Postagens

Cegueira - um ensaio, de Fernando Meirelles

Imagem
Cegueira - um ensaio , de Fernando Meirelles. Foto de Alexandre Ermel e Ken Woroner para o livro. Ao espectador comum, os muitos fatores envolvidos na produção de um filme costumam passar despercebidos. Da elaboração do roteiro, passando pela escolha do elenco, até minúcias de ordem técnica, tudo fica oculto quando se assiste ao resultado final. O livro Cegueira - um ensaio , de Fernando Meirelles, é uma rara oportunidade de olhar por dentro os bastidores de um longa-metragem. O livro foi idealizado por Silvinha Meirelles, irmã do cineasta, a partir do conjunto de textos publicados por ele num blog no período quando trabalhava na produção e filmagem de Blindness , obra feita a partir do romance  Ensaio sobre a cegueira , de José Saramago. O resultado do livro agora publicado é belíssimo. O leitor tem contato não apenas com os bastidores, mas com as confidências do diretor; seus textos ora mostram as dúvidas, as inseguranças, as decisões e as lições aprendidas no s...

Roald Dahl

Imagem
Por Donald Sturrock 19 de setembro de 1940. Um pequeno caça monomotor biplano da Força Real Aérea Britânica (RAF) se dirige ao sudoeste atravessando o deserto da Líbia. Os últimos raios do entardecer iluminam a areia com um intenso brilho avermelhado. O piloto está sobrevoando a superfície. Tentando juntar-se com seu esquadrão, mas não consegue localizar a pista de pouso camuflada. Seu tanque de nafta está quase vazio e logo será noite. Só resta uma alternativa possível – uma aterrissagem forçada. Com desespero, passa à baixa altura sobre um solo rugoso, buscando uma área lisa para pousar. Mas não aparece nenhum lugar propício. O sol desaparece por trás do horizonte e ele decide arriscar-se, reduzindo a marcha e descendo a uns 80 p, rezando para que as rodas não batam contra alguma pedra. Mas a sorte não está do seu lado. O trem de pouso bate numa pedra e o avião cai no mesmo instante, com o nariz enterrado na areia. Com a impulsão violenta, o piloto choca-se contra o...

Benjamim, de Chico Buarque

Imagem
Por Pedro Fernandes Benjamim integra, em 2006, o ciclo dos quatro romances escritos por Chico Buarque. Ou seja, é o segundo dessa leva de escritos, já que o escritor publicara antes apenas Estorvo , em 1991. Trata-se de romance que poderíamos adjetivar como “dobrado”, no sentido de que, são as ações e a vida de personagens do presente constantemente invadidas por projeções do passado. O protagonista desse romance integra a galeria dos desgraçados e perturbados consigo próprio; é invadido o tempo inteiro por uma corrente de culpa que aponta-lhe inquisitorialmente o dedo. Digo isso, porque lembro-me agora de sua perturbação pela morte de uma tal Castana, que fora, no passado, uma namorada de Benjamim e que morrera fuzilada. A projeção passado-presente se instala quando entra no romance e, consequentemente, na vida dessa personagem, Ariela Masé, que, de início se é confundida com filha daquela namorada do passado. Ariela será a responsável, com todas as letras, para uma remodel...

João Gilberto Noll vem ao Festival Literário da Pipa

Imagem
Um rápido passeio pela web  vai dar ao leitor as seguintes informações sobre o escritor João Gilberto Noll: ele nasceu em 1946 na cidade de Porto Alegre (RS). Em 1969, após ter abandonado o Curso de Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar como jornalista nos jornais Última Hora e Folha da Manhã . Em 1970, publicou seu primeiro conto na antologia Roda de Fogo , organizada por Carlos Jorge Appel, de Porto Alegre. Em 1970 mudou-se para São Paulo, retornando ao Rio em 1971. A partir de 1974, voltou aos estudos de Letras e passou a lecionar no Curso de Comunicação na PUC do Rio de Janeiro. Em 1980, publicou seu primeiro livro, O  c ego e a dançarina . A partir daí começou a acumular prêmios, como o Revelação do Ano, da Associação Paulista de Críticos de Arte; Ficção do Ano, do Instituto Nacional do Livro e o Prêmio Jabuti. Noll é um autor prolífico. De 1981 a 2010 já publicou A fúria do  c orpo ,...

Um depoimento biográfico sobre Leontino Filho

Imagem
Por Pedro Fernandes Conheci Leontino Filho quando do primeiro dia de aula na cadeira de Teoria da Literatura I, no curso de Letras, na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. No semestre seguinte, reencontro-o na cadeira de Teoria da Literatura II. E, no fim da graduação, o curso de Literatura Potiguar. Mas, no intervalo desses quatro anos de convivência acadêmica foi-me ainda orientador de meu trabalho de fim de curso e das atividades de monitoria por dois semestres nas Teorias . Essa figura é a do professor que se completa com a do crítico literário autor de Sob o signo de Lumiar: uma leitura da trilogia de Sérgio Campos e Lavoura arcaica: o narrador solto no meio do mundo . O primeiro trabalho resultado do Mestrado em Estudos da Linguagem na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o segundo do Doutorado em Estudos Literários na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Os dois primeiros papéis não são exercitados isoladamente, visto que a...

As obras de Brecht no cinema

Imagem
A relação do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) com o cinema vai além das inúmeras adaptações que foram feitas de sua Ópera dos Três Vinténs desde quando Pabst dirigiu sua primeira versão, em 1931, e da influência que exerceu sobre cineastas como Rainer Werner Fassbinder e o dinamarquês Lars von Trier. Para quem ainda desconhece como essa relação começou, a Versátil Home Vídeo colocou no mercado uma caixa com os primeiros trabalhos de Brecht no cinema, desde sua estreia, em 1923, dirigindo o ator Karl Valentin em Os Mistérios de Uma Barbearia (1923), ao clássico dirigido pelo alemão Fritz Lang no exílio americano, Os Carrascos Também Morrem (1943). A caixa de Brecht traz ainda um premiado documentário com imagens raras e entrevistas do dramaturgo. Dirigido por Joachim Lang há quatro anos, A Vida de Bertolt Brecht é uma introdução valiosa ao pensamento de um homem que representou para teatro o que Einstein foi para ciência e Chaplin para o cinema. Aliás, ...