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Pelos 96 anos de Manoel de Barros

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Hoje, 19/12, Manoel de Barros completa exatos 96 anos. Já desde o começo da manhã estivemos publicando fragmentos de O livro das ignorãças  na nossa fan page no Facebook. Justa homenagem, é verdade. Mas, ao revirar alguns livros na estante, no instante de procura por este livro, encontramo-nos com um pequeno livro, quase um opúsculo, do escritor Ondjaki, há prendisajens com o xão (o segredo húmido da lesma e outras descoisas ), livro que, olhado de relance, tem uma proximidade medonha com o tom poético do poeta brasileiro. Evidente que dedo de Ondjaki está já aí nesse reinventar de palavras. Pois então, recortamos desta edição o poema de abertura, dedicado a Manoel de Barros e uma nota do autor sobre o encontro seu (de certo modo foi um encontro) com o próprio autor d' O livro das ignorãças . Chão palavras para manoel de barros apetece-me des-ser-me; reatribuir-me a átomo. cuspir castanhos grãos mas gargantadentro; isto seja: engolir-me para mim poucochinho a cada ve...

As várias faces de “Alice no país das maravilhas” (7)

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Foi revirando nosso caderno de notas de ideias para publicações no Letras que encontramos “Alice por Arthur Rackham”; quem não nos acompanha diariamente ou mesmo quem a isso se dispõe lembramos que fizemos durante seis semanas seguidas uma espécie de homenagem ao já clássico de Lewis Carroll, Alice no país das maravilhas , que neste ano de 2012 fecha exatos 150 anos da primeira edição.  Nesse percurso, visitamos os traços e as formas de John Tenniel, Salvador Dalí, Peter Newell, entre outros. Quase dávamos por fechada a série, quando encontramos com esta anotação extraviada de continuidade da série. Como não há problemas nisso de continuidade, do contrário, saímos é ganhando com descobertas assim, vamos aos desenhos feitos por Arthur Rackham (1867-1939), não sem antes saber mais quem é esta personagem e sobre o processo de recriação do universo de Lewis Carroll através da imagem. Arthur Rackam foi um  ilustrador   inglês que deixou muitos trabalho...

Argo, de Ben Affleck

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Por Pedro Fernandes A lista de filmes protagonizados ou que apenas tiveram participação de Ben Affleck ultrapassa, com certeza, umas três dezenas; como sempre com todo ator, muitos chegaram até nós pelo cinema, como Pearl Harbor ou Armagedon , outros nunca nem sequer ouvimos o título, The Third Wheel ou Daddy and Them . E, para dar uma opinião muito sincera, apesar do bom porte do ator e seu ar de galã anos 1950, prefiro vê-lo por trás das câmeras. Até agora, as três produções que o ator pousou de diretor, Medo da verdade , Atração perigosa e o último Argo , foram, a meu ver, matéria de grata surpresa. Abro espaço para falar da produção mais recente, assumindo o débito de depois comentar acerca das outras duas. É que Argo esteve até outro dia nas grandes telas e deve chegar em breve às locadoras e lojas no formato de DVD. Óbvia escolha, portanto. Quando afirmo que as produções de Affleck têm me rendido grata surpresa, estou já indo na direção contrária do que sondou a...

O depois da hora de Clarice. Papéis para composição de A hora da estrela

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Desde 2010, que além de ser uma ocasião celebrativa, que é uma data quando se apresentam novas curiosidades e possibilidades de aproximação de uma das obras mais importantes da nossa literatura. Organizadas pelo Instituto Moreira Salles, as celebrações da Hora de Clarice revelaram este ano um conjunto de notas que deram forma a um dos romances sempre lembrados quando se escuta o nome da escritora brasileira. Sim, os papéis, notas ou inspirações para   A hora da estrela . Agora, IMS dispôs tudo online . O material integra parte do arquivo de Clarice Lispector entregue em 2004 para administração do IMS; e, como sublinha Fábio Frohwein, são "documentos importantes não apenas pela raridade, mas também por registrarem a maneira como Clarice trabalhava seus textos. Desde as primeiras obras, a escritora adotara o método da anotação imediata. Assim, segundo Nádia Battella Gotlib, sua biógrafa, 'passa a carregar um caderninho, onde vai fazendo as suas anotações. São as notas, sol...

Novidades em torno de James Joyce

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Dois inéditos de James Joyce Aos leitores brasileiros de James Joyce, além de reedições e até de uma nova tradução para a sua obra-prima, Ulisses , o ano vigoroso de 2012 para o escritor irlandês, fecha-se com duas novidades: uma, um conjunto de correspondências entre o escritor e sua mulher, Nora, sob organização e tradução de Sérgio Medeiros e Dirce Waltrick do Amarante (já este ano, esses organizadores estiveram à frente da edição de De santos e sábios , outro de James Joyce inédito por aqui); outra, “Epifanias”, uma reunião de 40 textos curtos organizados por Piero Eyben. Toda essa efervescência em torno do escritor, dá-se ainda porque foi, neste ano, que parte de sua obra entrou em domínio público e as editoras ficaram mais ‘soltinhas’ em editá-lo. Até a Biblioteca Nacional da Irlanda andou disponibilizando para consulta virtual parte de seus manuscritos, como falamos por aqui . Sobre o volume Cartas a Nora , até apresentamos, há cerca de um mês, na fan page do Let...

Torquato Neto

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A obra do poeta Torquato Neto recebeu novo fôlego em 2012; foram acrescidos mais dois volumes à sua bibliografia: O fato e a coisa e Juvenílias , com   trabalhos inéditos que ele escreveu a partir de 1961, quando tinha somente 16 anos e saiu de Teresina para estudar no Colégio Maristas, em Salvador. A obra que chega agora, passados exatos 40 anos do suicídio do escritor, acrescenta, certamente, novas perspectivas e itinerários em torno de sua produção literária. Torquato Neto teve uma vida curta, mas muito fecunda, conforme atestam alguns estudiosos. Talvez pelo período que vivenciou – quase ele integralmente consumido no seu espaço de vida, os agitados tempos de liberdade, criatividade e de sonho interceptados pelo cruel regime da ditadura militar. Torquato nasceu em 1944 e se suicidou em 1972 e sua obra é sintomática da cultura alternativa e rebelde dos anos 1960 e 1970. Seu trabalho é um dos mais significativos para a Tropicália, movimento que fechou seu primeiro cin...