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O novo romance de Harper Lee

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Já findou as peregrinações ao número 20/23 da Rua Greville de Londres. Editoras de meio-mundo estiveram aí para negociar a publicação dos papéis recém-descobertos de Harper Lee, Go, set a watchman . O manuscrito é o embrião de um clássico da literatura estadunidense, O sol é para todos , aparecido agora 55 anos depois. O entusiasmo para aquisição dos direitos é coisa rara no mundo dos leilões editoriais; e desde o anúncio do inédito na manhã de 3 de fevereiro de 2015, em Nova York, que as edições do primeiro romance logo desapareceram das livrarias e o título passou a figurar na lista dos mais vendidos. No Brasil, a edição já tem data de publicação: final de julho – apenas duas semanas depois de ser publicada nos Estados Unidos. No país da escritora a edição terá uma tiragem de 2 milhões de cópias. Aqui ainda não se tem notícia sobre cifras, mas é a José Oympio, editora que já publicou o único romance de Lee há algum tempo, que ficou com a incumbência de trazer a esperad...

Grandes miudezas a Manoel de Barros

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Por Pedro Fernandes Poucos poetas brasileiros terão alcançado entre os leitores a singularidade que Manoel de Barros alcançou, ainda que seja acusado de permanência no mesmo, sobretudo, na ocasião em que se esperou dele a tomada de outro impulso mesmo no seu pequeno universo de miudezas e não tomou. Certamente por escolha própria e sobre essas decisões pessoais não se deve dizer nada mais e acatá-las como um senso do poeta. Cada escritor, a certa altura, mede o já-feito e, mesmo que não tenha para si nenhum projeto literário, faz uma tomada de escolhas que já a própria obra lhe delega. Há na construção de sua obra uma coisa cara aos poetas de hoje e cara para outros nomes de seu tempo. Penso na poética de Thiago de Mello, por exemplo. Esbocemos o mal para depois dizer a estratégia adquirida pelo poeta pantaneiro. É que movido pelo excesso da aparição midiática, por uma necessidade de ser a todo tempo lembrado, por uma ambição sempre capaz de desatinar qualquer obra ou po...

A Brasileira e Pessoa

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Por Pedro Fernandes Ir a Lisboa e não ir ao café Brasileira, no Chiado, não é ir a Lisboa. Ainda mais se o viajante estuda literatura em língua portuguesa. O que tem a ver um café com a literatura, perguntarão de imediato. Tudo – responderão ao fim deste texto. Tudo – responderei eu com este texto. E pode ser que não responda. Assim como pode ser que a primeira afirmativa seja apenas a impressão de um viajante que quer estar nos lugares cuja relação de afetividade prevaleça sobre o simples fato de estar. Todo lugar tem sua história. Uns, mais histórias que outros. E eu, numa escala de preferência, sempre irei preferir esses uns . No meu caso, a primeira imagem que me leva à Brasileira e que está marcada erroneamente na memória é a de Fernando Pessoa junto ao balcão de uma recepção a bebericar uns tragos de vinho ou coisa próxima. Sempre acreditei, porque me disseram errado ou porque li errado em alguma parte que este era um retrato tomado na Brasileira onde o Pessoa gos...

Herberto Helder

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Herberto Helder num dos últimos registros fotográficos. Alberto Cunha Herberto Helder construiu ousadamente aquilo que mais rareia na literatura contemporânea. Fora toda exposição imposta pela mídia e todo apelo também imposto pelo mercado em torno do escritor fazer um nome e uma obra – ou por que não construir-se como mito. Provou a todos que ser escritor não é (e nunca foi) ser uma estrela do show business, que um escritor não pode estar submisso aos afagos do ego. No fim da sua vida pode ser que a estratégia tenha caído nas graças do capital que via na reclusão do poeta uma possibilidade de trabalhar em torno da valoração da sua obra a partir da inacessibilidade e com isso tenha se exagerado ao limite de transformar sua opção fora do estrelato em produto. A morte sem mestre – seu último livro – prova isso. Não estamos diante de uma poesia de excelência como a já praticada em títulos anteriores, mas o merchandising da tiragem limitada somada a uma aparição nã...

Boletim Letras 360º #110

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Uma semana que inicia o fechamento do Mês da Poesia. Depois de enviarmos quatro livros de poemas aos amigos do Letras, estamos ofertando outros quatro. Visitem nosso Facebook e saibam como fazer para ganhar. Mas, um Mês da Poesia do qual saímos mais pobres: estamos sem Herberto Helder e sem Tomas Tranströmer. E isso num curso espaço de tempo. Mas, o que fazemos? A vida é assim: passageira. Leia mais informações sobre ao longo de nosso boletim mais as outras notícias que circularam essa semana em nossa página no Facebook.  O centenário de uma revista que extrapolou suas pretensões para ser eterna. Orpheu . Ao longo deste boletim informações sobre celebrações pela passagem da data. Segunda-feira, 23/03 >>> Portugal: 100 anos de Orpheu 1. Brasil e Portugal celebram uma das datas mais importantes para o movimento modernista: o centenário da Revista Orpheu . A parceria entre países é celebrada no grande colóquio interpaíses 100 anos de Orpheu. 2. Em terras...

Anjos da desolação, de Jack Kerouac

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Por Rafael Kafka Jack Kerouac não era um primor como escritor. Isso é perceptível em seu clássico mais comentado, On the road. Mas sempre cabe a tentativa de procurar entender em que contexto, em qual parâmetro, Kerouac não era um primor de escritor. Realmente, se olharmos os clássicos e suas escritas trabalhadas com sintaxe profunda e perfeita, veremos nele um escritor amador, movido apenas pela empolgação. Mas se olharmos os parâmetros literários do século XX, em que a escrita se torna menos formal e mais apaixonada, veremos Kerouac como o que ele realmente é: um Buda da escrita espontânea. Em meu último texto, fiz uma comparação um tanto que colocando Kerouac contra a parede: a comparação citada no começo do meu texto sobre O ano da Morte de Ricardo Reis  ( leia aqui )   focava no aspecto pouco político da obra de Jack que era reflexo de seu temperamento até mesmo alienado diante das questões políticas que pululavam no período pós Segunda Guerra. Porém, para...