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O desvelar da existência em Beleza americana

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Beleza americana me faz pensar nas obras de Clarice Lispector que terminam com a morte da personagem central em seu momento de maior graça existencial. Tal momento é como que o desvelar de uma verdade absoluta a qual revela ao ser que a tem o caminho para uma vida mais autêntica. Lester, personagem central do universo dirigido por Sam Mendes, passou a vida preso a um padrão familiar e por isso se revela como a prova viva de que o modelo de família tradicional é falho quando se torna algo sem sentido, mantido apenas para causar sentimento de pertencimento ao ciclo social tido como normal. Quando isso ocorre, há a negação de que outros modelos familiares podem, também, ser fonte de felicidade, como se houvesse um código – e na verdade muitos de nós pensam que ele exista de verdade – que impeça que haja amor além das fronteiras impostas por nossa linguagem. Lester e sua esposa, porém, estão ocupados demais com sua própria tragédia para tentar anulas outras formas de felicidade,...

A definição do amor, de Jorge Reis-Sá

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Por Pedro Fernandes Jorge Reis-Sá visita um tema que não é novo na literatura (aliás qual é esse, se, desde sempre, a literatura é variação dos mesmos tons). O tema em questão é o da ausência do outro que se ama. Da literatura portuguesa recente é possível citar de passagem pelo menos três romances que reconstroem, cada um à sua maneira, sobre: António Lobo Antunes fez reiteradas vezes e com maestria em obras como Sôbolos rios que vão , José Luís Peixoto fez em Morreste-me , e Inês Pedrosa, em Fazes-me falta . Das três, a última parece ser a que mais se aproxima A definição do amor . Fazes-me falta é construído como um jogo entre dois narradores – um ponto de vista masculino e outro feminino – que se conversam pela ausência, visto que ela está morta, sobre um amor possivelmente nunca realizado. No romance de Jorge Reis-Sá, o ponto de vista é só o do homem que, às voltas com a mulher num leito de hospital condenada à morte, reflete sobre a ausência dela na sua vida e a...

Dois anos, oito meses e 28 noites, de Salman Rushdie

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Por Luisgé Martín Salman Rushdie foi marcado há anos com um destino que obscureceu publicamente sua grandeza literária; suas últimas obras, depois disso, não voltaram nunca à mesma altura de Os versos satânicos e, também, Os filhos da meia-noite . De modo que o escritor tem se convertido mais num mártir ou numa personagem icônica e não num escritor respeitado. Este novo livro poderia ajudar a corrigir esse desvio de caminho, o que faria Salman Rushdie um dos maiores nomes vivos da literatura de nosso tempo. Dois anos, oito meses e 28 noites são exatamente mil e uma noites; esse é o modelo que, com um olhar irônico, ele emprega na construção desse livro: um romance cheio de histórias triviais, marcadas pela fantasia delirante, e de indignação imaginativa sobre a natureza humana. Salman Rushdie quis ser a Sherazade de nosso século, mas o empenho não parece ser grande o suficiente. Isso, não serve em nada para desmerecer a riqueza da obra ora publicada. ...

A prosa de Ana Cristina Cesar

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Toda vez que um leitor encontra a poesia de Ana Cristina Cesar reunida na primorosa edição que, no mesmo rastro do livro com a obra poética de Paulo Leminski galga espaços em estantes diversas Brasil afora, é de saltar a busca pela resposta sobre como seria ter entre nós em atividade uma poeta cujo talento se revela ainda na criatividade de quando criança e se aperfeiçoa naquele tempo em que para muitos não é mais que o de experimentação – afinal, mesmo que não haja um tempo para a poesia, é verdade que a maturidade é, sem dúvidas, quando podem os deuses soprar o seu melhor ao poeta. A título de curiosidade, sobretudo para aqueles que não têm a edição de Poética , Ana C., como gostava de ser chamada, e nome pelo qual podemos identificar como o de sua persona poética , publicou pela primeira vez quando tinha só sete anos no jornal Tribuna da imprensa ; e amigos íntimos da poeta, como o também poeta Armando Freitas Filho, lembra reiteradas vezes que muito nova ditava coisas para qu...

No teatro de Arthur Miller, as mulheres em segundo plano

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Por Lourdes Ventura Cena de uma das adaptações de As bruxas de Salém para o teatro. Aqui, em 2003, pelo grupo CCM. Em certos dramas de Arthur Miller as mulheres parecem destinadas a gravitar como satélites ao redor dos protagonistas masculinos, heróis fracassados que carregam o peso do mundo. Se a família é o núcleo centro para evocar as pressões sociais sobre os indivíduos, a figura da esposa-ama da casa contribui para a projeção de uma sombra, um sujeito em segundo plano. O professor Jeffrey Mason considera que nas obras iniciais de Miller os papéis femininos pertencem a dois estereótipos: o da esposa e o amante. As primeiras são complacentes e sacrificadas e as segundas tentadoras e sensuais; em ambos casos, com personalidades passivas, sem individualidade própria e só definidas em relação com os homens. Martin Gottfried chega a dizer que “as obras de Miller são essencialmente histórias de homens”, mas um olhar mais atento sobre Linda Loman, a mulher-esposa em A morte...

Boletim Letras 360º #183

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Reedição da obra de Vater Hugo Mãe no Brasil sai já com dois títulos. Mais informações ao longo deste Boletim. Aqui estão as notícias que fizeram mais uma semana no Facebook do Letras; o boletim vem com a novidade de que, em breve soltaremos a promoção dos 40 mil amigos! Sim, somos uma cidade literária no Facebook! Segunda-feira, 15/08 >>> Brasil: Novos livros de Wislawa Szymborska ganham tradução por aqui até 2017 Dia desses anunciamos a publicação pela Companhia das Letras de um novo livro de poemas da poeta ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996. Muito antes divulgamos a chegada ao mercado editorial brasileiro de uma nova editora: a Âyiné. Agora, juntem as duas notícias. Isso mesmo! Um nome que só passou a circular no país com mais frequência a partir de 2011 terá mais dois motivos para ser sempre lembrado: a Âyiné trará em 2017 um volume com a crítica literária e outro com as colagens (acompanhadas de breves poemas) de Szymborska. >>> Brasi...