Postagens

Trecho censurado de Macunaíma

Imagem
Ilustração de Carybé para Macunaíma Manuel Bandeira teceu muitos elogios quando leu Macunaíma , sobretudo pela protuberância dos episódios picantes da obra. Mas, com medo da censura, Mário de Andrade fez um recorte do romance em que se era narrado, ao seu ver, circunstâncias que poderiam ser acusadas de pornográficas.  O recorte censurado descreve uma passagem do sexo de Macunaíma e Ci. Os cortes foram da versão original para a segunda edição da obra. Leia o trecho reproduzido aqui a partir da edição crítica da obra preparada por Telê Porto Ancona Lopez e publicada em 1988 pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina. * Um geito engraçado era enrolar a rede bem e no rolo elástico sentados frente a frente brincarem se equilibrando no ar. O medo de cair condimentava o prazer e as mais das vezes quando o equilíbrio faltava os dois despencavam no chão ás gargalhadas desenlaçados pra rir. Outras feitas Ci balançava sozinha na rede, estendida de atravessado. ...

“Eu não viajarei para Auschwitz”

Imagem
Por Pedro Fernandes Bem, leitor, confesso que minha consciência novamente me obriga a render matéria sobre um assunto que só pensei escrever apenas um artigo. Mas, o caso é forte. É daqueles, como diria uns, de rasgar a goela. Não desce de forma alguma. E calar-se parece consentir. Trata-se da novela Williamson, que discorri aqui noutro dia. Ele mesmo. O dito cujo mesmo que anda pregando aos quatro ventos que o Holocausto não existiu. Pois bem, esse mesmo volta à telinha de novo e de novo com a mesma história. Nesse vale a pena ver de novo, depois de uns imprensões fuleras de Ratzinger, que só convenceram a meio mundo de fanáticos de que ele está realmente preocupado com o caso, porque se realmente estivesse já teria feito o que João Paulo II fez, ou melhor, se se preocupasse com o caso sequer teria reabilitado o louco, Williamson afirmou, segundo o jornal Folha de São Paulo , à revista alemã Der Spiegel  que está disposto a rever as evidências históricas, mas que não vai visitar ...

Do poder da escrita

Imagem
Pedro Fernandes No princípio era o verbo - Bíblia, João, 1: 1-18 Uma folha branca. Ela é um desafio para escritor de qualquer nível vencido a cada momento em que novas palavras e idéias surgem para preenchê-la.  Vejo a escrita como um processo delicado. Através dela somos colocados diante situações que esperam ser resolvidas. Isso é o que chamo pensar com palavras.  Comparo escrever com entrar num mundo escuro e desconhecido. É um problema que nos traz satisfação e conhecimento. Agora mesmo é tudo breu. E a página se preenche com volteios, letra após letra, palavra a após palavra, formando uma ideia, uma situação. Já parou para imaginar o mundo como vivemos sem a escrita? Existiríamos até aqui?  Seríamos, muito provavelmente, um dos muitos elos perdidos como são os nossos antepassados de antes ou sem a escrita, aqueles que pouca coisa conhecemos e o pouco que conhecemos são de longas suposições.  Vejo a escrita como capaz de construir e erguer o universo que ...

Chinatown, de Roman Polanski

Imagem
Em vez do preto-e-branco típico do noir , a fotografia em tons alaranjados não esconde a cinzenta visão de mundo do diretor O detetive J.J. Gittes (Jack Nicholson) é colocado no centro de uma trama gigantesca envolvendo boa parte dos homens poderosos de Los Angeles nos anos de 1930. Na trama, seu bom humor e sua malandragem contratam com a maldade assumida dos demais personagens, bem ao estilo do pessimismo moral que caracteriza o universo cinematográfico do polonês Roman Polanski. Conforme a história é esclarecida, percebe-se que o crime investigado é apenas mais um de tantos desvios de conduta de todos os envolvidos e que nenhum dos suspeitos parece realmente inocente. Com seus antecessores na tradição do cinema noir, o detetive é um solitário que esbarra num mundo podre e normalmente sem solução. Gittes parece lidar bem com isso. Quando perguntado se ele está sozinho, responde com uma pergunta: "Esta não é a situação de todos?" Não só sobrevive no centro da podr...

Duas notas entre o geral e o particular

Imagem
Por Pedro Fernandes Oscar 2009 As principais premiações cinema em 2009 parecem inaugurar novos rumos para os filmes produzidos em Hollywood. O favoritismo da mega produção de O curioso caso de Benjamin Button , de David Fincher, desbancado pela simplicidade da produção de Quem quer ser um milionário , de Denny Boyle, reflete várias questões na indústria do cinema. Uma, parece ser a respeito do modo de fazer cinema, apesar de que essa questão que vou apontar ser uma tônica noutras premiações da Academia: não é necessário ser dono de uma gorda conta para se produzir bons filmes. E, outra, que está para além da forma de fazer cinema, que é o reconhecimento, enfim, da real maior indústria cinematográfica do mundo - a indiana. Reconhecimento ou provocação. Fica a critério de quem julgar. E, em linhas gerais, e talvez seja este o fator verdadeiro: o interesse hollywoodiano de expandir para além das fronteiras a que sempre esteve preso. Afinal de contas, o Oscar 2009 agraciou mais aos que...

o tempo

Imagem
Patrick Proktor. Matamos o tempo e o tempo nos enterra. (Machado de Assis) martelava o tempo tique-taque tique-taque tique-taque enxerguei-me escravo do tempo tique-taque tique-taque tique-taque quase tive um ataque! tique-taque tique-taque tique-taque matamos o tempo tique-taque tique-taque tique-taque o tempo nos enterra tique-taque tique-taque tique- taque tique-taque tique-taque * Acesse  o e-book  Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.