Postagens

Boletim Letras 360º #226

Imagem
Aqui está mais uma edição do Boletim Letras 360º. Há 223 semanas que mapeamos notícias diversas sobre o universo literário e de interesse do blog e divulgamos em nossa página no Facebook , que agora respira com mais de 65 mil amigos. Antes de passarmos às novidades, deixamos impresso nossos agradecimentos pela companhia e, por levar o nome do Letras  adiante. Federico García Lorca na Residência de Estudantes. As novas cartas agora reveladas apontam como foram os anos do escritor no ambiente de efervescência das vanguardas na Espanha. Segunda-feira, 12/06 >>> Brasil: O livro pouco conhecido de Julio Verne que a Editora Carambaia trará ao país ganha data de publicação O testamento do excêntrico , anunciado por aqui noutras duas ocasiões, chega às livrarias em agosto. De 1899 e um dos últimos títulos publicados pelo autor, a obra apresenta os Estados Unidos como um jogo de tabuleiro. Um milionário excêntrico e solitário de Chica...

Entrelugar

Imagem
Por Rafael Kafka Li On The Road quando tinha uns 19 anos de idade. Na época, o livro me serviu de mote para ampliar meu modo de ser e começar a querer viver em um ritmo frenético ligado à arte e à cultura em geral. Como não tinha dinheiro, nem coragem, assumi uma postura beat improvisada: fazia de cada passeio um convite a olhar a realidade com olhos diferentes e a fazer do movimento constante o alimento de minha alma. Naquele momento, fã de Álvaro de Campos e outros heterônimos sensacionistas de Fernando Pessoa, decidi que o caminho não dava em lugar algum e o maior prazer da vida era curtir as impressões, intelectuais e sensoriais, que ela nos oferecia. O tempo passou e eu, leitor assíduo, fui convidado a uma postura de engajamento. Na verdade, o engajamento sempre existiu em mim de forma depurada, convivendo com um estranho sentimento de niilismo que creio ter pegado de minhas leituras irracionalistas e assumido mais por uma moda neoliberal, com alguma cultura, a qual...

O homem sem doença, de Arnon Grunberg

Imagem
Por Pedro Fernandes A reinserção de Arnon Grunberg entre as obras mais recentes publicadas no Brasil corrige um grave desvio que colocava leitores em condição distanciada de uma das melhores prosas da literatura contemporânea. Desvio porque, depois dois primeiros títulos editados por aqui – Dor fantasma e Amsterdã Blues – já passara uma década que a obra do escritor holandês não era traduzida. Nessa correção, O homem sem doença veio depois de Tirza . E, argumentos não faltam para justificar a grandiosidade da obra de Grunberg, mas um é suficiente: trata-se de uma literatura que dialoga proximamente com universos como os de Franz Kafka, Samuel Beckett ou os de Herman Broch, que são atmosferas envoltas pela mesmidade da instituição burocrática, do onírico, do homem preso na tessitura de suas próprias ambições e incapaz de romper com o acaso e seus desdobramentos. Isto é, o homem nos seus piores pesadelos e condenado a neles permanecer porque, queira ou não, a vida não é...

Milena Jesenská, muito além de namoradinha de Franz Kafka

Imagem
Por Juan Bonilla Milena Jesenská e Staši Jílovská, em 1925. Eis um livro maravilhoso: emocionante, perturbador, difícil de esquecer. Foi escrito por Margarete Buber-Neumann e a edição mais recente publicada no Brasil data de 1987. Intitula-se Milena ; nome, portanto, mais adequado que o Milena, a amiga da Kafka , com que foi publicado noutras traduções ao redor do mundo. Aliás, não haveria título mais injusto para uma obra em que Kafka aparece apenas num capítulo – comovedor, sem dúvida – apesar de Milena ser correspondente do escritor, de quem traduziu sua obra para o tcheco e com quem manteve uma relação sentimental que ele, por temer a vida, por sentir-se “perdido no abismo de Milena”, tratou de não levar adiante. Os leitores, entretanto, desprovidos do nome famoso justaposto ao de Milena, construirão uma imagem melhor elaborada dessa personagem, sobre sua vida, sua garra, sua escrita, por si só significativos ao ponto de Buber-Neumann ter-lhe dedicado este ...

J. R. R. Tolkien, o mito desconstruído

Imagem
John Ronald Reuel Tolkien, o escritor que entreteve gerações de leitores do mundo inteiro com o seu Legendarium (assim descreveu sua mitologia sobre a Terra Média) nasceu em 3 de janeiro de 1892 em Bloemfontein, Sul da África. Essa data nunca passará despercebida às suas legiões de fãs. Se para a maioria dos críticos modernos o mito é sinônimo de mentira ou falsidade, para o autor de O Hobbit , O senhor dos anéis e O Silmarillion é a única maneira de certas verdades transcendentes poderem ser expressas de um modo tangível. Essa fantasia que parte da realidade, que consegue prender o leitor na narrativa e a assuma como verdadeira, é a chave mestra da obra de Tolkien, marcada por enredos enraizados na natureza humana: o eterno embate entre o Bem e o Mal; a irresistível tentação pelo Poder; a amizade, lealdade e idealismo; e a elevação dos sujeitos mais humildes à categoria de heróis. Aos três anos de idade, Tolkien se mudou com sua mãe, Mabel, e seu irmão para a Inglat...

Juan Goytisolo em seu amargo final

Imagem
Por Francisco Peregil Há três anos Juan Goytisolo contava apenas com poucas condições para subsistir. Era impossível custear os estudos de seus três afilhados, algo que havia se convertido na razão de sua vida. Faltavam-lhe as forças para escrever uma grande obra e em abril de 2014 escreveu a seguinte declaração: “Minha decisão de recorrer à eutanásia a fim de não prolongar inutilmente meus dias obedece a razões éticas de índole pessoal. Desaparecida a libido e com ela a escrita, comprovo que já disse o que tinha de dizer. Tampouco meu corpo dá para mais. Cada dia constato sua deterioração e antes que esse declínio afete minha capacidade cognitiva prefiro antecipar minha ruína e despedir-me da vida com dignidade”. E continuava: “A outra razão da eutanásia é a de assegurar o futuro dos três meninos cuja educação assumo. Parece-me indecente gastar de maneira errada os recursos limitados que disponho, e que diminuem diariamente, em tratamentos médicos custosos ao invés de dest...