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Um romance sobre o romance de Fernando Pessoa com Ofélia Queiroz e outros títulos que têm o escritor português como personagem

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Esperou que todos do escritório fossem embora; esperou que ela colocasse o casaco e, perturbado, se dirigiu à porta. Ali, sobre o batente, Pessoa se acomodou e a beijou ardentemente, como nunca havia beijado uma mulher. Como nunca beijou outra mulher. Aquela noite de 24 de janeiro de 1920 ficou gravada na memória de Ofélia, mas não tanto na de Fernando. Ela tinha 19, ele 32: “Fiquei doido, fiquei tonto... / Meus beijos foram sem conto, / Apertei-a contra mim, / Aconcheguei-a em meus braços, / Embriaguei-me de abraços... / Fiquei tonto e foi assim...”, escreveu o poeta. Paixão, inquietação e desassossego, muito desassossego, são os ingredientes com os quais Luis Morales escreve Um amor como este , romance que recria   um dos grandes casos de amor mal resolvido do mundo literário no século XX do mundo literário: o de Fernando Pessoa com Ofélia Queiroz, a única mulher na vida do atormentado gênio português. Não há nada de novo no material que serviu de base a Mo...

Boletim Letras 360º #130

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Cora Coralina na juventude. Filme conta a história da poeta descoberta por Carlos Drummond de Andrade. Mais detalhes ao longo desta post. Quem teve o privilégio de acompanhar o trânsito diário de postagens em nossa página no Facebook terá notado que esta semana, apesar de não-atípica esteve recheada de excelentes notícias; quem não, pode ler que excelentes notícias foram essas agora. Só gostaríamos de registrar, já que estamos falando de nossas publicações fora do blog, que esta rede ultrapassou o número de 19 mil amigos. Apesar da baixa interação entre os do grupo, alcançar essa quantidade de pessoas nos faz crer em duas coisas: um, a literatura não está de um todo morta; dois, nosso trabalho enquanto blog tem impacto significativo na vida desses leitores. Seria que até o final do ano alcançaríamos dobrar esse público? E as demais redes sociais? Se está passando por aqui e ainda não nos acompanha, não hesite em fazer parte desse país de letras. Há por toda parte possibilidades ...

A misandria libertária da menina má

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Por Rafael Kafka Poucos homens têm a capacidade de entender e expressar de forma profunda tal entendimento da condição feminina em seus textos como Mario Vargas Llosa. Isso fica bastante evidente nas diversas análises psicológicas feitas pelo autor no sentido de explorar as minúcias do machismo existente na sociedade ocidental em obras suas como Conversa na catedral ou A casa verde. Mas talvez tenha sido em A festa do bode onde mais vi evidenciada a sua capacidade de explorar o modo como as mulheres são oprimidas em nossa civilização tida como racional. Urania representa todos os abusos sofridos por mulheres. Em um jogo político podre, cheio de artimanhas das mais baixas, como ocorre em qualquer regime totalitário, Urania se vê de repente na necessidade de ceder o seu corpo e sua virgindade a um ditador para, quem sabe, salvar a vida do pai que se encontra arruinado. Após isso, a moça assume uma postura isolada, fugaz em relação a toda e qualquer relação amorosa, passa...

A amiga genial, de Elena Ferrante

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Por Pedro Fernandes Antes de tudo, gostava de me repetir sobre toda uma série de historiazinhas que vão formando uma aura mítica em torno da escritora italiana (ou escritor); resumo todas elas com essa impossibilidade de não precisar qual a verdadeira identidade de Elena Ferrante. Alguma vez escrevi que me chama atenção o sujeito da palavra que não necessita da exposição imposta pelo aparelho midiático (ainda mais nesse tempo de sorrisos falsos) e mantém um o trabalho silencioso para que, não a imagem, permaneça somente a obra. A história da literatura está cheia de figuras dessa natureza e, tomara que a italiana tenha tomado todas as precauções de fazer durar (ou quem sabe, nunca revelar, já imaginou?) quem é a autora (chamemos assim) por trás de sua obra.  O livro que chegou ao Brasil agora em 2015 pelo selo Biblioteca Azul / Globo Livros é o primeiro de uma tetralogia designada por “série napolitana”, por cobrir parte significativa da história de um grupo diverso ...

Nelson Rodrigues contra a moral e os bons costumes: "Álbum de família"

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Por Alfredo Monte Após o sucesso, em 1943, aos 31 anos, com a montagem clássica de Ziembinski de  Vestido de noiva , Nelson Rodrigues (1912-1980), no mesmo período em que produzia folhetins de galopante sucesso ( Meu destino é pecar , Escravas do amor , Núpcias de fogo ), sob o pseudônimo Suzana Flag, escolheu um caminho suicida, por assim dizer, no teatro, escrevendo quatro peças desafiadoras e radicais 1 , das quais só uma não foi interditada pela censura ( Doroteia ). Das outras três ( Álbum de família , Anjo Negro , Senhora dos Afogados ), a que permaneceu censurada por mais tempo foi a primeira. Escrita em 1946, foi liberada apenas em 1965 (e montada apenas em 1967)! Não era para menos, se atentarmos para a “moral” da época. Num horizonte dramatúrgico, onde avultavam as comédias e dramalhões edificantes, e no qual  Vestido de noiva  já representava uma experiência audaciosa e revolucionária, uma peça em que todos os personagens são ...

A verdade, essa grande versão

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Por Berna González Harbour ilustração (detalhe): Fernando Vicente Verdade ou versão? A aliança entre realidade e literatura, entre o vivido e o contado, é um casamento tão inabalável como sensível. E fantasioso. Ou, por acaso, alguém pode colocar a mão no fogo pela autenticidade de uma memória, de uma história, ou pela originalidade de uma frase, uma trama, uma obra? As sensações podem ser dignas de darmos crédito, e sempre com essas, mas os episódios da própria e da vida alheia transladados para o livro podem ser espelhos côncavos nos quais não havemos de confiar. Três escritores com maiúscula e uma lúcida psicóloga refletem de diversos pontos de vista sobre a verdade e a literatura em livros considerados imprescindíveis para um gênero minoritário, sim, mas irresistível: a escrita sobre a escrita. Sobre a arte, sobre os motores da criação. São Quarenta e uma tentativas falidas , de Janet Malcolm, A boa história que recolhe um intenso debate entre o escritor Prêmio Nobe...