Seis poemas de Li Bai
Por Pedro Belo Clara (Seleção, versões e notas)* IN MEMORIAM ¹ (o poeta chora Ho Chi-Chang) O lugar de Ssu-ming tinha um louco, Ho Chi-Chang, o vento e os ribeiros punham-no frenético. A primeira vez que o vi, em Chang-an, Chamou-me “um deus no exílio”. Oh, estimado amante da taça, Tornou-se a erva debaixo do pinheiro — Ele que deu a sua tartaruga dourada em troca de vinho. Agora, sozinho, recordo-o — e as lágrimas caem. PARA TU FU, DA CIDADE DA COLINA ARENOSA ² Por que vim até aqui, afinal? A solidão é o meu destino na Cidade da Colina Arenosa. Velhas árvores erguem-se junto às muralhas da cidade; Escutam-se, dia e noite, as atarefadas vozes do outono. O vinho de Luh não tranquiliza o meu espírito, Nem as comoventes canções de Chi o tocam; Todos os meus pensamentos correm até ti, Com as águas do Min seguindo para sul, sem cessar. REINVINDICAÇÃO Se o céu não amasse o vinho, A Estrela do Vinho³ não existiria nas alturas; Se a terra ...