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O fio das missangas, de Mia Couto

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Por Pedro Fernandes O fio das missangas , de Mia Couto, chega ao Brasil através da Companhia das Letras em 2009 (imagem), mas saiu em Portugal, onde a obra do escritor moçambicano tem sido publicada, cinco anos antes pela editorial Caminho. Este é o seu sexto título utilizando-se da forma narrativa conto. Sucede a altura, pelas primeiras leituras críticas, outras obras do gênero, como Vozes anoitecidas , até o presente o mais premiado dos livros já apresentados.  O livro é composto de um feixe (ou seria um fio?) de 29 histórias (ou seriam 29 missangas?). A dúvida se o livro é um fio e os contos as missangas é instaurada desde o título a epígrafe do livro - A missanga, todos a veem. Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo . E se confirma quando somos colocados diante a delicatesse das narrativas. Estão elas, assim reunidas, mais para a composição do perfil das missa...

Dickens em cena

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Por Mario Vargas Llosa As filas começaram a se formar na noite anterior ante as bilheterias do Steinway Hall, um dos maiores teatros de Nova York, e, no dia seguinte, às nove da manhã, ao iniciar-se as vendas das entradas, havia mais de cinco mil pessoas que dava voltas nas ruas de Manhattan. Muita gente havia levado colchões e cobertores para resistir ao frio da longa espera, no coração do inverno nova-iorquino. Era 28 de dezembro de 1867 e nessa noite Charles Dickens se apresentava pela primeira vez num cenário da metrópole de arranha-céus lendo episódios de seus romances mais famosos. As entradas mais caras custavam dois dólares. Os lugares rapidamente se esgotaram, e, certamente, no fim do dia, revendedores repassavam ingressos a 26 e 28 dólares. Os 2.500 espectadores que naquela noite lotaram o Steinway Hall e puderam escutar Dickens referindo ao vivo as situações de David Copperfield e de seu famoso Conto de Natal no fim encheram a sala de aplausos, como ha...

Correspondência na Barca: cartas trocadas entre Monteiro Lobato e Lima Barreto

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Por Antonella Flavia Catinari Lima, Está escrito no livro do destino que não nos veremos nunca. (...) Espero, porém, que os fados afrouxarão suas leis férreas, e um belo dia, quando menos esperarmos, – Lima! – Lobato! e ferraremos esse abraço encruado. Lobato. (Bilhete enviado por Monteiro Lobato a Lima Barreto, em outubro de 1920, por ocasião da visita de Lobato ao Rio de Janeiro e recolhido por Edgard Cavalheiro em  A correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto , publicada pelo Ministério da Educação e Cultura, em 1955) Analisar a obra e a vida de Monteiro Lobato é um prazer e um desafio constantes, por trazer em cada nova mirada um ângulo ainda não revelado. Ao me debruçar na janela que permite vislumbrar sua trajetória, é sempre uma nova paisagem que se configura ante meus olhos. Como afirma Regina Zilberman em O correspondente fiel e a pesquisadora incansável , “Lobato sempre será capaz de apresentar uma faceta original ao indivíduo curio...

Do dia da poesia e do Programa Pedagogia da Gestão: encontros

Por Pedro Fernandes 1.  Ontem estive em Mossoró para a gravação de um programa na TV a Cabo Mossoró (TCM), o Pedagogia da Gestão , que é comandado pelos âncoras João Maria e Clauder Arcanjo. O programa especial assinala o início das comemorações de sete anos desde sua criação como uma intervenção de rádio e que agora, além de ser veiculado para televisão, ainda preserva uma coluna homônima no jornal Correio da tarde . Além da data, marca-se o Dia Nacional da Poesia e o Dia Internacional da Mulher.   2.  Devo dizer da satisfação em ter aceitado o convite de João Maria para participar do programa, que, como verão, foi uma grande celebração em torno da poesia.  3.  Estavam presentes o jornalista, escritor e poeta Mário Gerson, o poeta e professor Leontino Filho, a jornalista e poeta Aline Linhares, de quem recebi seu mais recente livro Estrada de néon , o poeta Antônio Francisco, e outras figuras que, por serem muitas e este ser um registro d...

Dez livros que ganharam (ou quase) o Oscar

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Por Daniel Morales Alguns amantes da sétima arte conservam a paixão por filmes além da salinha do cinema; das produções cujo roteiro nasce das páginas de um livro, alguns também preferem a peça cinematográfica e não a obra que lhe deu origem. Pois bem, esta é uma lista pensada para o leitor cinéfilo — mas, também para o cinéfilo leitor. E como são muitas as adaptações literárias, utilizamos um critério para pensar os títulos aqui incluídos: as que foram nomeadas ou tiveram uma ligação com as premiações do Oscar. Por mais que se critique o efeito comercial de Hollywood, é preciso sublinhar que alguns livros talvez tivessem caído no esquecimento se não fosse a relevância alcançada pelo filme entre os premiados ou premiáveis. Um exemplo? Todos sabem que Perdidos na noite é um filme que ganhou  o prêmio de Melhor Filme, mas poucos sabem que o roteiro é produto do livro de James Leo Herlihy. Bom, aí está a lista. São de filmes baseados em obras literárias que ganharam ou estiverem nomea...

Marguerite Duras

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Marguerite Duras nasceu em Gia Dinh, na Indochina (atualmente Vietnã), em 1914, onde passou a infância e a adolescência. A estadia na então colônia francesa será um marco na vida da obra literária de Duras. É ainda na adolescência que ela tem um caso com um homem chinês rico, personagem que retornaria mais tarde nos seus livros O amante e O Amante da China do Norte.  Foi para a França aos 17 anos. Lá cursou Direito e Ciência Política no Sorbonne, formando-se em 1935. No correr da Segunda Guerra Mundial, Duras tomou parte na Resistência Francesa, filiando-se também no Partido Comunista. Duras foi sempre polemista - no bom sentido do termo. Não gostava de balbúrdia, necessitava do silêncio seu para está bem consigo. Não gostava de conviver com aqueles que lhe dessem um retorno substancial à sua existência. Certa vez, quando convidada para um ciclo de palestras numa universidade chegou mesmo a declarar: “chateia-me conviver com jovens durante três...