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Fiama Hasse Pais Brandão

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Conheci dias duradouros, o sol tão longo entre manhã e tarde. Um levantar súbito de luz por trás da crista das heras no muro velho, e depois descer no verão entre grades verdes e para além do portão como a cair no Hades, no inverno. Não havia tempo nos dias longos, mas a passagem diária do sol abençoado. – “Idade”, Fiama Hasse Pais Brandão Fiama Hasse Pais Brandão nasceu em Lisboa, no dia 15 de agosto de 1938, e apesar de se destacar na poesia e no teatro, foi também ensaísta e tradutora – nesta última atividade verteu para o português obras de autores como Robert Lowell, John Updike, Bertolt Brecht, Antonin Artaud, Novalis, Anton Tchekhov. Frequentou até o terceiro ano o curso de Filologia Germânica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, lugar onde se iniciou também nas artes; por exemplo, foi aí, em conjunto com outros, como o poeta Gastão Cruz com quem esteve casada por um tempo, que participou na fundação do Grupo de Teatro de Letras, uma das companhias de te...

Ciclo de palestras Escritores e escrituras potiguares

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Fica o convite e a programação [...] estas solenidades realçam e brilham o fim de um sociedade histórica, mas o que a prestigia, eleva e dignifica são os trabalhos realizados, os vultos roubados ao esquecimen to e restituídos a admiração pública. Câmara Cascudo A primeira preocupação para com um registro historiográfico da literatura potiguar, atesta nosso professor Tarcísio Gurgel, data de 1897, através de Antonio Marinho. É bem visível que de lá para cá muito tempo já foi gasto; mais de um século, para sermos mais exatos. E, por incrível que pareça a literatura no estado ainda vive de sazonalidades, isto é, de pequenas empreitadas que se dão isoladamente no intuito de registrar que, por aqui, ainda se faz literatura. E como se faz! Os interesses em divulgá-la e valorizá-la é que são poucos, quase nulos. O ciclo de palestras “Escritores e escrituras potiguares” foi idealizado em conjunto com professores, alunos do curso de Letras da Universidade do Estado do Rio Grande juntame...

João Ubaldo Ribeiro, o Prêmio Camões de 2008

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“Em primeiro lugar desaconselharia o jovem candidato a escritor a continuar; sugeriria que desistisse enquanto é tempo. Mas se isso for mesmo impossível, eu diria: então está bem, persista, vá em frente, leia muito, todas essas coisas que são lugares-comuns. E principalmente: seja humilde, mas combine essa humildade com certa obstinação. O resto, não é com você, amigo. É um mistério. ” — João Ubaldo Ribeiro João Ubaldo Ribeiro. Foto de Bruno Veiga. No último dia 26 de julho, o escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro teve mais um motivo em que o mistério de ser escritor, ainda que se dilate, não se explica. Estou falando dele ter sido mais um escritor brasileiro a ser galardoado pelo conjunto da sua obra com o que podemos chamar de Nobel das Literaturas de Língua Portuguesa, o Prêmio Camões, criado em 1988, em sua vigésima edição, portanto. Ano passado havia sido entregue ao escritor português António Lobo Antunes. Também o Nobel José Saramago já recebeu o prêmio. Co...

Jules e Jim - Uma Mulher para Dois, de François Truffaut

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Diretor celebra alegria de viver nos vínculos entre personagens que compõem triângulo amoroso Se Jean-Luc Godard foi o cineasta mais inovador da Nouvelle vague , François Truffaut foi o mais amado. Dono de uma personalidade afetuosa e tranquila, ele nos legou uma obra delicada, que fala de sentimentos, relacionamentos, a alegria das pequenas coisas, e talvez essa ternura tenha ajudado no carinho do público pelo diretor. Alguns dos seus ideais estão sintetizados em Jules e Jim - Uma Mulher para Dois , história de um triângulo amoroso que sobrevive a uma guerra e a muitos percalços. A trama é baseada em um romance autobiográfico de Henri-Pierre Roché que Truffaut comprou em um sebo anos antes e ficou encantado com o que chamava de "perfeito hino ao amor e, talvez à vida". O então crítico prometeu que, caso um dia fizesse filmes, adaptaria Jules e Jim . O austríaco Jules (Oskar Werner) é retraído e introspectivo, culto e inteligente. Torna-se amigo do francês Jim ...

2050

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Paul Benney encontrei-me nu. criança sob uma abóbada celeste chumbo num futuro passado a limpo distante alheio a mim mesmo. divaguei e divaguei nas capoeiras rotas poeirentas, amareladas, por vezes escura, vestida de morte. desterros. no céu cinza escarlate um passado futuro desatado, distante desdobra-se em gotas de estrelas escusas, alheias a mim. quisera reverter a abóbada celeste a abóbada do meu pensamento dissecar todo o lamento em fúria da natureza escura, morta. re(ver) o azul celeste que carrego na abóbada do meu pensamento. ex(por) o brilho vivo das estrelas. acalentar o lamento fúria da natureza vê-la em colorido, forma viva. *  Este poema foi publicado inicialmente nos site Jornal de Poesia e Garganta da Serpente.  Acesse  o e-book  Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

Literatura pra quê?

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Por Pedro Fernandes Ao longo da história da arte e não diferente da tradição literária - do conjunto de textos escritos produzidos pela humanidade não para fins práticos (como manter registros, leis, fórmulas científicas, atas de sessões etc.) - tem sido perguntado quais valores e/ou funções práticas fundam esse campo. Comentemos acerca desse questionamento. Nossa fala se guia pela voz de Umberto Eco, "Sobre algumas funções da literatura". Associada a esta indagação tem surgido uma linha do pensamento segundo o qual o texto literário se produz por amor de si mesmo, sendo sua leitura apenas para deleite, puro passatempo, uma ampliação dos conhecimentos fazendo dos leitores assíduos intelectuais - quando do caso dos leitores gerais, da prosa e da poesia -, ou puro e simples espaço de elevação espiritual - quando do caso dos leitores da poesia. A partir desta ainda há outra, oposta, segundo a qual a literatura comporta um caráter de interventora nalgumas linhas sociais. Iss...