2 poemas de Marize Castro

Duelo

Quando em ti transbordo
te fazes alheio
a minha nudez.

Sou vulnerável
e nem te ouso atacar
moço do março
submerso em mim.

Ainda é cedo
para te proclamar livre.
Já é tarde
para adiar teu vôo.
Não renuncio a ti
ao teu montanhoso dorso
onde em cada curva
travo uma luta.
Às vezes ganho.
Às vezes sou vencida
pelo teu silêncio de granito.

O que há na vida que eu não te sirva?

Pretensões felinas, não tenho.
Aparo as garras
que alcançam as margens.
Estou destinada
a este vão combate.
Mas continuarei a te amar
como um invento meu.
Com toda a firmeza e fragilidade
que inquieta os desafios.

Quando chegarmos
ao limite mais árido das nossas carnes
te repudiarei de mim.

Salvar-me-ei do fim.

Deslizarei pelos trilhos
do teu corpo de narciso.


Entre lendas e amêndoas

Menino
narciso
vacilo
sempre que cintilas.
Entre lendas e amêndoas
oculto teu bastão.
Além do alvo
jaz
uma inviolável paixão?





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In marrons crepons e marfins.

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