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As troianas, de Sêneca

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Por Afonso Junior Eurípides encenou As troianas (Troades) em 415 a. C. refletindo sobre acontecimentos da Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), em especial do massacre ateniense da rebelde ilha de Melos (416 a. C.): todos os homens foram mortos e todas as mulheres e crianças escravizadas.  Na era neroniana, coberta de sangue, quatro séculos mais tarde, a guerra era o eixo fundamental da Roma Imperial (a conquista da Gália por César, por exemplo, sempre foi vista como um genocídio), e a escravidão seguia sendo um pilar do sistema; contra os maus tratos com os escravizados, Sêneca mesmo advogou em suas cartas (por exemplo, Epístolas 47 e 95).  Neste tempo todo, outras obras sobre o tema da queda de Troia surgiram e com certeza moldaram o imaginário de Sêneca: a Andrómaca Cativa de Énio e Astíanax de Ácio, desaparecidas, além do impacto das obras de Virgílio e Ovídio. O resultado é uma sensibilidade propriamente romana, onde a dor se expressa fisicamente, a humilhação é exercid...

La vie en rouge: a Medea de Sêneca por Gabriel Villela

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Por Afonso Junior Ilustração de Guilherme Crivelaro. Cartaz de Medea. O edifício do teatro estava sem luz, com geradores há três dias. Umas calçadas na quadra próxima pegaram fogo, foram abertas pela empresa privada, ficam à vista pedras e terra. Há pouco, uma mulher desapareceu porque sua casa ficou sem luz. Policiais dão aula (e erram o português) porque os pais têm medo e preferem disciplina. Quem será o próximo Nero? O brasileiro tem um pote até aqui de mágoa.  Os monstros de Sêneca também.   Quebrar o clássico é uma tarefa titânica. Existe algo que Gabriel Villela entende, algo sobre o barro do teatro catastrófico, suas rupturas. Trazer uma peça esquecida assim já demonstra sua seriedade.  Qualquer artista que aceite o desafio de montar um Sêneca merece louvores.  Os textos apresentam muitas dificuldades dentro da mentalidade comum de teatro (uma espécie de aristotelismo realista mediano).  São muitas descrições, muitas falas intermináveis, nunca ...