas de Ana Paula Tavares ganha edição no Brasil.
Livro de crônicas de Ana Paula Tavares ganha edição no Brasil.
Com a graça e fluidez de quem tem o pleno domínio sobre a palavra, Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões de Literatura, oferece-nos uma leitura que é, simultaneamente, enlevada e poética.
Num minuto, lança-nos um olhar decolonial sobre as máculas da guerra civil angolana e, no seguinte, deleita-nos com crônicas em que poetiza em prosa o trabalho com o barro e a escolha da melhor farinha para o preparo do funge. Com argúcia, põe-nos a questionar o que perdemos quando deixamos nossos lugares de origem e, em cada crônica, venera a sabedoria dos mais-velhos — esteios que preservam a tradição de todo um povo. O sangue da buganvília: crónicas sai pela editora Pallas. Você pode comprar o livro aqui.
A bossa da invenção de Juan Tallón.
A aparente inverossimilhança da história pode deixar o leitor de antemão desconfiado. Um dos mais importantes museus do mundo, o Reina Sofía, em Madri, simplesmente se dá conta do desaparecimento de uma obra colossal. Trata-se da escultura Equal-Parallel/ Guernica-Bengasi, de autoria do escultor estadunidense Richard Serra. Encomendada especialmente para a inauguração do museu, a obra foi depois arquivada e armazenada por uma empresa terceirizada. Anos depois, diante do desejo de expô-la novamente, o museu dá-se conta de que ninguém sabe mais de seu paradeiro: a empresa responsável pelo armazenamento faliu, desapareceu, não há mais quase nenhum rastro dela. Fosse um quadro, uma tela pequena, ou mesmo uma escultura de menor porte, a história seria outra, menos incompreensível. Mas como pode desaparecer uma obra gigantesca, pesadíssima, composta de quatro blocos de aço que pesam juntos trinta e oito toneladas? Sabe-se apenas que o escândalo de proporções mundiais fez com que Serra aceitasse produzir uma réplica da escultura original desaparecida, que ainda hoje está exposta no museu em Madri. Para o autor espanhol Juan Tallón, contudo, somente a ficção poderá dar conta de tamanho absurdo, bem como das questões que daí surgem: o que é uma obra de arte? O desaparecimento faz parte da escultura? Forma e conteúdo se interligam ainda que a forma, no caso, seja fantasmática? Um dia voltaremos a ver a obra original? Cópia e original podem conviver de forma una? Em ritmo de thriller, Tallón evoca dezenas de narradores que testemunham sobre a complexidade do acontecimento: os responsáveis pelo museu, a polícia investigativa, o próprio Richard Serra, entre muitos outros. Emulando a estrutura da segunda parte de Os detetives selvagens, de Roberto Bolaño, neste Obra-prima, livro vencedor dos prêmios Rodolfo Walsh e Euskadi de Plata, com tradução minuciosa de Joca Reiners Terron, o mistério subsiste sem existir, uma vez que não há corpo, não há evidência. Ninguém tem a menor ideia do que aconteceu. Publicação da editora Nós. Você pode comprar o livro aqui.
Chega ao Brasil o primeiro livro de contos da egípcia Radwa Ashour, uma das escritoras mais importantes da literatura árabe contemporânea.
Professora universitária, crítica literária e romancista, Ashour construiu uma obra comprometida com a justiça, a liberdade e a representação das experiências femininas e coletivas. Publicada no Egito em 1989, a coletânea apresenta os elementos que definiriam posteriormente toda a sua trajetória literária: a atenção profunda às pessoas comuns, às memórias que moldam o presente e à luta silenciosa pela dignidade. Eu vi as tamareiras sai no Brasil pela editora Tabla com tradução de Maria Carolina Gonçalves. Você pode comprar o livro aqui.
A consagrada escritora argentina faz de suas viagens a cemitérios pelo mundo um mergulho fascinante sobre morte, cultura e memória.
