Boletim Letras 360º #707

DO EDITOR

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Luis Fernando Verissimo. Foto: Evandro Leal


  
LANÇAMENTOS

Uma seleção dos textos publicados por Luis Fernando Verissimo nos jornais O Estado de S.Paulo e O Globo entre 2016 e 2020, a maioria ainda inédito em livro.

Originalmente, as crônicas reunidas em Crônicas de domingo foram publicadas aos domingos, dia que Verissimo reservava para temas mais atemporais, dividindo com os leitores um pouco de suas memórias, reflexões e assuntos prediletos. Entre muitos textos saborosos, o leitor encontrará neste livro diálogos entre amigos, casais, pais e filhos, a história maluca de um espião lituano radicado no Brasil, a declaração de guerra da esposa Lucia às pombas no quintal da casa e também as últimas cartas de Dorinha, personagem icônico do autor. Organizado por Pedro Verissimo e publicado pela Alfaguara. Você pode comprar o livro aqui.

As implacáveis confissões de Espen Arnakke sobre sua infância e criação na pequena cidade de Jante é o desejo de entender os mecanismos que o levaram a assassinar John Wakefield, um lugarejo do outro lado do Atlântico chamado Misery Harbor

Eis o ponto de Um fugitivo percorre seus rastros. Diz-se que escrever ficção é julgar a si mesmo, mas no romance marcadamente autobiográfico de Aksel Sandemose (1899-1965) o juízo recai sobre a comunidade da cidadezinha que fez de Espen Arnakke a pessoa que ele se tornou. O enunciado da Lei de Jante, decorrente do mapeamento que o autor fez do clima de intolerância de Jante, tornou-se um conceito adotado pela psicologia social. Publicado originalmente em 1933, este que pode ser considerado um dos romances mais subversivos e provocativos da literatura escandinava chega finalmente ao Brasil, em tradução de Leonardo Pinto Silva. A edição da BEC Editora conta com um prefácio exclusivo de Christian Dunker, que analisa a narrativa do ponto de vista da psicologia, e textos críticos de Sigrid Undset, Espen Haavardsholm, Knud Sørensen e do próprio Aksel Sandemose. Você pode comprar o livro aqui.

Livreo reúne duas tragédias que revisitam figuras marcantes do período romano. 

O Império Romano sempre despertou a imaginação de artistas ao longo dos séculos, e com o francês Jean Racine (1639-99) não foi diferente. Aqui se encontram reunidas duas de suas mais importantes peças, ambas situadas em momentos decisivos de Roma, em nova tradução rimada de Júlio Castañon Guimarães. Britânico nos revela as diferentes facetas do tirânico imperador Nero e das pessoas que o circundam, como sua mãe, Agripina, que busca restaurar a sensatez do filho, e seu rival, que dá nome à peça. Assim, Racine forma uma entusiasmante história de triângulo amoroso com subtexto político. O amor impossível também é tema de Berenice, que versa sobre a difícil separação do imperador Tito de sua amante. Nem toda tragédia precisa de “sangue e mortos”, como diz o autor no prefácio, e, ainda assim, a intimista peça é capaz de desencadear emoções intensas no leitor. Duas tragédias romanas: Britânico e Berenice sai pela Penguin/ Companhia. Você pode comprar o livro aqui.

Romance de formação passado no subúrbio operário, Um sete uns acompanha um jovem desde a febril obediência a um regime autoritário até a descoberta do desvio malemolente dos pequenos golpes, demonstrando que humor e imaginação são capazes de abrir frestas de respiro onde elas pareciam impossíveis.

Depois de criar uma das trilogias mais viscerais da literatura brasileira nas últimas décadas — os romances Luxúria, Degeneração e Violência —, Fernando Bonassi volta a nos oferecer outro ácido enredo sobre as mazelas do Brasil, desta vez passado na era dos “Generais Presidentes”. No centro de Um sete uns está uma família disfuncional: o pai leva a vida entre a informalidade e a criminalidade; a mãe, dona de casa, é dependente da instabilidade financeira do marido ausente; e um casal de filhos está à mercê das constantes mudanças de casa por falta de dinheiro. Como última alternativa, vão morar na residência dos avós maternos, onde uma horda de parentes sobrevive às custas da aposentadoria do patriarca, notório alcoólatra do bairro. O filho, narrador sem nome, presencia a desgraça dos seus impulsionado pelos hormônios da adolescência. Está na berlinda, entre a imaturidade dos 13 anos e a urgência de se tornar um adulto produtivo. Seu destino é uma fábrica, em um “serviço de repetir”, onde é contratado por indicação de um tio, funcionário antigo da empresa. O Doutor Fritz, famosa entidade espírita encarnada em outro tio, é uma espécie de guru informal do jovem e, com seu sotaque alemão, dá um toque hilário à narrativa. Voz singular da literatura brasileira, Fernando Bonassi criou um realismo suburbano que radiografa as entranhas do lumpem proletariado — aquela parcela enorme da população, mas invisível, que está a um palmo da classe média e a outro da pobreza. Neste novo capítulo de uma obra já essencial, o escritor transforma mais uma vez a tragédia social brasileira em alta literatura. O livro é publicado pela editora Record. Você pode comprar o livro aqui.

