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Boletim Letras 360º #108

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Esta é uma tela de Van Gogh escondida há pelo menos um século. E ela vai ser exposta. Mais detalhes ao longo deste boletim. O Boletim Letras 360º sai excepcionalmente hoje por uma boa causa. Estivemos durante todo do dia 14 numa maratona poética em celebração ao Dia Nacional da Poesia. Maratona que poderia ser uma virada poética: 24 horas, 24 poetas, 24 poemas, 24 amigos que enviaram material. Vieram mais e gostaríamos de ter publicado todos. Mas, o tempo foi breve; saiu os 24 primeiros. Agradecemos, de coração, a todos que participaram. Dividimos a ação desse ano em três frentes: (a) lembramos as atividades que já fizemos de promoção a leitura de poesia; (b) pedimos a colaboração dos leitores para que nos dissessem quais livros gostariam de ganhar num sarau; (c) elegemos uma lista e pedimos dela que títulos gostariam de ter; (d) e abrimos para receber os poemas. Publicado os poemas vem a última parte da maratona: continua aberto à partilha todos os poemas até o dia 22. Os 4 mais...

Notas sobre O ano da morte de Ricardo Reis

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Por Rafael Kafka Nelson Rodrigues era a favor da ditadura militar. Tradicional pensador conservador (perdão pelo pleonasmo), Nelson era um ser que demonizava o ser feminino em suas obras, que diga-se a verdade eram muito bem construídas em cima de um pensamento misógino. Nelson dizia que não havia tortura nos métodos censores dos militares até ele ter seu filho Nelsinho preso pela mesma ditadura e torturado. Não conheço o resto da história, mas fico a pensar em como ele deve ter ficado estarrecido ao ver sua verdade sendo tornada mentira assim. Jack Kerouac, o Buda da geração beat , escreveu mais de vinte livros entre prosa e poesia, fora suas correspondências e diários. Um escritor de mão cheia que fazia da realidade a sua obra por entender, como diz Barthes, que a literatura é linguagem e por mais que se queira fazer da literatura realismo intenso, ela se nega a isso, por ser representação. Kerouac, esse escritor de mão cheia, que em Big Sur fala do desespero da existênc...

Promoção mês da poesia

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Esta promoção é dividida em duas partes. PARTE 1 A primeira tem início no dia 13 de março com os leitores que acompanham o Letras no Facebook enviando-nos poemas. No dia 14, Dia Nacional da Poesia serão partilhados os 24 primeiros poemas. Até o dia 21, os quatro primeiros poemas mais partilhados levam à escolha um dos livros seguintes: 1. Poemas negros , de Jorge de Lima (Cosac Naify) 2. Meu quintal é maior do que o mundo , de Manoel de Barros (Alfaguara Brasil) 3. Dever , de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras) 4. A vaca e hipogrifo , de Mario Quintana (Alfaguara Brasil) 5. Tempestardes , de Leonardo Chioda (Editora Patuá) PARTE 2 No dia 21, Dia Mundial da Poesia começa a segunda parte da promoção. Não teve chance de participar na primeira fase, pois participe dessa: desses títulos quais você gostaria de ganhar? Sertão sorteado também 4 leitores. Para isso (1) deve partilhar o aviso disposto no mural do Letras no Facebook, (2) vistar o álbum dos 24 poemas ...

Sniper americano, de Clint Eastwood

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Onde está a glória de uma guerra? Não existe glória numa guerra. Onde está, numa guerra, o bem e o mal? Não existe lados numa guerra. Ainda mais se essa guerra for a mais recente comandada pelos Estados Unidos contra o Iraque sob a alegação estapafúrdia de combate ao terrorismo e às armas químicas. Mas, Clint Eastwood contraria o bom senso e produz um filme que é uma louvação à guerra e soa, no fim de tudo, um trabalho patético pela maneira rasa como a narrativa desenvolve a questão e revalida toda uma estereotipia do típico herói estadunidense; só os Estados Unidos é signo da civilização e o resto do mundo é “selvagem” (para usar o termo designativo dos soldados em Sniper Americano em relação aos iraquianos). Talvez isso tenha sido proposital? A cinematografia do louvor ao próprio ego (nacionalista) parece andar um pouco mal das pernas e o diretor viu aí uma chance de reavivar o espírito belicista de um país que, mesmo ameaçado por todos lados, insiste à fina força em ...

Um ponto final na busca por Cervantes?

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Não há um esqueleto inteiro. E nunca haverá. Já se passaram quatro séculos desde a morte de Cervantes. Mas, segundo se suspeita, será anunciado em breve a descoberta dos restos mortais do escritor numa ampla pesquisa conduzida por uma equipe de especialistas durante recente exploração de nichos e tumbas na cripta do convento madrileno das religiosas trinitárias ( ver esquema abaixo ). Serão revelados, primeiro, que tanto documentalmente como realmente , o cadáver de Cervantes não saiu nunca dos muros do convento; se foi transladado foi de lugar para outro dentro da cripta que antigamente foi a igreja do convento demolida e reedificada entre 1673 e 1690. Em segundo lugar, mostrará que um fragmento da mandíbula de Cervantes e outros de vários ossos seus foram achados num ataúde assinado com as iniciais de seu nome e a matéria estava imersa entre uma grande quantidade de ossada de crianças, encontrada no primeiro nicho dos 33 explorados pelos investigadores. O número de ves...

Como era cinza o meu vale. “A estrada”, de Cormac McCarthy

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  Por Alfredo Monte A obra de Cormac McCarthy, se é que se pode julgá-la por apenas três títulos lidos ( Meridiano de sangue ,  Todos os belos cavalos ,  Onde os velhos não têm vez ), demonstra nítida tendência ao apocalíptico, com suas histórias ambientadas numa espécie de limiar do universo, mais próximas do caos e da barbárie primordial do que de pálidos esforços civilizatórios. Como bom descendente de William Faulkner, porém, ainda assim nos deparamos com toda uma escala de valores morais permeando esse território de desolação. A estrada  (tradução de Adriana Lisboa para The Road ), que ganhou o Pulitzer como a melhor ficção de 2006 nos Estados Unidos, se passa num futuro em que a civilização como a conhecemos acabou: um homem e seu filho vagam em direção a um incerto Sul, mais quente, numa  waste land  invernal em que tudo virou ruínas, os sobreviventes que se encontra são perigosos, até canibais (uma mulher dá à luz e o cadáver do seu bebê é...