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“Pano de fundo variado para um destino comum”: Otto Maria Carpeaux e o romance brasileiro

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Por Guilherme Mazzafera A leitura dos inúmeros ensaios sobre literatura do austríaco-brasileiro Otto Maria Carpeaux (1900-1978), bem como de sua História da literatura ocidental , configura, na oposição entre o recorte preciso e o percurso totalizante, uma espécie de imago mundi da literatura do Ocidente cuja apreensão mais ou menos sistematizada demanda um recorte rigoroso. Aos poucos, o leitor vai construindo copioso mosaico de análises quase sempre breves que mantêm um olho rente ao objeto em estudo, respeitando sua expressão individual, e outro no lastro histórico do qual ele deriva, sem, no entanto, a ele se limitar. No caso deste breve ensaio, proponho um exercício sintético, perseguindo o fio do romance brasileiro na crítica literária de Carpeaux¹. Tendo chegado ao Brasil em 1939 e se estabelecido no Rio de Janeiro como colunista do Correio da Manhã em 1941, a entrada do elemento brasileiro em seu ofício crítico dá-se, nos livros, por meio da seção “No mundo ...

Sobre O encantamento

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Por Hermann Broch Sem nenhuma dúvida, um fato que responde à psicologia de massa pode ser expresso vividamente recorrendo a uma “descrição objetiva”. Pode-se descrever o vestimenta de um flagelador ou os gritos numa partida de futebol, ou a multidão reunida em frente ao Palácio da Chancelaria de cuja sacada ressoa a voz peculiar de Hitler, e também se pode descrever de uma forma muito nítida os horrores do pogrom ; mas todas essas descrições – mesmo quando têm um plano de fundo histórico – de certa forma não passam de declarações vazias. Tudo o que dizem é que existem ações que respondem à psicologia de massa, mas nada dizem sobre sua verdadeira função e seus efeitos. Para saber algo mais que isso, é preciso investigar a alma do indivíduo, perguntar por que e de que como se fica à mercê desse fenômeno incompreensível que chamamos de “psicologia de massa”, sim, precisamente a dificuldade para entendê-lo é o que nos move a levantar tais questões. A psicologia de massa torna...

Três obras fundamentais para conhecer a literatura de Herman Melville, o escritor que imaginou Moby Dick e anteviu Franz Kafka

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Em vida, seu esquecimento foi maior que sua glória. Moby Dick , o romance mais importante e celebrado de sua carreira, foi um absoluto fracasso quando foi publicado em 1851 e Billy Budd , uma fina alegoria política que toma o mar como território humano, foi publicado só postumamente. Herman Melville nasceu a 1º de agosto de 1819 e morreu em 1891 sem ver reconhecimento nem escutar grandes aplausos. Os últimos vinte anos de sua vida passou trabalhando como agente de alfândega nas docas em Nova York e tentando se recuperar da morte de seus três filhos: Malcolm, que cometeu suicídio; Lucy, que não chegou aos trinta anos e Stanwix, que morreu aos 35 anos. Há algo de trágico em Melville e ao mesmo tempo luminoso: ignorado e colocado à margem das fronteiras do universo literário de seu tempo, escreveu uma obra que tem em tudo o trágico shakespeariano, o épico e a literatura de viagem. Mas não apenas isso. Seu Bartleby prefigura Gregor Samsa de Kafka e Billy Budd inspirou uma das...

Boletim Letras 360º #340

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Uma nova coleção para publicar autores portugueses no Brasil. Entre as duas estreias no âmbito do projeto, está uma antologia da poeta Adília Lopes. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Antes de passar às notícias que divulgamos durante a semana em nossa página no Facebook, pedimos para uma visita ao nosso bazar; colocamos alguns livros do nosso acervo à venda a fim de arrecadar fundos para cobrir os gastos com a hospedagem do blog na web. Você pode nos ajudar de maneira diversas: adquirindo um livro, passando adiante essa notícia, convidando amigos que amam livros a observar nossos títulos. Muito agradecemos. Para aceder ao bazar, vá aqui . Segunda-feira, 19 de agosto A antologia Nove histórias é próximo título de J. D. Salinger a ser publicado pela editora Todavia . Neste que é um dos mais célebres e festejados livros da língua inglesa, J. D. Salinger deu a seus leitores nove obras-primas da narrativa curta. Do cultuado “Um dia perfeito para peixes-banana”, em...

De como Virginia Woolf ajudou a salvar o “Guernica”

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É difícil conseguir separar a vida de todo grande artista de sua obra. As pinturas apaixonantes de Francis Bacon não podem ser entendidas sem conhecer as tumultuadas relações com cada um de seus amantes. Para compreender o disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles é preciso entender o espírito de uma época quando o experimentalismo era uma nova forma de vida. E para entender a obra de Virginia Woolf, é preciso conhecer muitos traços de sua vida, como sua estreita relação com o mundo da arte, especificamente com o cubismo. “Todos os membros do círculo de Bloomsbury – grupo de intelectuais britânicos entre os quais se encontravam antigos colegas da universidade do irmão da escritora, como o crítico de arte Roger Fry ou o economista J. M. Keynes –, especialmente os pintores do grupo, Duncan Grant e a irmã de Virginia, Vanessa Bell, sentiram a influência de Picasso. Por isso, o estilo de Virginia Woolf é sempre comparado ao cubismo”, explica o professor Juan Anton...

Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos

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Por Pedro Fernandes Juan Pablo Villalobos. Foto: Andreu Dalmau Festa no covil foi o romance de estreia de Juan Pablo Villalobos. Publicado em 2010 e dois anos depois traduzido no Brasil. Essas informações, apesar de encontradas em qualquer lugar na web , são aqui recuperadas por algumas razões e a principal delas diz respeito à maturidade literária de um escritor logo na sua primeira aparição; isso não é um fenômeno inédito – novidade é se sustentar no mesmo ponto alto de estreia – mas é, cada vez mais, algo raro e incomum boas estreias. Adam Thirlwell, num texto que foi incorporado à edição brasileira como um dispensável posfácio, ressalta a distinção de Villalobos no interior de um cânone literário formado nos países da América espanhola e designado pelo escritor britânico como narcoliteratura, isto é, uma literatura interessada no universo do narcotráfico. O romance, segundo ele, se insere ainda no âmbito da ficção experimentalista. É possível entender essa leitura s...