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Recriar o “Eu”, de Augusto dos Anjos

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Por Pedro Fernandes Fac-símile com opinião de Carlos Drummond de Andrade acerca do livro Eu , de Augusto dos Anjos. A imagem está disponível no tumblr do professor Moreno Barros, aqui . “ Li o  Eu  na adolescência e foi como se levasse um soco na cara. Jamais eu vira antes, engastadas em decassílabos, palavras estranhas como simbiose, mônada, metafisicismo, fenomênica, quimiotaxia, zooplasma, intracefálica... E elas funcionavam bem nos versos! Ao espanto sucedeu intensa curiosidade. Quis ler mais esse poeta diferente dos clássicos, dos românticos, dos parnasianos, dos simbolistas, de todos os poetas que eu conhecia. A leitura do Eu foi para mim uma aventura milionária. Enriqueceu minha noção de poesia. Vi como se pode fazer lirismo com dramaticidade permanente, que se grava para sempre na memória do leitor. Augusto de Anjos continua sendo o grande caso singular da poesia brasileira. ” O depoimento é de Carlos Drummond de Andrade para o livro de Augusto dos Anjo...

Da arte da escrita para a da pintura

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José Saramago é autor de um romance intitulado Manual de pintura e caligrafia . Ao redor desse texto já se contaram algumas anedotas, uma até pelo próprio escritor português, quando disse ter tomado conhecimento de um professor de artes plásticas na África que não hesitou em comprar uma leva significativa desse livro para trabalhar junto com sua turma de pintura; deixara se levar de primeira pelo o que o título dizia. O mesmo já aconteceu, por exemplo, com O Evangelho segundo Jesus Cristo . Alguém terá comprado o livro por acreditar que ali estivesse mais um evangelho perdido que fora só agora encontrado ou mesmo que ali estivesse um livro de autoajuda. Mas, minha ideia de recuperar um dos primeiros livros do escritor Prêmio Nobel de Literatura é para recuperar o enredo ali presente: um pintor de retratos, um dos últimos da sua espécie, decide se aventurar pelo trajeto da escrita. Avança pela crônica de viagem e à medida que esse interesse se materializa, sua posição em relação ao que...

Mais um evento sobre Jorge Amado

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Jorge Amado e Zélia Gattai. Sabemos todos os da literatura que Jorge Amado está sendo discutido numa rede de eventos acadêmicos ao redor do mundo. Divulguei por aqui ainda no ano passado um colóquio que se realizaria em Paris; depois fiquei sabendo de eventos na Espanha, Portugal e na Inglaterra. E agora dei com essa iniciativa d o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e o Centro de I nvestigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em parceria com o Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira),   a Universidade Estadual de Santa Cruz (Ilhéus-Brasil) e a Academia Brasileira de Letras.  Trata-se do Colóquio Internacional 100 anos de Jorge Amado.  O evento ocorrerá em duas sessões, a primeira terá como tema: História, Literatura e Cultura, será realizada na...

Bruno Schulz

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Bruno Schulz em registro fotográfico de 1935. Pela primeira vez a obra completa de Bruno Schulz é traduzida e publicada no Brasil pelo professor Henryk Siewierski e pela Cosac Naify. Nos anos 1990, a Editora Imago já havia traduzido e publicado alguns contos, “Lojas de canela”, de 1934, e “Sanatório sob o signo de clepsidra”, de 1937. A edição de agora inclui mais quatro contos inéditos. O livro vem com ilustrações do próprio escritor, que é autor também de uma considerável obra do tipo, além de uma apresentação escrita pelo poeta e ensaísta Czeslaw Milosz (Prêmio Nobel de Literatura de 1980), um posfácio do tradutor com sugestões de leitura e trechos dos diários de Witold Gombrowicz, amigo de Bruno Schulz e que junto com ele e Stanislaw Witkiewicz, constituíram o grupo que ficou conhecido como “os três mosqueteiros” da prosa polonesa de vanguarda. A obra que ora sai publicada não constitui nem metade daquilo que Schulz produziu em vida. Por exemplo, além dos desenhos divididos e...

Casa Lena Gal

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Por Pedro Fernandes © Lena Gal. A artista ganha um espaço que primará pela preservação do seu trabalho. O ato não poderia passar despercebido. Recebi a notificação em minha caixa de e-mails e divulgo por aqui com grande satisfação. A artista plástica Lena Gal, de Fenais da Ajuda, concelho Ribeira Grande, Açores, Portugal, é, como se diz por esses lados, uma artista de mão cheia; ela foi quem gentilmente cedeu um de seus trabalhos para a ilustração da capa de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago , meu livro que deve sair em breve. E só deixo aguçada a curiosidade: a arte desenvolvida pelo capista que preserva em sua integridade o trabalho de Lena ficou muito bacana, mas só devo postar por aqui numa ocasião, mais oportuna. A notificação que recebi de Lena é que agora, dia 30 de junho de 2012, pelas 19h30, ela abre uma exposição que inaugura a Casa Lena Gal , em Ribeira Grande. A casa, que abrirá junto ao Museu da Emigração abrigará um conjunto d...

Os 60 anos de 10 dias de uma viagem que deu novos rumos à Literatura Brasileira

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Por Pedro Fernandes Já até ensaiei por aqui  os passos de curta leitura sobre literatura e viagem. Ambas têm uma proximidade bastante significativa. Não apenas se entendermos que todo livro é, por natureza, uma viagem, mas se dermos conta de que muitos livros nasceram da experiência de uma.  O caso mais expressivo, lembrarão uns, é do escritor Jack Kerouac, quem, enquanto viajava pelo seu país, os Estados Unidos, ia dando forma à produção de seu romance mais famoso, On the road .  Eu lembrarei aqui sobre José Saramago, que contratado para escrever um guia sobre o seu país, escreve Viagem a Portugal . E não será exagero dizer que tenha sido o livro e a viagem empreendida para sua composição o roteiro para elaboração de suas primeiras obras: Levantado do chão , o livro publicado no ano do Viagem é resultado da sua estadia entre os camponeses do Alentejo, Memorial do convento de uma de suas idas a Mafra, passagens de O ano da morte de Ricardo Reis de sua ida a Fátima...