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Philippe Jaccottet partiu à luz do inverno

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Por Pascal Maillard Philippe Jaccottet. Foto:  Ayse Yavas   Depois da morte de Philippe Jaccottet em 2021, viramos mais uma página na história da poesia. Sentimos que deixamos definitivamente para trás a literatura do século XX. Nascido na Suíça em 1925, Jaccottet foi o último de uma geração de grandes escritores. A geração dos anos 1920. Ele era um ano mais novo que André du Bouchet; dois anos mais novo que Yves Bonnefoy, falecido em 2016; cinco anos mais novo que Jean Starobinski, que nos deixou em março de 2019. Ele também era dois anos mais velho que Jacques Dupin, falecido em 2012.   Uma mesma geração. Quatro grandes poetas: Du Bouchet, Dupin, Bonnefoy, Jaccottet. E a amizade os unia. Jean Starobinski foi um dos maiores divulgadores de suas obras. Começaram a escrevê-las na década de 1950. Vários pontos em comum os uniam: o distanciamento do surrealismo; a desconfiança compartilhada em relação às imagens; uma poesia ética fundada no sujeito e na verdade do vínculo co...

Boletim Letras 360º #650

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DO EDITOR   Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto e ainda ajuda a manter o Letras . Mahmud Darwich. Foto: Denis Dailleux   LANÇAMENTOS   A editora Tabla publica mais dois novos livros da obra do poeta palestino Mahmud Darwich .   1. Publicado originalmente em 1995, Por que você deixou o cavalo sozinho? marca um ponto de virada na trajetória literária e política do poeta palestino Mahmud Darwich. É uma obra profundamente lírica, que combina memória pessoal, identidade coletiva e reflexão poética sobre o exílio e a perda. O título tem origem em uma pergunta feita por uma criança ao pai durante a fuga da aldeia de Albirwe, no norte da Palestina, quando os habitantes foram forçados a deixá-la em 1948, na ocasião da Nakba. Assim, o cavalo simboliza o lar e a ligação com a terra natal. A pergunta, aparentemente simples e inocente, carrega o peso de uma perda irreparável. A obra é composta por uma sequência de poemas...

As fábulas, instruções de uso para o presente

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Por María Irastorza Paul-Alfred Colin. Le petit chaperon rouge   Às vezes, as maiores verdades não vêm das mãos de um filósofo, mas sim na forma de um porco usando um capacete. Nós, adultos, chamamos isso de ficção infantil para podermos depreciá-lo com superioridade acadêmica, enquanto continuamos a recorrer a ele sempre que a realidade excede o nível de dificuldade de uma manhã de segunda-feira. E, no entanto, nessas histórias que fingimos ter esquecido — aquelas sobre animais falantes, meninas desobedientes e bonecos com complexos de espécie — há mais sabedoria política, econômica e psicológica do que muitos diplomas universitários conseguem condensar.   Quando crianças, nos disseram que Os três porquinhos ensina a importância do esforço. Como adultos, entendemos que também explicam, com surpreendente precisão, o sistema previdenciário, o planejamento tributário e a arquitetura emocional. Um brinca, outro improvisa e o terceiro é obcecado por fundações. Então vem o lobo, ...

Sem perdão por amar

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Por Júlia Fernandes de Oliveira   Todos os que já chegaram à vida adulta já experimentaram a desilusão e as penas do fim de uma relação amorosa em que investiram o melhor de si. Esse é o tema dos dez contos que compõem o mais recente livro do escritor mineiro Adriano de Paula Rabelo, que acaba de ser publicado pela editora Minotauro, selo do grupo Alta Books. Impressiona a variedade das formas de seus textos, bem como a maneira envolvente como são escritos. Explorando diversas facetas dessa temática, Rabelo conduz o leitor por amores juvenis e maduros, hétero e homoafetivos, tradicionais e modernos, profundos e superficiais.   A escrita é ágil e reflexiva. Os personagens são complexos, às vezes engraçados, muitas vezes tristes, sempre frágeis como somos todos nós. A atmosfera é cativante, mesmo quando o autor expõe a violência e o patético de tantas rupturas amorosas. As formas dos textos variam bastante, como já se observou, indo de minicontos enfeixados numa série, passando ...

Retrato de uma jovem em chamas: nenhuma mulher é uma ilha

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Por Ana Rosa Gómez Rosal Drama lésbico. Romance homossexual. Despertar lésbico. Olhar masculino/ feminino ( male / female gaze ). Feminismo. Amor feminino. Desejo feminino. Só mulheres. Mulheres sozinhas. Poderíamos enumerar categorias do Wattpad, sites pornográficos projetados para aliviar os clientes mais sensíveis e sensibilizados em relação às festividades de 8 de março e 28 de junho, ou exatamente o oposto. Podem ser termos da lista de palavras censuradas pelo e durante o governo Donald Trump, ou as buscas recorrentes no Google por Hazte Oír e Abogados Cristianos (Advogados Cristãos) para cerrar os punhos com força e proclamar o fim das famílias heteronormativas ultraconservadoras, ou seja, o apocalipse.¹   E, bom, sim, talvez muito do que foi dito acima seja verdade, mas também são as expressões mais repetidas nas críticas e resenhas internacionais de Retrato de uma jovem em chamas , o filme de 2019 dirigido e escrito por Céline Sciamma. E é compreensível. É fácil (e cômodo) ...

Nada mais do que isto — os aprovisionamentos literários de Hélvio Tamoio

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Por Lucas Paolillo   Enfim, como outros tantos rincões, em Tamoio, os trabalhadores, os moradores, as criaturas em estátuas e memórias foram cobertas pelo tapete verde na imensidão de canaviais que absorvem o interior paulista. Tudo de uma maneira rápida e nada silenciosa. A usina Tamoio foi engolida pela ventania atroz de um tipo de desenvolvimento da produção da vida que não leva em conta a criatura humana. Quem sabe, como o engenho Fortaleza e outros sítios adquiridos por Morganti para a formação da agroindústria. No entanto, nessa terra de passagem nos dispomos a admitir a promessa de outros renascimentos. A busca de outras terras onde pudéssemos expor todas as nossas potências. Não perdendo, nem nos momentos de maiores arrasamentos, a miragem do porvir.   — Hélvio Tamoio, “Algumas considerações afinam” (2008) Foto: Silvana Simão     Nos dias que correm, Hélvio Tamoio continua a buscar a produção crítica consciente. Continua também, junto a outros fazimentos e aç...