Postagens

Camille Claudel 1915, de Bruno Dumont

Imagem
Camille Claudel (Fère-en-Tardenois, 1864-Montdevergues, 1943), a escultura amante de Auguste Rodin que enlouqueceu por amor, a aluna cujo talento foi manipulado por seu mestre, a bela abandonada e humilhada, a mulher artista chutada pelos poderes masculinos; em definitivo, uma das forjadoras modernas desse arquétipo do feminino orgulhoso, romântico e cruel, da charmosa perturbada. Isabelle Adjani rendeu-se em 1989 ao personagem e o encarnou junto com Gérard Depardieu no filme de Bruno Nuytten Camille Claudel e agora é outra rainha do cinema europeu, Juliette Binoche, quem se aproxima com a lenda da artista em Camille Claudel 1915 , escrita e dirigida por Bruno Dumont. Até aí há as coincidências entre um e outro filme. A de Binoche de Dumont, minimalista e atroz, se detém num ponto sem retorno: o primeiro ano de encarceramento da escultora no manicômio de Montdevergue, próximo de Aviñón, de onde jamais sairia. “Com 16 anos li uma biografia sua que me tocou profundamente que ...

O segundo sexo, de Simone de Beauvoir

Imagem
Por Rafael Kafka Simone de Beauvoir ficou mais conhecida em sua vida pessoal pelo incrível relacionamento de amor livre que manteve com Jean-Paul Sartre durante 50 anos, sendo interrompido apenas com a morte do mentor do existencialismo ateu em 1980. Em sua vida de escritora, ficou popular devido às autobiografias escritas contando relatos ligados a todas as fases de sua longa vida: Memórias de uma moça bem comportada , A força da idade , A força das coisas e Balanço final perpassam toda a vida pessoal, profissional, política e acadêmica de Simone mostrando a força de uma mulher livre, querendo romper os limites de sua formação católica e burguesa a qual sempre tentou frear os ímpetos de Simone, mas nunca conseguiu. A vida de Simone está muito presente em seus textos. Além das autobiografias citadas acima, vemos elementos autobiográficos em diversas obras suas sob a forma de romances: A convidada e Os mandarins são os textos mais significativos no sentido de mostr...

Livro do Desassossego: o romance possível (var.: impossível)

Imagem
Por Richard Zenith Cena do Filme do desassossego . Citamos o Livro do Desassossego como se fosse um tesouro de frases geniais, um compêndio de ideias, ora mais ora menos desenvolvidas, uma miscelânea de fragmentos avulsos. E é natural que o encaremos desta maneira, pois corresponde ao estado em que efectivamente foi deixado. Em boa verdade, mesmo que Pessoa tivesse revisto e organizado o Livro , e por mais que o tivesse domado e domesticado, seria sempre uma obra constituída por fragmentos. Isso nada tem a ver com um projecto putativamente modernista de pôr em causa o livro enquanto formato literário. Muito menos se deve à impossibilidade de encontrar uma forma adequada para ele. Pessoa encontrou-a logo no início. O fragmento – aliás, umas centenas de textos de variado tamanho e relativa autonomia a que chamamos fragmentos – é precisamente a forma que lhe convinha, dado o livro ser narrado por alguém cujo estado de alma é um devaneio permanente. Não é que o narrador ...

O Livro de Cesário Verde – Cesário Verde (Parte II)

Imagem
Por Pedro Belo Clara Se o caro leitor bem se recorda, na primeira parte deste artigo ( leia aqui ) foram abordadas as principais características da temática de Cesário Verde, o mais proeminente poeta parnasiano português. De entre elas, foi sublinhada a constante dicotomia entre o campo e a cidade, o principal aspecto antagónico da obra deste autor. Mas será ele caso único? De todo. Curiosamente, o génio criativo do poeta aplica essa mesma dualidade aos alvos de suas paixões. Desenterrando os antigos conceitos de “ Mulher-Anjo ” e de “ Mulher-Demónio ”, tão presentes na poesia medieval europeia, adapta-os às diferentes realidades circundantes, fazendo nascer três distintos tipos de mulher: a campestre , a citadina e a do povo . Assim, facilmente se depreende que a mulher do campo é, por aquilo que os bucólicos cenários representavam para o poeta, a mulher tipicamente angelical, tímida, singela, dona de uma beleza bem peculiar e natural. É também frequente adaptar, à sua ...

Boletim Letras 360º #41

Imagem
Já estamos um ano mais velho. Aumentam responsabilidades, é óbvio; mas estamos buscando ainda rejuvenescer. Fizemos alguns ajustes no blog. Os que nos conheciam de antes, já perceberam que tudo está, como dissemos outro dia no Facebook, mais clean . E tivemos a estreia nesta semana de mais um colunista: Cesar Kiraly, ensaísta, poeta, professor.  Por falar em aniversário, a nossa promoção como celebração pela data foi um sucesso! 145 inscritos. Mas, uma pena, seis sorteados. Quiséramos ter dinheiro para presentear todos os 145 com um livro. Todos os vencedores já foram contatados pelo e-mail cadastrado na promoção e começarão, à medida que nos responder esse contato, a receber seus brindes.  Outra novidade acompanhada ao visu clean é que todas as publicações de catálogos editados pelo blog estão agora num só lugar. Vale conferir o novo menu que colocamos por acima: Biblioteca. E, claro, aproveite! Sem mais delongas, vamos ao que foi notícia esta semana em nossa página no Face...