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Charles Perrault: o lado secreto e obscuro dos contos infantis

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Charles Perrault por Lallemant Philippe (detalhe) Nascemos acreditando que a Chapeuzinho vermelho foi salva por um caçador de ser devorada pelo logo, mas há uma versão sobre o destino da popular menina dos contos infantis anterior que nossa geração não conheceu (leia no fim deste texto). Nela, na versão anterior escrita pelo francês Charles Perrault, a pobre menina termina devorada pelo lodo sem outro desfecho. Charles Perrault nasceu em 12 de janeiro em 1628. É o autor da versão original de muitos contos populares que a posteridade (e em muitos casos por culta de Walt Disney) tratou de adoçá-los.  “Chapeuzinho vermelho” não é o único caso. Tomemos, por exemplo, “Cinderela”. A versão popularizada da história pelos estúdios Disney fez feliz a humilde donzela que, pese o desprezo e maltrato sofrido por parte de suas meias-irmãs, terminava eleita pelo bonito príncipe para casar-se com ela. Se na animação as meias-irmãs da Cinderela simplesmente são castigadas por su...

História do cerco de Lisboa, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes Edição de bolso recém publicada pela Companhia das Letras para História do cerco de Lisboa De braços levantados, com a corda que os ajudara a descer posta em redor do pescoço como sinal de sujeição e obediência, caminharam para o arraial, ao mesmo tempo que davam altas vozes, Baptismo, baptismo, acreditando na virtude salvadora duma palavra que até aí, firmes na sua fé, haviam detestado. De longe, vendo aqueles mouros rendidos, julgaram os portugueses que viessem negociar a própria rendição da cidade, embora lhes parecesse raro que não tivessem aberto as portas para eles saírem num obedecido ao protocolo militar prescrito para estas situações, e sobretudo, aproximando-se mais os supostos emissários, tornava-se notório, pelo esfarrapado e sujidade das roupas, que não se tratava de gente principal. Mas quando finalmente foi compreendido o que eles pretendiam, não tem descrição o furor, a sanha dementada dos soldados, baste dizer que em línguas, nariz...

A poesia de Wisława Szymborska está mais viva que nunca

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Wisława Szymborska. Foto: Kino Koszyk Quando Wisława Szymborska ganhou o Prêmio Nobel em 1996, demos conta de que não se sabíamos nada de sua vida; tampouco de sua obra. Uma das vias, no Brasil, encontra-se em fase de despertar. Há uma antologia de poemas da autora por aqui publicada. Mas, esse desconhecimento sobre a poeta não é algo exclusivo do nosso país; ela própria, aliás, terá contribuído para o seu não populismo . A Szymborska nunca lhe interessou aparições – eis uma das razões porque seu nome e sua obra ainda são incógnitas em redutos como o nosso. Para se ter uma dimensão disso, basta lembrar que até 1989, a poeta só havia concedido duas entrevistas. Número que não terá ampliado desde quando ingressou num universo de celebridades que o lugar de todo escritor quando recebe o maior galardão da literatura. Szymborska não gosta das perguntas comuns dos jornalistas e sempre diz que tudo o que queria dizer estava em sua poesia; além dela, não havia nada mais o que dizer. ...

A amável anfitriã, presa na linguagem

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Por Marcelo Ohen Alice B. Toklas e Gertrude Stein Estadunidense do leste, intuitiva e pragmática, Gertrude Stein chegou a Paris no início do século XX para converter-se numa das primeiras compradoras de pinturas de Cézanne, Matisse, Juan Gris e Pablo Picasso. Provavelmente sua estranha sensibilidade lhe disse que algo muito importante estava acontecendo na arte por obra desses homens então pendidos para a audácia de marchands de segunda categoria. No início não deixou de ser insólito que uma estadunidense de aspecto rude como o de uma camponesa adquirisse aquelas obras e se interessasse por conhecer seus autores. Mas, o fato era que Miss Stein não só apreciava corretamente as pinturas que alguns especialistas franceses queriam destruir, mas além de tudo possuía uma fascinante personalidade. De modo que não passou muito tempo para que seu estúdio na Rue de Fleurus – metade museu da revolução cubista, metade sala de tertúlias se convertesse num ponto habitual de reuniã...

Poetas na web

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Faltava isso mesmo. Quando criei o caderno-revista 7faces , pensei num formato inicial de dá suporte a uma rede que congregasse o maior número de vozes poéticas. A coisa não foi adiante porque esse era um projeto que demandaria tempo, mão de obra e dinheiro, três coisas escassas para mim. Mas, eis que do outro lado do Atlântico alguém teve a mesma ideia que eu tive. E se apresenta na web o primeira rede social para poetas.  Surge com o objetivo de incentivo à leitura, à escrita e a troca de poesias. Dirigida por Guillermo Spottorno, a plataforma é um meio de comunicação cultural especializado em poesia, que conta com informações atualizadas, agenda cultural e concursos. Entre os destaques, o serviço oferece sessões específicas, divididas em: poetas, editoras, livrarias, fundações, eventos e novas publicações, além de ser um espaço dedicado ainda ao universo multimídia e aos diferentes canais da Web 2.0. A nova ferramenta pretende conectar toda comunidade d...

Miacontear - Peixe para Eulália

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Por Pedro Fernandes Reiterando o tom do maravilhoso, Mia Couto engendra em “Peixe para Eulália” uma narrativa cujo foco está em Sinhorito - um doido de um vilarejo dado a formulações sobre o futuro e logo matéria de galhofa para os habitantes do lugar.  A única pessoa, por se sentir tão solitária e à margem social quanto Sinhorito, a depositar atenção nesse homem, é Eulália, funcionária dos correios. É numa grande seca que os do vilarejo inventam de se 'aconselhar' com Sinhorito, ainda que seja para levar o amalucado na troça por suas formulações. Mais tarde o aparecimento de uma doença em Eulália pela escassez do tempo leva Sinhorito a inventariar não mais uma formulação, mas uma atitude: iria de barco ter no céu para mandar chuva à terra em favor de Eulália. Esse gesto é de uma sensibilidade tão aguçada que não perde para outros momentos desses desenvolvidos em vários outros contos de  O fio das missangas .  O fato é que pela força da imaginação, capaz esta ...