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Mostrando postagens com o rótulo Caio Fernando Abreu

Pela noite, de Caio Fernando Abreu

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Por Pedro Fernandes Caio Fernando Abreu. Foto: Louis Monier  A eterna solidão de um romântico fora do tempo. Esta frase bem poderia ser lida como uma síntese mais ou menos coerente sobre a obra de Caio Fernando Abreu e, por extensão, constituir um designativo da natureza do próprio escritor. Se fôssemos em busca de uma arqueologia de sua formação, certamente encontraríamos em sua base, entre outras influências evidentes (algumas delas inscritas vivamente ou disfarçadas na sua obra), Clarice Lispector e Hilda Hilst. Da primeira, emulou a lida com o interior e as consciências em estágio de perturbação pelo passado ou pelo iminente; da segunda, certo apelo para o corporal, os fluxos do desejo e das liberdades de sentir. A apropriação dessas duas escritoras se perde no embuço que vestiu para trazer ao centro do literário situações e figuras condenadas ao silenciamento e, se apresentadas, tomadas pelo risível ou pela degradação punitiva de uma ordem que apesar de abrigá-l...

Caio Fernando Abreu: traços biográficos, obra e aspectos da ficção

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  Por Francisco Aedson de Souza Oliveira Caio Fernando Loureiro Abreu, o filho de Dona Nair e seu Zaél, nasceu em Santiago do Boqueirão em 1948 e faleceu em 1996, na cidade de Porto Alegre. Além de escritor foi dramaturgo e jornalista. Viveu por muito tempo em São Paulo e Rio de Janeiro, além de em vários países da Europa. Apesar de seu curto período de vida, publicou mais de dez livros de ficção, entre eles dois romances: Limite Branco (1971) e Onde andará Dulce Veiga? (1990), bem como escreveu várias peças de teatro e uma grande quantidade de cartas. Porém, a maior parte de sua produção, como ficcionista, consiste em contos reunidos em antologias. Estreia no gênero com a publicação de Inventário do Irremediável em 1970, através do qual recebera o prêmio Fernando Chinaglia do mesmo ano e, em seguida, publica O ovo apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), Morangos mofados (1982), Os dragões não conhecem o paraíso (1988), Ovelhas negras (1995), Estranho...

Dois Caios por conhecer

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Já havíamos noticiado na fan page do Letras dos inéditos de Caio Fernando de Abreu que estavam por vir. Foi por esses dias que demos com uma matéria no Portal Saraiva Conteúdo escrita por Maria Fernanda Moraes detalhando melhor o que os leitores brasileiros receberão em breve nas livrarias. E são muitos. É verdade que há mais aspirantes a leitores porque conforme outra publicação que colocamos no Facebook o escritor está entre os mais célebres em termos de falsa citação, perdendo apenas para Clarice Lispector. Sabe-se do Caio contista, romancista, novelista, mas apenas os que se dedicam à sua obra talvez saberão do cronista e do poeta. Pois, os inéditos por vir são dos dois últimos gêneros. Do primeiro, A vida gritando nos cantos , pela Nova Fronteira, reúne os textos publicados entre os anos de 1980 e 1990 em jornal. O trabalho é organizado por Liana Farias e Lara Santana. E é resultado de dois anos de pesquisa, quando Liana escolheu a obra do escritor como corpo de pe...

Caio Fernando Abreu na web

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Um dos escritores da literatura brasileira contemporânea que mais parecem levar consigo uma legião de fãs - leitores e inventores de leitor - Caio Fernando Abreu, agora tem disponível, pela passagem de seus 16 anos de morte, uma página oficial na web . Caio Fernando Abreu se popularizou como um dos maiores fenômenos da literatura pop no Brasil com livros como Morangos mofados (contos, 1982) e o romance levado para as telas do cinema Onde andará Dulce Veiga (1990). Interessado no material urbano, no caos do mundo moderno, na solidão das metrópoles e uma aproximação daquilo que à época era um tabu, a realidade da Aids, e, claro, imerso em temas de uma humanidade que tateia seu fim, a desesperança, o dispersamento dos grupos e a formação de nichos sociais à margem da sociedade, deram o tom de sua obra.  Mais conhecido como contista, Caio também escreveu poemas, peças para o teatro, novelas, romances, livros infantis. Ainda em abril de 2008, o Letras in.verso e re.ver...

Ana Cristina Cesar por Caio Fernando Abreu

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Foi Caio Fernando Abreu quem escreveu a quarta da primeira edição de A teus pés , primeiro título de Ana Cristina Cesar publicado em 1982 pela Editora Brasiliense. Sobre a obra em questão, seduz o leitor a ficar diante de um dos escritores "mais originais, talentosos, envolventes e inteligentes surgidos ultimamente na literatura brasileira." Os dois se conheceram pessoalmente naquele ano e mantiveram uma intensa relação de amizade, mantida através de troca de correspondências, confidências por telefone – estas que nunca chegarão até nós –, embora ele não gostasse da forma de comunicação e foi um dos que fizeram o possível para tentar livrar a poeta do destino desenhado por ela: o suicídio. Numa das cartas que escreveu à amiga Jacqueline Cantore, logo depois da morte de Ana, Caio se questiona: "Com que direito, Deus, com que direito ela fez isso? Logo ela, que tinha uma arma para sobreviver – a literatura – coisa que pouca gente tem." A partida repentina da po...

Caio Fernando Abreu

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[1] Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você, ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que, no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Caio Fernando Abreu, O ovo apunhalado [2] Não existe volta para quem escolheu o esquerdo. Caio Fernando Abreu, Triângulo das Águas [3] Queria tanto poder usar a palavra voragem. Poder não, não quero poder nenhum, queria saber. Saber não, não quero saber nada, queria conseguir. Conseguir também não – sem esforço, é como eu queria. Queria sentir, tão dentro, tão fundo que quando ela, a palavra, viesse à tona, desviaria da razão e evitaria o intelecto para corromper o ar com seu som perverso. A-racional, abis...

Hilda Hilst, por Caio Fernando Abreu

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                            Aos 60 anos de idade, com mais de vinte livros publicados (o primeiro é de 1950) de poesia, ficção e teatro, formada em Direito sem nunca ter exercido a profissão, desde 1967 recolhida à Casa do Sol, um sítio próximo de Campinas, depois de 40 anos de literatura (e, segundo ela, silêncio sobre seu trabalho), há três meses Hilda Hilst caiu como uma bomba nos meios literários brasileiros. Com a publicação de O Caderno Rosa de Lori Lamby , Hilda renunciou publicamente à literatura dita "séria" - que lhe conferira, por parte do crítico Leo Gilson Ribeiro, o epíteto de "o maior escritor vivo em língua portuguesa" - e decidiu publicar, daqui para a frente, apenas histórias pornográficas. Bem-sucedidas, essas histórias, já em segunda edição por Massao Ohno Editor, serão seguidas por Contos de Escárnio e Maldizer , a ser lançado em setembro, pela Siciliano, e pelo Diário de um Sedut...