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As pontes possíveis. Identidades à deriva em “De amor e trevas”, de Amós Oz

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Por André Cupone Gatti Amós Oz. Foto: Leemage   I.   Quando o escritor israelense Amós Oz publicou, em 2002, o seu romance De amor e trevas , já era um autor de renome, premiado e com uma obra sólida. A dimensão testemunhal desse livro, no entanto, bem como a sua trama multívoca e bem tecida entre passado e presente, memória e invenção, História e subjetividade, fez dele uma espécie de súmula ou síntese do universo que permeia toda a obra de Oz. Romance que se vai desfolhando em temas variados e complementares, De amor e trevas trança, propositadamente, os traumas de um menino aos traumas de uma nação recém-nascida, as frustrações e alegrias de ambos, e, acima de tudo, as suas profundas contradições. O romancista nos mostra quão imensuráveis são as esferas internas e externas da existência, e como elas se continuam e se confundem.   Não só os anos 1940 e 1950 em Eretz-Israel, mas toda uma sorte de paisagens do leste europeu dos séculos XIX e XX são reconstruídas no roman...

Boletim Letras 360º #504

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    DO EDITOR   1. Caro leitor, até o mês de novembro, lembrarei aqui sobre o sorteio que agora o blog realiza com o apoio da Editora Trajes Lunares. A casa disponibilizou dois Kits de livros para sorteio entre os participantes do nosso clube. Este clube de apoios é uma das alternativas para ajudar este blog com o pagamento das despesas anuais de hospedagem na web e domínio.   2. Para participar dos sorteios é simples. Envia um PIX a partir de R$15 a blogletras@yahoo.com.br; para saber mais sobre os livros da Trajes Lunares disponíveis e sobre outras formas de apoiar, visite aqui . E lembro que: a aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim garante a você desconto e ajuda ao blog sem pagar nada mais por isso .   3. Um rico final de semana com boas leituras! Marcel Proust. Foto Researchers RM.   LANÇAMENTOS Os dois primeiros volumes da nova tradução para a obra-prima de Marcel Proust 1.  Para o lado de Swann  é o prime...

Agustina Bessa-Luís, a inteligência do incomensurável

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Por Silvina Rodrigues Lopes * Agustina Bessa-Luís. Foto: Egidio Santos.   Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, em 15 de outubro de 1922, e faleceu no Porto em 2019. Publicou o seu primeiro livro, Mundo Fechado , em 1948, tendo escrito e publicado posteriormente alguns contos extraordinários, várias dezenas de magníficos romances, alguns dos mais interessantes textos sobre literatura e diversas crónicas, reunidos respetivamente em Contemplação Carinhosa da Angústia e A Alegria do Mundo . Essa vasta e intensa obra compõe um movimento transformador da literatura, que se não prende a fórmulas ou modelos e que não deixa de inventar o passado, devolvendo-o à dispersão, que é o seu modo de tocar o presente. Na verdade, não há em Agustina uma tradição da história do romance ou das ideias em que a sua escrita se integre. Percebe-se que o que escreve é diálogo com um mar sem fim de leituras — em que o mais antigo não desaparece sob a exigência da atenção à atualidade —, onde se...

Nasci sem um caminho de volta, de Raimundo Neto

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Por Sérgio Linard Raimundo Neto. Foto: Editora Moinhos.   Uma crítica comum a livros de literatura contemporânea é a de certo excesso com o uso dos materiais ou das temáticas sobre as quais os autores desejam discorrer em sua prosa ou poesia. Ainda que façamos considerável ponderação sobre a potencial resistência que por vezes atinge parte da crítica literária, há de se considerar que esse apontamento não é de todo infundado, posto que não são raros os casos em que a demanda por pautas específicas ou por formas momentaneamente elogiadas acabam fazendo com que o compromisso com a literatura seja deixado de lado em resposta a um compromisso social e/ou acadêmico. Sim, acadêmico, afinal, não é novidade o fato de um ou outro escritor, conhecendo os principais elogios da crítica especializada — porque em largo exemplo de casos faz parte dela —, recorrer a textos vazios de sentido em nome de pura e simples hermeticidade, a fim de reclamar autoridade técnica sobre seus escritos. O engodo ...

De Anima: Peanuts, de Charles M. Schulz

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Por Pablo Sol Mora   Sempre gostei de quadrinhos. Já disse que quando pequeno era um assíduo leitor e colecionador do Homem-Aranha e outros super-heróis. Aos domingos, além disso, meus pais costumavam comprar o jornal Excélsior , que trazia uma alentada seção de tirinhas para a qual eu corria. Ali figuravam, entre outros, Hagar, o Horrível , Belinda , Mutt & Jeff , They’ll Do It Every Time , Pafúncio e Marocas , o clássico e soporífero O Príncipe Valente (nunca entendi como alguém podia acompanhá-lo), Garfield , Mafalda e Peanuts . Em casa, à parte, havia alguns volumes, em inglês e espanhol, destes últimos, que eu lia sem parar. Agora que penso nisso, tínhamos uma espécie de culto doméstico ao Snoopy. Minha mãe teve vários carros Volkswagen Beetle (Fusca), “vochos”, vermelhos, e costumava colar um adesivo do Snoopy aviador no vidro traseiro. Não havia como se enganar de carro.   O problema com Peanuts é que foram tão esmagadoramente explorados pela comercialização e p...