Postagens

Vinte e uma obras recentes do romance francês

Imagem
Jean Marie-Gustave Le Clézio ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2008; seis anos depois, um compatriota seu, Patrick Modiano, recebia também o galardão mais importante das letras. A França foi a terra de Stendhal, Balzac, Flaubert e na atualidade continua tendo uma diversidade de romancistas de primeiro nível. Embora nem sempre sejam nossos conhecidos, pela maneira tímida como suas obras circulam por aqui, a lista a seguir chama atenção para o que podemos dizer "estes são nomes do primeiro quartel do século XXI para se ter em conta". É impossível ficar só num romance de Modiano, mas muitas de suas obsessões estão nas páginas que circulam no Brasil, que, muito recente recebeu duas trilogias do escritor: Para você não se perder no bairro ( Ronda da noite ,  Uma rua de Roma , vencedor do prestigioso prêmio Goncourt em 1978, e  Dora Bruder ) e Essencial ( Flores da ruína , Remissão da pena e Primavera de cão ). Algo semelhante acontece com Le Clézio, que nesta lis...

Eu sei que nunca se dirá tudo o que a poesia é

Imagem
Por Pedro Fernandes A constatação exibida neste título é de Sophia de Mello Breyner Andresen; aparece num texto recuperado pela edição 10 da Revista 7faces publicada em 2014, mas data dos anos 1960 quando é apresentado no oitavo número da Colóquio / Letras, periódico da Fundação Calouste Gulbenkian. Na passagem da primeira década do século XXI, se ensaiou no Brasil uma entrada da obra da portuguesa. No mesmo ano da aparição da revista brasileira, a extinta Cosac Naify chegou a editar dois contos de Sophia: A menina do mar e A fada Oriana . Depois disso nada mais foi feito para que a aparição da luz do cometa se convertesse entre nós em algo mais que um ponto cintilante. O momento não foi único. Exatamente dez anos antes, apareceu uma antologia organizada por Vilma Arêas, Poemas escolhidos . Porque Sophia, se tornou reconhecida como poeta, este momento, aliás, pareceu mais verdadeiro para os que esperavam por ver sua obra editada no Brasil. Mas, gorou em definitivo. Não...

Do Globe para o globo: Shakespeare in loco

Imagem
Por Guilherme Mazzafera Gonçalo Viana. William Shakespeare´s portrait for a feature marking the 400th anniversary of his passing. Toda biografia é uma espécie de ficção: há um esforço inato da imaginação para preencher as lacunas deixadas pela história com o intuito de compor uma imagem una, concreta e factível do ser representado. Toda biografia é uma aspiração ao verossímil, e não à verdade, que não há, sendo sempre uma construção interessada e erigida sobre pontos de vista específicos que cabe ao leitor rastrear. Posto de outro modo, o biógrafo é como um poeta que tem ao seu dispor um arsenal de recursos materiais (as palavras em estado de dicionário ou em imanência no corpo de outras obras), cabendo ao artista a capacidade de unir, alijar e ressignifcar tais palavras, daí a importância de preposições, conjunções e espaços de não palavra na composição e leitura de um poema.   Não é à toa que o mais difícil em decorar versos está em internalizar estas p...

Boletim Letras 360º #273

Imagem
Uma edição turbinada de informações excelentes que fizeram a semana em nossa página no Facebook . Reabra espaço nas listas de leitura – é impossível sair daqui sem querer ler mais. E, por falar em listas de leitura, na segunda-feira, 14 de maio de 2018, esteja atento  à nossa conta no Instagram : publicaremos nossa nova promoção.  Eduardo Lourenço em cena do novo filme de Miguel Gonçalves Mendes. Mais informações ao longo deste Boletim. Segunda-feira, 07/05 >>> Brasil: Quem dedurou os Frank? A pergunta cuja resposta alguma suspeita foi recentemente revelada, cf. dissemos por aqui noutra post, dá forma a um novo livro sobre Anne Frank Quem se dedica à resposta é Vincent Pankoke, um agente aposentado do FBI. Ele lidera uma investigação que envolve uma equipe multidisciplinar, novas técnicas e moderna tecnologia – e que promete novos resultados para 4 de setembro de 2019, 75 anos depois de o esconderijo da família Frank e de outros quatro ...

Henriqueta Lisboa: ressonâncias de uma leitura

Imagem
Por Márcio de Lima Dantas  Para Daura, prima minha Uma das maiores alegrias que tive na minha vida foi quando um funcionário da Poty Livros me ligou dizendo que tinha conseguido o volume número I das Obras Completas: poesia geral (1929-1983) da poetisa mineira Henriqueta Lisboa. Esse acontecimento me evocou a personagem do conto "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector, cuja alegria maior foi conseguir emprestado, após se submeter a uma série de perversas humilhações de uma amiguinha, o livro de Monteiro Lobato As Reinações de Narizinho .  Diferente da personagem, menina pobre ávida por leituras, meses antes fizera eu o pedido à livraria, mais uma das inúmeras tentativas impetradas de localizar alguma coisa da poetisa, pois tudo o que lera fora através de antologias. Sempre que ia a algum sebo ou livraria repetia inexoravelmente as mesmas palavras: - Você teria alguma coisa da Henriqueta Lisboa? Mas eu vou segredar uma coisa; agora, não digam a ningué...