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Boletim Letras 360º #25

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Estivemos lentos durante a semana que findou ontem. Nada demais: o editor do blog também tem vida social e acadêmica; e foi por essa última que as coisas não seguiram o ritmo de sempre. É esta uma das razões que deram o atraso de um dia a este boletim que geralmente se publica aos sábados logo pela manhã ao lado do Boletim no Facebook. Os atrasos por aqui, entretanto, não desfazem as responsabilidades. É hora de saber o que foi notícia entre Arte, Literatura e Comportamento. Anel de Jane Austen. Adquirido pela cantora Kelly Clarkson que agora briga para conseguir leva para casa o produto. Saiba mais ao longo do boletim. Segunda-feira, 05/08 >>> Turquia: Dostoiévski é processado 131 anos após morte Cento e trinta e um anos após sua morte, o escritor russo Fiódor Dostoiévski, um dos maiores nomes da história da literatura mundial, foi processado por incitar o desrespeito a um tribunal. As informações são de reportagem da agência de notícias estatal russa Ria No...

Causos morbidamente contados

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Por Rafael Kafka O último fim de semana foi de uma realização pessoal para mim. Depois de passar quase três semanas do mês de julho em casa, consegui ir com dois amigos, Klyvia e Lenilson, à ilha de Cotijuba. Por aí vejo o nível da conquista pessoal, pois fui com apenas dois amigos à praia e há em mim uma dependência maldita, confesso, de multidões para me divertir. Isso soa muito paradoxal se levarmos em conta que adoro ficar sozinho, com um livro e um copo de café ou cerveja, tendo um aparelho de MP4 embalando a atmosfera com música. Comigo é assim: solidão absoluta ou multidão barulhenta. A viagem foi de dois dias, muito produtiva. Tomamos um goro e batemos papo até altas horas. Tomamos muito banho e pegamos sol demais. Contudo não quero escrever um relato de viagem. Mesmo a ida ao cutelo (apelido popular de Cotijuba) tendo me dado a ideia de pelo menos três textos (esse, uma crônica a mais e um conto realista mágico, ou antes uma tentativa) o fato agora não é tanto os...

Ecos do Modernismo no Rio Grande do Norte: de Fernando Pessoa a Jorge Fernandes

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Por Alexandre Gurgel  Os poetas Fernando Pessoa e Jorge Fernandes A Literatura Portuguesa recebeu um espírito especificamente novo com o modernismo de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e José de Almada-Negreiros, que constituíram uma geração que se exprimiu quase exclusivamente pela poesia. O Modernismo na Literatura Portuguesa surgiu em Lisboa, influenciado e associado às artes plásticas. Esse movimento estético questionou as relações tradicionais entre autor e obra, lançou uma nova concepção da literatura como linguagem. O marco da vanguarda do Modernismo em Portugal, a revista Orpheu , teve apenas dois números, sendo o segundo dirigido pelas figuras mais representativas da poesia portuguesa moderna, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Com os seus heterônimos, Fernando Pessoa contribuiu com quatro poetas extraordinários: ele mesmo, que vai do ocultismo e do nacionalismo à aguda reflexão psicológica e metafísica; Alberto Caeiro; Ricardo Reis; e Álva...

Biologia do homem, de Jorge Reis-Sá

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Por Pedro Fernandes Já por aqui tive a grata surpresa de ler duas representações em gêneros diferentes do escritor português Jorge Reis-Sá. A primeira oportunidade foi o encontro com O dom , um romance. A segunda foi com um livro de poesia Biologia do homem . A partir da primeira experiência, decidi incluir o autor numa leitura comparada que resultou num curso que ministrei em 2011, se não me deixa faltar a memória. A leitura de O dom me deu pano para discutir a relação óbvia e direta que este romance mantém com o Ensaio sobre a cegueira , de José Saramago. A quem interessar saber mais dessa relação, pode ler aqui  algumas notas que escrevi sobre. Sei que Reis-Sá dispõe, do primeiro gênero, outros títulos, Por se preciso , Terra , Todos os dias . Que somente estes textos superam em quantidade os títulos de poesia: além de Biologia do homem , À memória das pulgas da areia , Quase e outros poemas de querença , A palavra no cimo das águas . E mesmo tendo lido apenas do...

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago

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Por Pedro Belo Clara O autor da obra da obra em questão, como será simples de deduzir, dispensa toda e qualquer apresentação prévia a seu respeito. Ou não estivéssemos a falar do prémio Nobel da literatura de 1998 e de um dos nomes mais incontornáveis das letras lusófonas, com lugar de merecido destaque, arrisco a afirmá-lo, no palanque da literatura internacional. Já a obra em si, na sua devida vez, cobre-se de um longo manto de polémica religiosa. Isto deve-se não apenas ao tema que ela aborda (perfeitamente perceptível, em linhas gerais, pela leitura da epígrafe que ostenta), mas pela forma como o mesmo é, desde logo, abordado. De facto, este trabalho mereceu fortes críticas por parte das altas esferas da instituição a que respeita o assunto do mesmo. Talvez por esta obra ter registado um impacto vibrante a nível nacional, eu mesmo, como colunista de serviço, a traga aqui para discussão. Contudo, diga-se que, apesar de tanto aparato, a crítica e a negação de que foi alv...

A poesia de Herman Melville

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Quando estamos diante de um escritor de grande proficuidade é comum recorrermos aos gêneros, entre o mais cultivado, pelos quais ele transitou; é assim que se dão boa parte das grandes descobertas que podem desaguar numa redescoberta do escritor ou a ficarmos apenas com aquilo que de fato o fez estar entre as melhores leituras que já fizemos. Fora do universo dos escritores, no universo comum, muita gente algum dia já se arriscou a desenhar alguns versinhos, nem que seja naquelas situações – delicadas situações – de paixonite aguda (quer dizer ainda supomos que se faça isso). Então, se todos os mortais já se aventuraram por essa seara, esse tipo de aventura tem sido a mais recorrente entre os escritores. Machado de Assis, Rachel de Queiroz, José Saramago, Roberto Bolaño, e a lista se queda para muito longe. Entre os da lista, está Herman Melville. Autor traduzido no Brasil e conhecido por Moby Dick , eleito já um dos grandes romances universais, e Bartleby, o escrivão . Não ...