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As mentiras de “O nome da rosa”

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Por Agustí Fancelli  “Tinha vontade de envenenar um monge”. Essa foi a razão de peso que Umberto Eco diz em suas Pós-escrita a O nome da rosa sobre os motivos que o impulsionaram a publicar, três anos antes, em 1980, seu grande romance histórico. Anteriormente o professor de semiótica da Universidade de Bolonha havia escrito apenas ensaios – alguns com muito êxito, como Obra aberta , Apocalípticos e integrados ou Lector in fabula que seus discípulos leram com fruição. O nome da rosa se converteu de maneira fulgurante num Best-Seller. E de alguma maneira o admirado professor deixou de ser patrimônio daqueles estudantes para abraçar o grande público. Não nos surpreendeu: sabíamos de sua extensa habilidade para ir de São Tomás de Aquino a Snoopy, do Superman a Joyce, do Beato de Liébana a Agatha Christie e Mafalda passando por Gertrude Stein, os irmãos Marx e a música de Luciano Berio ou John Cage. Um tipo assim estava chamado a sair dos limites da aula. Confesso...

Dez curiosidades sobre a vida e a obra de Agatha Christie

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Agatha Christie alcançou até a terceira idade, lúcida e produzindo. Dividida entre os últimos romances policiais, a possibilidade de se reinventar com um novo nome, um novo estilo, e vendo-se incapaz de construir algo que superasse o que já havia feito, ou que menos se aproximasse, a escritora rendeu-se e foi escrever suas memórias. A vida não foi má com ela; não há nada de impactante ou misterioso, qual a obra que construiu, na sua biografia. E mesmo sua autobiografia revela uma mulher típica de seu tempo, a Inglaterra vitoriana, de vida plácida, sem grandes desassossegos. Então, as curiosidades aqui reveladas denotam mais os limites alcançados pela grandiosidade de uma técnica simples que usou com todas as variações possíveis a forma que lhe deu sucesso já na estreia literária em 1920. Vida • Apaixonada por viagem, Agatha chegou a dar volto ao mundo e fez várias expedições ao mundo antigo acompanhada do segundo companheiro, que era arqueólogo. Quando jovem, nessas viagen...

Lawrence da Arábia, de David Lean

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Épico ambientado o deserto explora, na forma de espetáculo, os limites do indivíduo alçado à estatura de herói Se há um sinônimo para cinemão, este foi durante anos identificado com os filmes de David Lean. O aumentativo se justifica por seu completo domínio nas narrativas de dramas épicos, no uso recorrente do formato cinemascope, pelo apuro visual de tirar o fôlego (era capaz de esperar dias por um pôr-do-sol perfeito) e pela longa duração de seus filmes. Lean já era um veterano de histórias fascinantes (como Desencanto, de 1945, e as duas adaptações de clássicos de Charles Dickens – Grandes Esperanças , de 1946, e Oliver Twist , de 1948) quando, na década seguinte, só confirmou sua habilidade em produzir espetáculos, como A ponte do rio Kwai, de 1957. Ao longo dos cinco anos seguintes, o diretor entregou-se à difícil tarefa de traduzir em imagens as reflexões existenciais e políticas do escritor T. E. Lawrence, oficial que liderou as forças britânicas em combate...

O último amor de Goethe

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  Por Luis Fernando Moreno Claros Um dos raros registros de Ulrike von Levetzow, o último amor de Goethe “O amor, cujo poder sente a juventude, combina mal a velhice”. Sobre esta máxima de Goethe que, da experiência adverte contra as paixões extemporâneas, trata os textos “O homem de cinquenta anos” e “Elegia de Marienbad”, e entre a diversidade de pontos de vista aí assumidos está o último episódio amoroso na vida do autor do Fausto . Na edição espanhola, que copia a singular novela “O homem de cinquenta anos” e os célebres poemas que compõem a chamada Trilogia da paixão, entre eles, “Elegia de Marienbad”, a organizadora, Rosa Sala, recolheu numerosos fragmentos de cartas, diários privados e entrevistas pertencentes a várias personagens do entorno de Goethe. Corria o ano de 1823, quando o nobre conselheiro privado da Corte de Weimar, Johann Wolfgang Goethe, um escritor famoso em toda Alemanha, já septuagenário, se apaixonou como um adolescente por uma linda garo...

Lêdo Ivo

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“Desde a infância eu desejava ser um poeta e escritor. A prosa das primeiras leituras me levava a viver aventuras nos mares do Sul – aos navios-piratas que desfraldavam uma bandeira negra, com uma caveira branca no centro, à busca de tesouros escondidos em ilhas desertas, a tempestades e naufrágios.” Lêdo Ivo, O vento do mar Falastrão. Este é o epíteto que colecionamos a partir de uma declaração do próprio Lêdo Ivo dada ao poeta pelo amigo João Cabral de Melo Neto. A história foi contada ao jornalista Geneton Moraes Neto numa entrevista feita há cerca de dez anos e agora publicada no seu blog: “João foi um grande amigo meu, mas tínhamos temperamentos diferentes. Enquanto ele ia para um lugar, eu ia para outro. Dizia que eu falava muito; achava que só a morte é que me reduziria ao silêncio.” Pela ocasião dessa amizade, João Cabral lhe escreveu um epitáfio: Aqui repousa Livre de todas as palavras Lêdo Ivo, Poeta, Na paz reencontrada de antes de fa...

O grande Gatsby e a história de uma capa

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1ª edição de O grande Gatsby  - a capa que se tornou ícone - mais até que o próprio romance - levou bom tempo para ter o resultado final. Levado ao cinema cinco vezes (leia aqui sobre as produções) o livro de F. Scott Fitzgerald que projetou o autor a ser reconhecido por sua literatura ao redor mundo chega em 2013 com bem vividos 83 anos inteirados no último dia 10 quando foi publicado pela vez em Nova York. Tudo começa quando Nick Carraway, um jovem comerciante da região Centro Oeste dos Estados Unidos, torna-se amigo de seu vizinho, o milionário Jay Gatsby, conhecido pelas badaladas festas na sua mansão em Long Island. Símbolo do sonho americano, o status milionário de Gatsby desperta especulações: nada mais natural num período em que todos estão movidos pela mesma sede de chegar aonde ele chegou e mais ainda que, em torno de fortunas como sua fortuna, conseguida assim como obra do acaso, sempre se formam confabulações sobre como conseguiu alcançar o feito da multip...