Mariana Enriquez é fascinada pela beleza assombrosa dos cemitérios desde muito jovem. Uma andarilha gótica que transforma sua obsessão estética em surpreendentes ensaios literários, ela caminha entre lápides, onde “morrer parece muito mais interessante do que estar vivo”. Em Alguém caminha sobre o seu túmulo, a autora viaja pelas Américas do Sul e do Norte, Europa e Austrália, visitando cemitérios famosos e historicamente ricos: Montparnasse em Paris, Highgate em Londres e o antigo Cemitério Judaico em Praga aparecem ao lado de muitos outros escondidos, dilapidados, remotos e secretamente belos. Enriquez descreve e analisa os túmulos de figuras famosas — o de Elvis em Memphis, o de Marx em Londres —, assim como epitáfios extravagantes, esculturas melancólicas, anjos sensuais, vestígios de vodu em Nova Orleans, criptas góticas, catacumbas, esqueletos, vampiros, fantasmas e uma infinidade de lendas. Ao entrelaçar memórias pessoais e uma investigação da história e da arquitetura de cada necrópole, seus santos e fantasmas, seus zeladores, visitantes e, claro, seus mortos, Mariana Enriquez cria uma obra de não ficção fascinante, assustadora e original, tão memorável quanto os romances e contos pelos quais se tornou amada e admirada. Com tradução de Elisa Menezes, o livro é publicado pela editora Intrínseca. Você pode comprar o livro aqui.
Em seu segundo romance, Jeovanna Vieira constrói uma trama pulsante sobre uma filha à procura do pai e examina o impacto de tudo aquilo que nos assemelha aos que vieram antes de nós — e do que nos separa deles. Afinal, até onde estamos dispostos a ir por quem amamos?
Em seu segundo romance, Jeovanna Vieira constrói uma trama pulsante sobre uma filha à procura do pai e examina o impacto de tudo aquilo que nos assemelha aos que vieram antes de nós — e do que nos separa deles. Afinal, até onde estamos dispostos a ir por quem amamos?
Nas ruas do Rio de Janeiro, às vésperas de uma mudança para se tornar a primeira mulher negra a comandar o maior avião de passageiros do mundo, a narradora de Toda caixa-preta é laranja precisa encontrar o pai, Viola, que viajou para ajudá-la a fechar o apartamento, mas desapareceu. O marido e os filhos já estão de malas prontas, mas ela vê seus planos de embarcar sendo adiados à medida em que cai no que chama de buraco dos Viola. Quando as vias legais se mostram insuficientes, a protagonista aceita a oferta de um policial-miliciano para uma investigação por fora. Nessa busca frenética, ela esmiúça memórias como a perda da mãe, a morte do irmão e o momento em que passa a ser criada pela babá — uma adolescente apanhada no sul da Bahia para cuidar da casa e olhar a menina —, e a forma como Viola enfrenta as próprias sequelas. Toda caixa-preta é laranja sai pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
Azar Nafisi parte em defesa da literatura como resistência, reconhecendo o papel da imaginação e o poder transformador das palavras em períodos turbulentos.
No período de 2019 a 2020, enquanto tenta assimilar o primeiro mandato do governo Trump, a pandemia, as guerras e mudanças políticas, Azar Nafisi escreve cartas ao pai, morto há doze anos. Nelas, Nafisi relata e entende os acontecimentos recentes no mundo, refletindo sobre a sua experiência como mulher, professora de literatura e cidadã do Irã e dos Estados Unidos, para onde imigrou. Ao fazer uso de sua vasta bibliografia, incluindo obras sobre as quais lecionou, para explicar o medo que ditaduras e regimes fascistas têm da literatura, a autora posiciona os livros como cruciais para o diálogo e humanização do inimigo, algo que só é possível em uma democracia. Nafisi recupera a voz de grandes escritores e escritoras, como James Baldwin, Zora Neale Hurston, Margaret Atwood e Toni Morrison a fim de apresentar uma chave de leitura para os novos desafios. Dos livros queimados de Ray Bradbury ao fatwa imposto a Salman Rushdie, realidade e ficção se misturam em prol do saber, com a imaginação emergindo como uma das maiores armas encontradas para a liberdade. Tão esperançoso quanto potente, Leia perigosamente é uma leitura essencial para compreender os tempos conturbados e a atuação fundamental da literatura como meio de resistência. Tradução de Marina Vargas; publicação da editora Record. Você pode comprar o livro aqui.
A vida de C. S. Lewis contada por aqueles que o conheceram de perto.
