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450 anos da lírica de Luís de Camões

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Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; Este talvez seja os versos mais conhecidos e citados de cor pelos usuários da língua portuguesa. São únicos na poesia lírica de Camões, únicos no cenário universal da poesia, únicos na forma como expressa o sentimento amoroso – esse que é o centro temático da poesia do tipo e também um dos temas mais perseguidos nas literaturas. Estes versos são também representativos de uma produção literária menos conhecida do poeta d’ Os lusíadas . Sim, porque ao se falar em Camões, é evidente que antes desses versos poderão vir os versos iniciais da epopeia ou a citação do texto como representativo de sua literatura. O primeiro texto dos que integram essa produção menos conhecida do poeta, “Ode ao Conde de Redondo”,   cumpre neste 2013, 450 anos de sua publicação. Trata-se, como expressa o título, de uma ode dedicada ao Conde de Redondo...

o remorso de baltazar serapião, de valter hugo mãe

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Por Pedro Fernandes Este livro de valter hugo mãe é o segundo trabalho do escritor no gênero romance e pertence à safra dos trabalhos escritos em minúscula desde o nome do autor – condição que será abandonada mais tarde por admitir o escritor ser esta uma forma que estava se tornando clichê para sua literatura. Trata-se de um romance que nasce sob as bênçãos do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, que o considerou “tsunami literário”; por essa razão é que o remorso de batalzar serapião foi ganhador de uma das primeiras edições do Prêmio José Saramago. Na mesma ocasião em que declarou ser este um tsunami literário, declarou também Saramago, está tomado, enquanto o lia da impressão de que estava a assistir “um novo parto da língua portuguesa”. As duas expressões podem ter um tanto do exagero comum quando nos desfazemos em elogios a determinado trabalho que de imediato muito nos toca, mas terá suas razões para serem ditas da forma como foram ditas: o livro de Mãe é um rico...

A lista de leitura de Allen Ginsberg

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“Argh, vocês são todos amadores num universo profissional!” – bradou Allen Ginsberg para os jovens de uma turma de aspirantes a poetas, em 1977, no Jack Kerouac School of Disembodied Poetics. Na ocasião, a maioria dos alunos não se inscreveu nas atividades de meditação direcionadas pelo curso. A história é contada por Steve Silberman, que na época tinha 19 anos de idade e era um dos alunos que estavam no curso de verão ministrado por Ginsberg. Três anos antes, Ginsberg e a também poeta Anne Waldman apresentou a proposta da Jack Kerouac School ao Naropa Institute (hoje Naropa University), em Boulder, Colorado. O Instituto, fundado pelo mestre tibetano Chögyam Trungpa Rinpoche, foi inspirado nos antigos centros de aprendizagem budistas da Índia e descrito por Waldman e o poeta Andrew Schelling como “mosteiro à parte, faculdade, salão de convenções ou laboratório de alquimia”. Criada com a missão de promover não apenas iniciação ao budismo, mas cursos na área de artes, psic...

Boletim Letras 360º #16

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Nesta semana, o Letras em parceria com a Parábola Editorial entregou mais dois brindes: dois exemplares do Professor Moita Lopes. E já estamos cá no mês de junho. Aproveitemos o fim de semana para atualizar as leituras e, claro, saber o que foi notícia esta semana na nossa linha do tempo em nossa página do Facebook, ponto de encontro diário. T. S. Eliot e Virginia Woolf. Nesse boletim duas novidades: uma relacionada a essa foto - Woolf parece anoréxica? Segunda-feira, 03/06 >>> Brasil: Divulgado o trailer para o filme Flores raras O cineasta Bruno Barreto chega aos seu 19º longa-metragem com Flores Raras . O filme acaba de ter seu trailer divulgado. Baseada em uma história real, a produção narra o amor entre a poeta inglesa Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires). As duas se conheceram no Rio de Janeiro da década de 1950, época em que a Bossa Nova dava seus primeiros passos. Elizabeth não se estabelecia e ...

O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

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Por Roberta Fabbri Viscardi* A história pessoal de F. Scott Fitzgerald refletiu a história de seu tempo. O autor obteve sucesso e fama incomparáveis na década de 1920, viu-se na obscuridade durante a Depressão dos anos 1930 — quando obteve o famoso colapso nervoso que relatou nos ensaios batizados de Crack Up  — e faleceu em 1940, aos 44 anos. Quando sua morte foi divulgada, Fitzgerald estava totalmente fora de catálogo e praticamente esquecido. Ele não havia publicado um livro em 5 anos, e apenas 72 cópias de suas 9 obras foram vendidas durante seu último ano de vida. Seus contemporâneos foram pegos de surpresa ao verem seu obituário estampado nos jornais, mas não devido à morte prematura. Muitas pessoas acreditavam, na verdade, que o autor estava morto há muito tempo. A década de 1920, descrita por Fitzgerald em seu texto retrospectivo “Ecos da Era do Jazz”, publicado em 1931, “foi uma era de milagres, foi uma era de arte, foi uma era de excessos e foi uma ...

Adeus, minha rainha, de Beonît Jacquot

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Maria Antonieta ocupa para a história francesa posição semelhante à de Cleópatra na história universal. Não pelo modo de vida que levou as duas personagens, mas pela fama que alcançaram a partir do poder que acumularam. Se podemos destacar duas características em comum a elas decidamos pelo luxo e a extravagância. Tanto uma como a outra já tiveram suas biografias imortalizadas para o cinema. A rainha francesa, por exemplo, teve um filme em 2006, escrito e dirigido por Sofia Coppola com Kirsten Dunst no papel principal. Aqui, encontramos ainda com a princesa recém-chegada da Áustria para se casar o príncipe francês Luis XVI como parte de um acordo entre os dois países – coisa comum na época para as monarquias. Agora, em 2011, Beonît Jacquot volta aos tempos áureos (quer dizer não tão áureos e já saberemos o porquê) para reforçar a imagem complexa da figura histórica. Se, no filme de Sofia, a vida de luxo e de festas da princesa no universo distante de Paris, em Versalhes, n...