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Decálogo para contistas segundo Julio Ramón Ribeyro

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Julio Ramón Ribeyro. Foto: Baldomero Pestana   O conto é um gênero literário que sempre me cativou. Desde a infância, para ser exato. Jamais esquecerei a impressão que “Riquet”, de Anatole France, me causou quando eu tinha onze ou doze anos: quando cheguei ao final senti uma espécie de sufocamento ou vertigem pelo desfecho inesperado. Mais tarde, outras histórias me seduziram, mas por motivos diferentes: “Os olhos de Judas”, de Valdelomar, pelo seu tom nostálgico e melancólico; “A jarra” de Pirandello, pela graça da situação; “Carta roubada”, de Poe, pelo engenho de sua intriga; “Bola de sebo” de Maupassant, pela revoltante crueldade da história; “José Matias” de Eça de Queirós, pela sua delicada ironia, ou “Um coração simples” de Flaubert, pela concisão do seu estilo. E mais tarde ainda, ao ler os contos de Kafka, Joyce, James, Hemingway e Borges, para citar alguns autores, descobri novas probabilidades e alegrias na narrativa breve; a lógica do absurdo, a habilidade técnica, a ar...

Gótico nordestino, de Cristhiano Aguiar

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Por Pedro Fernandes Cristhiano Aguiar.  Foto: Mateus Lopes Quirino   Fabular é universal e nos acompanha desde a imemorial origem da comunicação. Contamos histórias para atualizar para o outro o conteúdo da nossa ausência, para recordar um passado distante presenciado ou já contado pelos nossos antepassados ou para aclarar alguma incerteza individual ou coletiva. Isto é, não somos apenas cercados por narrativas, somos propriamente feitos dessa tessitura. Foi muito tardiamente, na formação dos nossos interesses classificatórios que começamos a justificar os usos e com eles os valores do que contamos; é o primeiro instante de uma crise sobre a fábula: o que aos olhos de uns foi rebaixado ao estamento do inventado, da mentira, do falso, aos olhos de outros foi elevado ao plano do livre ensinamento, do belo, da fruição.   Toda essa pequena e simplificada história sobre o ofício de narrar — um tanto óbvia para uns — serve aqui para duas coisas: a imprescindibilidade da fábula,...

Mundo Shakespeare

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Por Vicente Molina Foix Sir John Gilbert. The Plays of William Shakespeare .   Quão difícil é escrever bem sobre Shakespeare. Continuar escrevendo, quero dizer. A angústia das influências precedentes, que levam ao nome de Goethe, Coleridge, Stendhal, Hegel, Auden, Ted Hughes, Virginia Woolf, pode afetar qualquer um, embora não a Harold Bloom, que transformou o bardo, sem se intimidar, em inventor do humano; quantas páginas shakespearianas devemos ao professor estadunidense? Certamente não mais que mil e quinhentas, um caso extraordinário de hubris contemporânea, de tomar a si próprio como Falstaff, não apenas no sentido físico, censurando ao criador as inconsequências e traços mais grossos de sua criatura sir. John. Se pensarmos bem, não é uma má maneira de amar os artistas: sentir-se tão autorizado pela própria devoção, pela fidelidade obsessiva a um autor, como para — num delírio que a literatura é muito capaz de abonar — acreditar-se com direitos de mimesis, de entendimento par...

Dez livros imprescindíveis de Javier Marías

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Por Jaime Cedillo Das sete décadas de vida, cinquenta foram dedicados à escrita, dedicação que remonta a 1971, com apenas 19 anos, portanto, quando estreou com o romance  Os domínios do lobo . Nesse tempo, Javier Marías formou um universo muito pessoal que lhe valeu o reconhecimento dos mais prestigiados críticos internacionais. Por mais de uma década, não houve um ano em que seu nome não circulasse entre as apostas para o Prêmio Nobel de Literatura, o prêmio mais relevante para escritores. Na Espanha, muitos foram os que até hoje afirmaram que ele era o melhor escritor entre os contemporâneos. Marías, com a indiferença que sempre o caracterizou, negou todas essas posições até sua morte.   De qualquer forma, o lançamento de cada um de seus romances gerou expectativas sempre elevadas na crítica especializada e em seus leitores mais fiéis. Suas obras foram traduzidas para quatro dezenas de idiomas e publicadas em meia centena de países. Quanto ao seu início como romancista, se...

As raízes reais e literárias de Macondo

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Por Winston Manrique Sabogal Ilustração: Luisa Rivera   Um dia, o menino Gabriel García Márquez (1927-2014) estava olhando pela janela em um trem amarelo, que não parava de soltar serpentes de fumaça a cada apito, e leu na entrada de uma fazenda uma placa metálica azul que em letras brancas dizia: Macondo. E a palavra voou para se esconder em algum refúgio de sua memória.   Macondo não nasceu no dia em que todos acreditam. Macondo tem sete atos fundadores: três têm a ver com a aparição desse território ficcional em dois livros; dois são citados pela primeira vez pelo autor sem que seus livros tenham sido publicados, e os outros dois provêm de suas experiências que darão origem àquela cidade mítica. Para encontrar suas raízes, é preciso refazer o caminho da imaginação das pessoas à realidade.   No imaginário universal, esse território nasceu no início de Cem anos de solidão (1967): “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía deveria ...

Boletim Letras 360º #505

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DO EDITOR   1. Caro leitor, até o mês de novembro, lembrarei aqui sobre o sorteio que agora o blog realiza com o apoio da Editora Trajes Lunares. A casa disponibilizou dois Kits de livros para sorteio entre os participantes do nosso clube. Este clube de apoios é uma das alternativas para ajudar este blog com o pagamento das despesas anuais de hospedagem na web e domínio.   2. Para participar dos sorteios é simples. Envia um PIX a partir de R$15 a blogletras@yahoo.com.br; para saber mais sobre os livros da Trajes Lunares disponíveis, sobre outras formas de apoiar, visite aqui . E lembro que: a aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim garante a você desconto e ajuda ao blog sem pagar nada mais por isso .   3. Bom final de semana e boas leituras!   LANÇAMENTOS A portentosa biografia de Fernando Pessoa . Se levássemos em conta todos os personagens fictícios que povoaram a mente de Fernando Pessoa, o número ultrapassaria a marca dos cem ...