Mais de sessenta anos após sua morte, C. S. Lewis continua a viver por meio de seus livros. E não é para menos: o autor produziu vasta obra, compreendendo escritos teológicos — como Cristianismo puro e simples —, ficções adultas — como Carta de um diabo a seu aprendiz— e o destacado infantil As crônicas de Nárnia. C. S. Lewis: biografia autorizada e revisada narra a fascinante história da vida de Lewis, começando por sua infância na Irlanda, passando pela perda de sua mãe e sua conexão com seu irmão, Warren. Relata momentos determinantes como o serviço militar durante a Grande Guerra, a amizade com J.R.R. Tolkien, a escrita das Crônicas de Nárnia e o casamento com Joy Davidman.
Walter Hooper — que atuou como secretário de Lewis — e Roger Lancelyn Green — amigo do autor — contaram com a consultoria de Warren, irmão mais velho de Lewis, para escrever este volume. Os autores tiveram acesso à uma ampla gama de material bibliográfico, tornando esta a biografia autorizada e definitiva sobre um dos maiores gênios literários do século XX. O livro reúne cartas e memórias inéditas. Com tradução de Guilherme Mazzafera, o livro sai pela Thomas Nelson Brasil. Você pode comprar o livro aqui.
Depois do sucesso de seu primeiro livro, José Henrique Bortoluci volta a investigar o Brasil, desta vez debruçando-se sobre as histórias de pessoas que, como ele, nasceram em meados dos anos 1980, durante a reabertura política do país depois de duas décadas de ditadura militar.
São personagens reais, de origens e trajetórias diversas, a quem foi permitido acreditar que a democracia era um ponto de partida assegurado, mas que tiveram suas vidas moldadas pelas contradições e fragilidades de um regime que se pretendia fraterno, porém se revelou desigual e violento como nossa história. A esses relatos, comentados com a lucidez do sociólogo e a sensibilidade do escritor, somam-se memórias políticas do próprio Bortoluci, cenas cotidianas que se justapõem, formando um panorama caleidoscópico que tenta englobar toda uma geração, “essa coisa estranha que vive na passagem entre aquilo que é meu e aquilo que é nosso”. Uma cabo da Polícia Militar e doutora em serviço social que se equilibra entre os ensinamentos de Paulo Freire e a rigidez da caserna; um missionário evangélico saído do crime que prega em comunidades e bailes funk; um jovem cantor sertanejo que sonha com a prosperidade enquanto tenta tornar seu trabalho conhecido nas redes sociais; uma arquiteta e militante que relembra o terremoto político provocado pelas Jornadas de Junho. Esses são alguns dos personagens que, aqui reunidos em polifonia, desafiam interpretações simplistas e leituras teóricas afastadas da realidade. Nas palavras da historiadora Ynaê Lopes dos Santos, que assina o prefácio do livro, Geração democracia é uma tentativa de “escutar, em meio aos escombros do presente, as vozes que ainda insistem em expandir os limites daquilo que podemos chamar de democracia”. O livro sai pela editora Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.
REEDIÇÕES
A Pinard resgata a tradução de Josely Vianna Baptista de um dos romances de José María Arguedas há muito esgotados entre os leitores brasileiros.
Em Os rios profundos, José María Arguedas constrói um dos romances mais importantes da literatura latino-americana do século XX. Acompanhamos Ernesto, um adolescente que percorre os Andes peruanos ao lado do pai e é enviado a um internato religioso, onde vivencia as tensões entre o mundo indígena e a sociedade criolla, a violência institucional, a descoberta de si e a força transformadora da memória. Escrito com extraordinária sensibilidade poética, o romance entrelaça realidade e mito, paisagem e linguagem, para retratar um Peru profundo, marcado por conflitos sociais e culturais que atravessam toda a América Latina. Ao mesmo tempo narrativa de formação, testemunho histórico e obra-prima literária, Os rios profundos permanece como uma reflexão poderosa sobre identidade, pertencimento e resistência. Considerado o grande romance de José María Arguedas, esta obra fundamental revela a riqueza da cosmovisão andina e ocupa um lugar central no cânone da literatura latino-americana. Você pode comprar o livro aqui.
RAPIDINHAS
Os versos perdidos. Com organização de Raul Calle de Paula, livro publicado pela Cepe reúne poemas de Alexina Crêspo, trabalhadora rural, guerrilheira e ativista nas Ligas Camponesas e União Feminina de Pernambuco.
