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Cantigas de um velho tempo para um novo tempo

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Cancioneiro da Ajuda. Iluminura "Nobre, jogral com cítola, executante de pandeiro redondo com soalhas exteriores" Fonte:  Projeto Cantigas Medievais Galego-Portuguesas Nota:  Revirando algumas coisas que guardo anotadas desde meu período de Graduação em Letras, encontrei um texto que rabisquei sobre a importância de se estudar as cantigas trovadorescas. Os rabiscos foram feitos no fim do curso de Literatura Portuguesa I. A ideia é boa, mas o texto é ruim ao ponto de não merecer uma publicação. Quem sabe com a experiência (cambaleante) que tenho hoje com o verbo escrito venha a escrever esse texto, de verdade, e mandá-lo a algum jornal. Fica, entretanto, na ideia. Mas, veja bem, não introduzi esta post com essa historieta para falar dos malogros com esse texto, mas sim porque faz uns vinte dias que tenho explorado um projeto virtual inédito e digno de ser comentado e noticiado em quaisquer pedaço de pergaminho, em papel ou online (Pedro Fernandes). Trata...

“Angústia”, de Graciliano Ramos, por Antonio Candido

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Frontispício da 2ª edição de  Angústia , de Graciliano Ramos. A 1ª edição foi também publicada pela José Olympio Editora e quando o seu autor estava preso pelo regime de Getúlio Vargas.  Comparado a  Crime e Castigo , de Dostoiévski, o romance ganhou, em 2011, uma edição especial e um ciclo de debates em torno da obra que encerrou  em outubro desse ano. O motivo é que  Angústia , de Graciliano Ramos fez 75 anos.  A primeira edição foi lançada, portanto, em 1936, pela Editora José Olympio e é o terceiro romance do autor de Vidas secas . O ano e a obra são singulares: primeiro, Graciliano estava preso pelo regime ditatorial de Getúlio Vargas e segundo, o romance deixa-se (inevitavelmente) se levar por esse ambiente, estando nele visível a situação do autor com esse contexto, situação que deve ter sido a de muitos brasileiros que sofreram perseguições pela Ditadura. A data de 75 anos do romance não foi esquecida e o grupo editorial Record lançou uma ed...

Feliz Ano Novo

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É sabido de todos que Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema que a essa época do ano costuma circular às pampas e que se chama  “ Receita de Ano Novo ” . O Letras in.verso e re.verso mesmo no cartão de Ano Novo de 2010 se utilizou de alguns versos. Esse ano, entretanto, quis  fazer algo que diferisse desse lugar-comum, mas sem perder o autor de A rosa do povo de vista.  É aí que me deparo com  “ Poemas de Dezembro ” , publicado na página do escritor mineiro no Projeto Releituras. Em 1963 Lázaro Barreto mandou para  o poeta um exemplar de seu livro Contos do Apocalipse Clube , já que estava dando seus primeiros passos no mundo das letras. Tocado pela situação de Barreto, que à época residia em uma pequena cidade mineira, Marilândia, Drummond, bem ao seu estilo, lhe escreve comentando a obra e começa uma troca de correspondências com o iniciante que durou mais de 20 anos. Os dois jamais se ...

O silêncio da água, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes Como aquele  A maior flor do mundo , que foi, inicialmente uma crônica e depois virou um conto infantil, organiza-se, agora  O silêncio da água , um conto infantil oriundo de um fragmento do romance  As pequenas memórias . Antecipo, entretanto, que essa caracterização de “infantil” é um tanto quanto discutível por natureza, mas mais ainda em José Saramago, que considera algumas separações um tanto quanto caducas e pensa nas crianças como sujeitos com capacidades tanto quanto de adultas para lerem sobre determinados assuntos e determinadas histórias em determinados formatos. E mais: que os adultos padecem de uma necessidade de ler tais histórias, para, lendo-as, possam se reencontrar com a criança que um dia foram e, nesse movimento, se redescobrirem, inclusive, enquanto adultos. E  O silêncio da água  está aí como prova disso. Nasce de um romance em que o exercício da escrita – nesse caso, memorialístico – é o de uma volt...

Guerra e Paz, de Tolstói

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Vista lateral de Guerra e paz publicado pela Cosac Naify em tradução direta do russo para o português feita por Rubens Figueiredo. A obra também traz um texto de apresentação do escritor. É sim um grande romance – em todos os sentidos. No tema, na forma e na dimensão do enredo, 2 536 páginas. É mais um objeto de desejo construído pela Cosac Naify e que chega ao Brasil, pela primeira vez, em tradução direta do russo para o português. O trabalho conduzido pelo escritor/tradutor Rubens Figueiredo levou três anos para concluí-lo. Agora, fazer o design de um livro nessas dimensões é coisa para poucos. Ou, coisa para a Cosac Naify. Em texto de Elaine Ramos, responsável pela arte da casa editorial, publicado no blog da Cosac, registra-se que a dificuldade foi fazer um livro desse porte se tornar um convite à leitura.  A inspiração veio olhando para as edições de bíblias – que conseguem condensar suas páginas em grandes volumes compactos e flexíveis; a partir daí, ...

José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes

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Por Pedro Fernandes “Todos os tempos tiveram coisas boas; todos os tempos tiveram coisas más; mas como comunidade a espécie humana é um desastre. É um desastre. Então, é muito difícil dizer que todo o tempo passado foi melhor. Medo? Nada... Nada... Não... não... Não gosto nada, claro, evidentemente. E agora que, enfim, com a idade que tenho... Então, digamos, que já está claro que, que a porta de saída já está aí... Não, não tenho medo da... Medo, não. Há uma coisa de que, realmente, não gosto nada, que é quando se diz: Ah, estar vivo, morrer, e tudo isso... Para mim, a morte é... Não sei o que será depois... Ou, no momento em que estiver a morrer... como o entenderei... Mas, para mim, a morte, neste momento, é a diferença entre ter estado e já não estar. Isso é que... Isso, realmente, é o que me chateia muitíssimo...” É com este depoimento para uma emissora, que se abre o documentário José e Pilar – obra-prima, já me adianto, que põe o telespectador-leitor próximo ...