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Sándor Márai, o último senhor da Europa

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Por Francisco Goñi Hungria, 1918. Um jovem espera ansioso que se imprima seu primeiro livro de poemas. Encontra-se por detrás das máquinas de impressão. Neste lugar se produz também um dos jornais diários da cidade de Kaschau e falta nesse momento uma nota principal e o redator não acompanha o trabalho de impressão. Então se convida o rapaz para que escreva de maneira rápida um texto. Assim começou a paixão literária de Sándor Márai. Em Kaschau, cidade multicultural e poliglota da Alta Hungria, hoje parte da Eslováquia, nasceu, em 1900, Sándor Márai. De uma família tradicional foi educado sob o espírito dos ideais burgueses do século XIX. Sua cidade natal sempre significou um orgulho, já que por mediação alemã, foi uma das mais importantes da cultura burguesa e do urbanismo da Hungria. No romance Kassai örjárat (Patrulha a Kaschau, em tradução livre) comenta: “As épocas heroicas da burguesia criaram na Europa essa obra de arte que chamamos cultura ocidental”. Sándor...

Boletim Letras 360º #312

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Estas foram as notícias que circularam durante a semana no Facebook do Letras. Nossa página nesta rede social alcança agora 73 mil pessoas, um universo que se duplicado daria uma constelação. E só podemos agradecer o interesse por nosso trabalho, este é o único retorno concreto que temos para uma atividade que é pura dedicação espiritual.   O terceiro livro de Roberto Bolaño e o que primeiro chamou atenção da crítica ganha edição no Brasil. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Foto: Daniel Mordzinski Segunda-feira, 04/02 >>> Brasil: A poesia de Álvaro de Campos por Teresa Rita Lopes Álvaro de Campos não é apenas um heterônimo de Pessoa como Alberto Caeiro e Ricardo Reis – os três únicos que receberam esse estatuto. Além de ter tido, como os outros, uma vida e um estilo próprios, e, por isso, uma inteira independência face ao seu criador, Campos saltava do palco da ficção em que fora idealizado para o rés-do-chão da realidade e int...

Rapnik: "ou eu ganhava as batalhas ou não andava mais"

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Por Wagner Silva Gomes Jean-Michel Basquiat Considero aqui poesia periférica como toda aquela que os poetas do gueto vêm produzindo em termos de prosa e verso desde 1970, tendo como referência discursiva o movimento Hip-Hop, que surgiu nos guetos norte-americanos e se espalhou pelo mundo. Partindo deste recorte, tem-se a droga primeiramente algo comum, já que o seu consumo era usual como recurso anestesiante para os males do trabalho, para os males da guerra (Vietnã de 1955 a 1975), usada também para se ter uma percepção sonhadora ao ver a realidade, pois com a opressão, a falta de recursos, pouco é permitido sonhar no gueto. Além de muitos imigrantes jamaicanos, alguns deles responsáveis pelo surgimento do movimento (Kool Herc, Afrika Bambaataa) virem de uma cultura onde a maconha tem um uso religioso de encontro com Jah.  A paranoia que se segue ao escrever ou ler é também comparável ao uso de droga, já que se persegue uma ideia, a de que aquele mundo d...

O excesso que vive: Mac e seu contratempo, de Enrique Vila-Matas

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Por Guilherme Mazzafera Mac e seu contratempo (Companhia das Letras, 2018, tradução de Josely Vianna Baptista), o mais recente livro do barcelonês Enrique Vila-Matas lançado no Brasil, é, em verdade, meu primeiro contato com sua obra. A honestidade é o point d’honneur do resenhista. Como decorrência deste fato, sou incapaz de pontear em que medida tal romance, erigido sobre “o obscuro parasita da repetição que se oculta no centro de toda criação literária”, não configura ele mesmo, em relação à obra pregressa de seu autor, um exemplar do que tão minuciosamente esmiúça. Em linhas gerais, Mac Vives Vehin, o protagonista, é um advogado (ou seria construtor de imóveis?) entrado nos sessenta que se vê de repente desempregado. O caráter repentino do destino, supostamente motivado por uma citação inadequada de Wallace Stevens, impele-o a dedicar-se ao aprendizado da escrita por meio de um diário secreto. Nada de novo sobre o sol (aliás, senti falta do Eclesiastes no rol ...

O moderno

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Por Enrique Vila-Matas Charles Baudelaire por Augusto Brouet “É preciso ser absolutamente moderno”, disse Rimbaud. E um século e meio depois ainda sofremos as consequências. Essa frase, além de intimidadora, comenta Calasso em La Folie Baudelaire , fez inumeráveis vítimas, numerosos “escritores quase sempre medíocres, mas totalmente decididos, como tal a seguir o slogan que os havia cegado”. Nos últimos tempos recebemos constantemente notícias de pessoas que não sabem que é inútil dizer que são inovadoras, porque a longo prazo, se são revolucionárias ou tecnoplásticas, serão julgadas pelo tribunal digital do tempo, sempre implacável. Charles Dickens ou Franz Kafka nunca presumiram mudar a história da literatura – nem a história de nada – e sem dúvida a mudaram. É uma prova de que para transformá-la não é necessário dar o último grito. O futurista Julien Gaul presumiu colocar tudo de pernas para o ar e hoje ninguém tem notícias dele. Se minha geração viu morrer...