Outra vez a Ilíada. A Mnēma publica a esperada tradução de Leonardo Antunes — que já traduzira a Odisseia — do livro inaugural da literatura ocidental. Estruturada em decassílabos duplos, acompanha a epopeia uma introdução do tradutor e um prefácio de Alexander Pope.
Ainda Orides. A Relicário aproveita e reedita O nervo do poema. Organizado por Patricia Lavelle e Paulo Henriques Britto, o livro fora publicado para marcar os vinte anos da morte da poeta, em 2018.
O novo de Paloma Vidal. Depois de reeditar o romance Pré-história, a carioca 7 Letras apresenta um novo livro da escritora. Quem sabe dançar reúne oito contos e chega aos leitores neste mês de julho.
Os sem-teto. Depois que a Companhia das Letras recusou renovar contrato de publicação da obra de Raduan Nassar, outros grandes da literatura brasileira também estão sem casa editorial. A Folha adianta que a Global não conseguiu renovar a continuidade do vínculo com a obra de Manuel Bandeira e de Cecília Meireles.
As melhores crônicas. Socorro Accioli reúne para a editora Planeta uma seleção das suas crônicas sob o título de Amar é inadiável.
PRÊMIO LITERÁRIO
Lídia Jorge, Prêmio Camões 2026.
Divulgado mais cedo em relação ao ano anterior, o júri composto por representantes do Brasil, Portugal e países africanos de língua portuguesa elegeu, por unanimidade, a escritora Lídia Jorge pelo “diversificado conjunto da sua obra e o grande contributo para o enriquecimento do patrimônio literário e cívico-cultural da língua portuguesa”. Instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989, o Prêmio Camões reconhece o conjunto da obra e é o mais importante galardão em língua portuguesa. Na lista dos escritores portugueses agraciados com o reconhecimento, Lídia Jorge sucede o ensaísta João Barrento.
DICAS DE LEITURA
1. A passagem tensa dos corpos, de Carlos de Brito e Mello (Companhia das Letras, 256p.) Uma figura excepcional, infindável e incorpórea, ocupa-se de percorrer cidades e registrar as mortes que encontra pelo caminho até se deparar com um morto cuja família não parece disposta a velar ou enterrar. Você pode comprar o livro aqui.
2. Adriano, de Tatiana Faia (Editora 34, 96p.) Uma escavação arqueológica que alcança o tempo de quando o imperador romano se enamorou de Antínoo, um belo rapaz da Bitínia. A paixão, a devoção, a dor da perda e outros sentimentos são cartografados na poesia deste livro. Você pode comprar o livro aqui.
3. A coleção privada de Acácio Nobre, de Patrícia Portela (Dublinense, 224p.) Dezesseis anos de pesquisa cobrem o resgate através de cartas, objetos, fragmentos e memórias do Leonardo da Vinci português. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
O Portal de Livros Abertos da Usp disponibilizou online uma antologia de poesia grega e latina. Organizado por Paulo Martins, o material reúne textos costumeiramente utilizados nas aulas de Introdução aos Estudos Clássicos I. São exemplos da poesia mélica, elegíaca, epigrama, lírica, iâmbica e satírica. Os textos traduzidos pelos professores da casa e de outras instituições estão reunidos em edição bilíngue e acompanhados de breve contextualização de autores e épocas. Na apresentação do material, o organizador sublinha que “caráter não comercial é fator importante diante da política universitária nacional de inclusão já que o livre acesso é franqueado a todos indistintamente.” Disponível aqui.
BAÚ DE LETRAS
Em 2019, saiu no Letras este texto de Pedro Fernandes com notas para um perfil de Orides Fontela. Naquele mesmo ano, o nosso editor organiza uma edição da revista 7faces que tinha a obra da poeta como homenagem.
Na edição n. 696 deste Boletim, sublinhamos o 80º aniversário de Lídia Jorge e pela ocasião recordamos nesta mesma seção o conjunto de textos que editamos até agora à volta da sua obra. É por aqui.
DUAS PALAVRINHAS
A poesia não é voz — é uma inflexão. Dizer, diz tudo a prosa.
— Adolfo Casais Monteiro
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