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A adaptação de clássicos da literatura brasileira para a HQ

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A HQ Grande Sertão  (detalhe) 1 Não é a primeira vez que um romance clássico da literatura brasileira tem servido ao gosto dos quadrinistas ao ponto de levá-los à adaptação para a história em quadrinhos. Há, inclusive, editoras que têm trabalhado com a ideia de transpor para o mangá obras consagradas da literatura – proposta, diga-se, de gosto duvidoso, ainda que seja este um gênero que faça a cabeça de muitos leitores. O duvidoso esbarra justamente na compreensão sobre a mutilação do texto original ou no desencontro entre formas de narração. Logo, é preciso esclarecer a diferença entre a HQ e o mangá. Enquanto noutros países se determinou uma expressão que designa toda e qualquer forma da história gráfica com diferenciação apenas entre a narrativa oferecida ao leitor e aquela oferecida no processo de composição da peça cinematográfica ou a storyboard , ao menos no Brasil, cunhou-se outras terminologias cujo sentido é necessário esclarecer, ainda que, n...

Carlos Nejar, o servo da palavra

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Por Neiva Dutra 11 de janeiro marca a data do aniversário de um dos maiores poetas da atualidade: o gaúcho Carlos Nejar. Apesar de não ter a merecida divulgação, sua poesia, que surgiu nos anos sessenta com o título  Sélesis , produz uma sucessão de obras que compõem um universo de coesão, no qual se amplia um círculo que retrata a necessidade humana de explorar o sentido do enigma de seu estar no mundo, da morte como ordenação da vida e da transcendência. A definição da obra de Carlos Nejar é dada por ele próprio no prólogo do livro A idade da aurora . É uma definição que se encaixa para toda a sua poesia quando, parafraseando Walt Whitman, afirma: “Isto não é um livro. Quem o toca, está tocando a aurora”. Carlos Nejar é o nome literário de Luiz Carlos Verzoni; nasceu em Porto Alegre, em 1939.  Formado em Direito, viajou como promotor de justiça pelo interior do Rio Grande do Sul e conheceu, palmo a palmo, o pampa que "avulta na sua visão poética”.  ...

Um outro amor, de Karl Ove Knausgård

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Por Pedro Fernandes “Pela primeira vez em toda a minha vida me senti totalmente feliz. Pela primeira vez em toda a minha vida não havia nada que pudesse obscurecer a alegria que eu sentia. Estávamos juntos o tempo inteiro, nos abraçávamos de repente onde quer que fosse, nos semáforos, por cima das mesas dos restaurantes, nos ônibus, nos parques, não havia nenhuma exigência e nenhuma vontade que não fosse a presença do outro. Eu me sentia totalmente livre, mas apenas quando estava com ela, no instante em que nos separávamos eu começava a sentir saudade. Era estranho, aquelas forças eram muito intensas e muito boas.” O trecho sublinhado está longe de ser o melhor do segundo volume da série Minha Luta, do norueguês Karl Ove Knausgård, mas é, possivelmente o que reúne as condições para justificar o título, ao menos na edição brasileira ( Um outro amor ) e para justificar o paradoxo que tem sido para um leitor que tem tentado envolver-se com uma literatura de cunho mais pro...

Boletim Letras 360º #116

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Cinco dias depois de lançada a pergunta, “qual o seu livro favorito de Agatha Christie”, sorteamos uma edição belíssima da Rainha do Crime, “E não sobrou nenhum”, publicada pela nossa antiga parceira Globo Livros. Ficamos de anunciar para breve mais uma promoção: a enfim com a parceria da página Dicas de Leitura. Ainda não criamos o concurso, mas já sabemos qual livro iremos sortear. No boletim passado deixamos a curiosidade ser resolvida num comentário que a Dicas de Leitura fez numa postagem em nossa página no Facebook. Hoje, revelamos: será a “Antologia poética” de Mário Quintana que será publicada por esses dias pela Alfaguara Brasil. Nós já sorteamos certa vez livros do poeta, mas este será especial, podem ter certeza? A noite estrelada é uma das pinturas mais conhecidas de Van Gogh. Nos 125 anos sem pintor, a Holanda reinventa as formas de apresentá-lo ao público. Conheça uma dessas reinvenções ao longo deste boletim.  Segunda-feira, 04/05 >>> Colômb...

A festa do bode, de Mario Vargas Llosa

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Por Rafael Kafka  A festa do bode é o terceiro livro de Mario Vargas Llosa que leio e o primeiro sobre o qual me decido a escrever. Já lera dele Conversa na catedral e A casa verde e mesmo tendo sido profundamente tocado pelos dois grandes romances, em especial o primeiro, não tive coragem de escrever sobre ambos. O motivo era simples: a grandiosidade do gênio literário que Llosa se mostrou me assombrou. Os enredos das duas obras acima citadas utilizam-se de um processo de construção muito complicado e cheio de artimanhas para prender o leitor. Tendo como mote uma conversa em um bar e uma antiga casa de prostituição, o Prêmio Nobel de 2010 constrói uma série de histórias que se entrelaçam, se cruzam e se remexem numa espécie de quebra-cabeça vivo. São dois ou três focos narrativos contados simultaneamente em tempos diferentes, com recuos e avanços constantes no tempo transformando a ação em algo vertiginoso e multifacetado. Como se não bastasse isso, os temas es...

Praia do futuro, de Karim Aïnouz

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Por Pedro Fernandes Há muito que já não faz mais sentido a expressão: o cinema brasileiro não presta. Talvez o que nos falte é justamente descobrir as boas investidas no gênero, afinal, os grandes conglomerados cinematográficos estão muito presos ao tipo comercial, aquele que tem cobertura pela grande mídia e que às vezes a única aposta feita é a de tentar arrancar à força um riso do espectador com a falsa ideia de ser uma peça de humor. Aquilo que circula no grande circuito é, de fato, muito ruim, com raras exceções.   Aïnouz é nascido em Fortaleza e tem no currículo produções fabulosas como Madame Satã (2002), O céu de Suely (2006) e agora Praia do futuro (2014), uma narrativa que se desenvolve entre Brasil e Alemanha. Nos dois últimos títulos, o cineasta aposta na história simples, sem efeitos mirabolantes; aposta na força da forma de contar e do registro fotográfico. E consegue. Logo, alcança a essência da arte cinematográfica. O filme que teve...