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No mundo de Alice: “O amor de uma boa mulher” e um Nobel indiscutível

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Por Alfredo Monte   “Uma escolha fluida, a escolha da fantasia, é derramada no chão e endurece instantaneamente: adquiriu seu formato inegável…”   — Em “As crianças ficam”, de Alice Munro Ninguém pode se queixar, desta vez, de que o Nobel tenha contemplado um autor “obscuro”, de algum país praticamente desconhecido, e do qual não há traduções circulando.  No Brasil, por exemplo, foram publicados até agora quatro títulos de Alice Munro:  Ódio, amizade, namoro, amor, casamento ;  Fugitiva ; Felicidade demais  e  O amor de uma boa mulher , 1 este último editado em 2013, embora mais antigo que os demais: foi lançado originalmente em 1998.   São oito histórias que demonstram como é indiscutível a escolha de um dos nomes mais extraordinários da literatura contemporânea. Quem não conheça o universo dessa canadense octogenária poderá estranhar, ao começar a leitura do conto-título, que abre o volume, o andamento do relato: em 1951, três meninos (Bu...

Tentativas em torno da poesia de Ida Vitale

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Por Pedro Fernandes Ida Vitale. As palavras são nômades; a má poesia as torna sedentárias . O vasto universo da internet oferece algumas permissões. A minha curiosidade por encontrar nomes ainda guardados naquele instante meia-luz nasceu nos corredores de bibliotecas e se prolongou nos labirintos da web . E, por esses dias, pesquisava sobre importantes nomes de poetas da literatura latino-americana. O buscador me retornou uma variedade de figuras de alguma maneira conhecidas entre nós. Mas, uma me chamou a atenção. Dela, só encontrei de melhor segurança, alguns poucos poemas em língua portuguesa no excelente site do Antonio Miranda, nascido alguns anos antes deste pequeno blog que conduzo e que reúne uma rica variedade de trabalhos de poetas de várias partes do mundo.   Chama-se Ida Vitale. Nasceu no dia 2 de novembro de 1923, em Montevidéu. É poeta, tradutora, ensaísta, professora e crítica literária integrante da chamada Geração de 45 no seu país natal, da qual formam parte nomes...

Frances Ha, de Noah Baumbach

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Parece que já não temos muito o que inventar em territórios de sétima arte; já usamos de tantos artifícios que não nos resta mais alguma possibilidade perdida. Nesse fim de linha – expressão usada aqui apenas por força de modo – o que resta ainda é voltar aos artifícios já inventados a fim de ressignificá-los e, quem sabe daí, não nos dê a sorte de criar coisa que valha. Persistente à minha maneira, acho que o cinema há que apostar sempre naquilo que antes de tudo o constitui como arte, não perder a capacidade de contar de histórias; um cineasta crente nesse artifício poderá revolucionar a arte sem necessariamente mexer com a forma, mas mesmo assim estará produzindo um trabalho de igual poder revolucionário. Essa constatação, compreenda, não é gratuita; chega-me pelas lentes das melhores produções contemporâneas – e mesmo através daquelas mais antigas. Quando abre-se a câmera para apresentar ao telespectador a personagem principal que dá nome ao filme, tem-se logo a impressã...

Bertolt Brecht no banco dos réus

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Poeta, dramaturgo e teórico, Bertolt Brecht autor de obras famosas como Ópera dos três vinténs (1928) e Mãe coragem e seus filhos (1938) nunca negou ser um marxista comprometido. Propôs um novo teatro para quebrar o que via como confortável às convenções da classe média, tanto o drama trágico como o realista. Sua teoria do teatro épico subjacente à sua prática firmou-se como uma tentativa de chocar o público complacente com o que chamou de Verfremdungseffekt (estranhamento ou efeito de distanciamento). A enorme influência de Brecht é sentido não só na Europa, mas também fora do continente, como nos Estados Unidos, onde se estabeleceu por um tempo curto, juntamente com muitos outros artistas e intelectuais alemães que fugiam da perseguição nazista. Em 1943, colaboraram com Brecht os companheiros também exilados Fritz Lang e o compositor Hanns Eisler para um filme Os carrascos também morrem , seu único roteiro produzido para Hollywood, vagamente baseado no assassinato do nú...

Boletim Letras 360º #46

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Já vão 75 anos do clássico tantas vezes adaptado para o cinema. Uma exposição nos Estados Unidos relembra a primeira montagem de O mágico de Oz. Só mais uma semana e já acaba esse jejum. Para a próxima semana ainda teremos algumas postagens – remanescentes de 2013. Vê este boletim, com perna no antigo ano e a outra no novo? E a pergunta volta: quanto tempo leva para a morte definitiva de um ano? Talvez não haja tempo e seja todo o tempo do mundo; que os anos não se entregam uns aos outros de mão beijada, mas se entrelaçam e formam um só tempo comum. Para a semana de estreia, prever-se promoções já novas – só para por os ânimos à espreita. Que ainda seguimos com nossa retrospectiva e tudo o que foi o melhor de 2013. Aí segue mais uma edição do nosso BO 360º: Segunda-feira, 30/12/13 >>> Inglaterra: Filme que narra a relação extraconjugal do escritor britânico Charles Dickens com uma mulher mais jovem estreia em fevereiro É o primeiro título sob di...

Os 10+ de 2013

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Por Pedro Fernandes Este instante é o mais o pessoal de todos os instantes que por aqui estou. O blog, em 2013, iniciou um processo de expansão, dada a grande visibilidade e ao aumento das responsabilidades, evidentemente, com este público que por aqui circula. Mesmo nas ocasiões em que providencio leituras sobre livros e filmes, por exemplo, busco sempre ocupar um lugar crítico que embora possa em alguma passagem se confundir com o lugar pessoal, não é necessariamente uma posição de igual natureza. Do mesmo modo quando estou destilando minhas opiniões sobre determinada questão; nesse caso, em específico, mesmo que haja um lugar do pessoal a se intrometer, é a posição crítica que busca se estabelecer sobre ela. Como no dia 31 de dezembro de 2012 disse que aquele ano havia sido um ano intenso, volto a esse mesmo dito para redizê-lo de igual maneira. A correria para as apresentações de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago – meu livro – que resumo aqui c...