Livro de urgências, de Jonas Leite
Por George Henrique Jonas Leite. Foto: Heudes Regis Que imagem teria o instante no contemporâneo? Os signos disformes na capa do Livro de urgências , o terceiro volume da poesia de Jonas Leite, parecem oferecer uma pista. É que o contemporâneo é árduo de se decifrar, de se abarcar com acepções encerradas; ele escapa, por mais que tentemos examiná-lo. É um escape irônico, aliás, porque não se trata de um distanciamento; na realidade, estamos tão embebidos nele que, por vezes, ponderar sobre seus efeitos e modulações parece uma tarefa bastante difícil. Todavia, essa parece ter sido uma tarefa que o poeta empreendeu no livro supracitado. Sua dicção é marcada pela concisão, que parece já nos atentar para a demanda de urgência, uma marca insigne do contemporâneo, ao passo que estabelece um diálogo com o estilo de mestres como Orides Fontela, ou Olga Savary, mas, sobretudo João Cabral de Melo Neto. Isso porque, como caracteriza Lourival Holanda (2026), ao falar da poética de Fontela, os...