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Memórias de Aldenham House, de Antonio Callado

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Por Pedro Fernandes Este é um romance que coroa a obra de Antonio Callado. A afirmativa não é minha; nem é gratuita. É recorrente nas apresentações sobre Memórias de Aldenham House e justamente por isso deve ter nascido no interior de uma conjuntura na qual tenha sido considerada a leitura integral da obra do escritor. E há uma série de características presentes neste romance que acompanha aquilo que a crítica define acerca de sua literatura, sobretudo a pujança de uma cultura letrada, o forte interesse por colocar em pauta uma preocupação com o Brasil e a América Latina, ser um romance-denúncia ou crítica sobre a cultura e a organização desses grupos de nações solapadas pelo extenso processo de colonização europeia. O livro publicado em 1989 foi o último romance de Antonio Callado que terá ficado reconhecido pelo grandioso Quarup (1967); aqui, o romancista volta a um dos períodos mais conturbados da nossa história: a Ditadura de Getúlio Vargas, a ditadura paraguaia...

Apontamentos sobre alguns textos curtos de Tolstói

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Por Alfredo Monte  1 Tolstói é um autor perigoso para os demais. Sempre que o lemos parece que não se precisa ler mais nenhum outro escritor. Ele parece ser o limite do que pode ser dito e representado através das palavras.  Tomemos como exemplo A morte de Ivan Ilitch  (1886), assustadora reflexão sobre a mortalidade, que está para o século dezenove como A metamorfose , de Kafka, para o vinte.    Mas do que morre Ivan Ilitch? Ele é um juiz, um cidadão que leva sua vida “comme il faut”, isto é, dentro do convencional, do decente, do respeitável, apesar de alguns aborrecimentos domésticos. Um dia, sofre uma queda e machuca a ilharga. A partir daí, desenvolve uma doença misteriosa que lhe provoca dores lancinantes, as quais depois de certo ponto não são aplacadas com ópio nem com morfina. «Por favor, queria te falar, te falar da morte de Ivan Ilitch, da solidão desse homem, desses nadas do dia a dia que vão consumindo a melhor par...

Uma visita à sólida catedral poética de Carlos Drummond de Andrade

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Carlos Drummond de Andrade Carlos Drummond de Andrade parece que teve desde cedo uma consciência muito bem elaborada sobre o exercício da escrita ou mesmo certa segurança sobre o êxito de seu trabalho. Pode ser que isso tenha sido, primeiro, produto de uma intuição alcançada não sem o custo de conhecer muito bem a literatura brasileira e por quais lugares alguém interessado em construir um projeto literário poderia tatear para se estabilizar; segundo, uma extensa preocupação e, sobretudo, zelo com o ofício da palavra, capaz então, de lhe determinar uma consciência lúcida sobre sua obra. Entre as duas observações, de serventia a qualquer interessado na escrita, está a capacidade de acreditar no trabalho e persistir, sem apelos, pela feitura do reconhecimento. Alguém já terá definido que escrever é uma missão e a recompensa vem do empenho por aquilo que faz; claro, não sem uma pitada de sorte pelo caminho. A impressão que fica de Carlos de Drummond de Andrade é ainda a do escr...

A Ilíada, a guerra de todos nós

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Por Guillermo Altares "A apoteose de Homero", de Jean Auguste Dominique, 1827 O deus Zeus idealizou uma estratégia para ajudar aos troianos: enviar um falso sonho de vitória ao líder grego Agamenon, que além de tudo acabava de ter um combate com o herói Aquiles. Não há nada tão destrutivo, tão letal, como a confiança cega em seu próprio triunfo, a crença absoluta na vitória. Essa é uma das muitas histórias universais contidas na Ilíada . Nunca saberemos com segurança quando e como foi composta – os especialistas preferem o verbo “compor” a “escrever” porque não está claro o papel que a escrita teve na sua criação. Sobre seu autor, Homero, que a tradição descreve como um poeta cego, existem mais dúvidas que certezas. Contudo, por aí segue sua obra, ancorada mais do que nunca na memória viva de nossa cultura. Como escreveu Gore Vidal em suas memórias: “Como as diferentes camadas de Troia, onde em algum lugar profundo estão essas cidades amontoadas sobre outras ...

Boletim Letras 360º #135

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Em outubro as livrarias estadunidenses recebem um conjunto de textos inéditos de Truman Capote; escritos ainda antes da fama, a obra deve ser publicada no Brasil em 2016. Mais informações ao longo deste boletim. (1) Muito lentamente (e poderia ser diferente com a quantidade de amigos que nos acompanham) vimos chegar novos rostos em nossa página no Facebook. Nunca é demais agradecê-los! Mas, torcemos para chegar logo aos 20 mil e podermos revelar a surpresa que está pronta desde quando atravessamos mais uma milhar. (2) Já revisamos, dentro de nossas possibilidades, mais de 40% do nosso conteúdo (os serviços feitos são principalmente os de correção de imagens e exclusão de alguns materiais que já não são do interesse do blog). Será que até o nosso aniversário conseguimos rever tudo? Muito difícil! Mas, boa parte, sim. (3) E, temos uma nova colunista! Ela já publicou, inclusive, vários textos conosco, mas está oficializada no nosso time e estreia até o final de setembro; ficamo...