Os limites que separam a civilização da bárbarie nem sempre estão rigorosamente demarcados. Tendo essa tensão por premissa, Cécile Coulon constrói um romance em um mundo fechado e aparentemente perfeito

No Paraíso, propriedade da família de Émilienne, residem bichos, pessoas, gestos, segredos e afetos difíceis de nomear. Sem saber onde e quando a ação se passa, o leitor está diante de um tempo-espaço suspenso, a não ser pelo envelhecimento dos personagens que crescem diante dos olhos de quem se permite aventurar por essas páginas, pela estrada em direção ao Paraíso. É lá onde Émilienne cria sozinha seus dois netos, Blanche e Gabriel, órfãos após um trágico acidente. As crianças crescem, Blanche conhece Alexandre e se apaixona por ele, até que, chegando à idade adulta, o casal se encontra diante do impasse que guia narrativa: Alexandre quer partir para a cidade; Blanche, permanecer no campo. Entre o brilho dos prédios e o curral dos porcos, surge entre os jovens um embate estético e filosófico que move todos os habitantes do Paraíso, em especial as mulheres, enfeitiçadas por manter aquilo que consideram o bem mais precioso que possuem, a terra. Ou será que são por ela possuídas?  A partir desse conflito, a trama se desenvolve com agilidade e fervor. Lembrando a atmosfera dos filmes de Claude Chabrol — cineasta por quem a autora declara admiração —, o desejo e a violência corroem discretamente a ordem familiar e se espalham pelas páginas deste romance até seu ápice. Outros personagens também parecem refletir o tema central, além de terem, eles próprios, seus dilemas que compõem um retrato de infelicidade iluminado por lampejos de esperança. É o caso da família de Alexandre, sem perspectivas de subsistência, e de Louis, menino que Émilienne adota para afastar de uma vida de agressões, mas que luta ao longo de seu crescimento contra essa força arrasadora que cresce silenciosa dentro de si.  Primeiro romance de Coulon publicado no Brasil, Uma fera no Paraíso traz elementos do gótico rural e da história de amor, sempre pela perspectiva feminina, em diálogo com os temas que a autora, poeta e dramaturga articula em suas produções. Ambição, desejo, herança, liberdade e violência são forças que compõem esta narrativa atemporal e contemporânea sobre amor e loucura. Um livro sobre aquilo de que não se consegue escapar. Publicação das Edições Cosac. Tradução de Flávia Lago. Você pode comprar o livro aqui.

Adalberto Müller nos faz escutar as vozes e o pensamento mítico-poético de uma cultura entranhada no continente americano.

Uma magistral tradução de Adalberto Müller que conduz o leitor para uma outra temporalidade.
Nesta tradução que renova e insere os versos do povo Guarani Mbyá na melhor linhagem da lírica brasileira contemporânea — graças ao arrojo formal, ousadia estética e grande beleza —, Adalberto Müller nos faz escutar as vozes e o pensamento mítico-poético de uma cultura entranhada no continente americano. Muito além de mero documento etnográfico, Ayvu rapyta propõe uma leitura poética do pensamento indígena, mostrando como linguagem, ritual e cosmogonia se entrelaçam num verdadeiro “trançado verbal”. Um livro fundamental para quem deseja compreender a potência intelectual e estética de uma das tradições que ajudaram a originar o Brasil. Publicação da editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.

O novo livro do poeta Age de Carvalho: De-estar entrestrelas

Em resumidas contas, a poesia descarnada que aqui encontramos põe em prática uma espécie de saber negativo do poético, enquanto ação paradoxal da palavra, cujo dizer se alteia quanto mais arruína os significados diferentes e quanto maior é o seu poder de silêncio. Praticando esse saber negativo, de que o aproximou seu fraterno parceiro e contendor Max Martins, Age de Carvalho sela a sua afinidade eletiva com os poetas que homenageia, interlocutores de constante dialogação, como João Cabral de Melo Neto, Trakl, Ungaretti, Fernando Pessoa e Marianne Moore, mas sobretudo com Paul Celan, de quem retoma a litografia, a écriture dombres, para empregarmos as expressões de George Steiner. O livro sai pela Cobalto. Você pode comprar o livro aqui.

Livro realça a poética de duas figuras da literatura latino-americana do século XX. 

É duplo o movimento deste livro, organizado e traduzido por Eleonora Frenkel Barretto: de tradução de duas poetas latino-americanas — a chilena Cecilia Vicuña (1948) e a guatemalteca Regina Galindo (1974) — e de criação de um diálogo entre elas, através do corpo e da performance. O corpo que articula as duas poéticas produz efeitos por não ser só um corpo representado, mas corpos em performance, atuantes, arriscados, corpos de mulheres comprometidas com a ação que transforma um mundo ainda dominado pela violência de gênero. Pela escuta da voz, pela atenção ao movimento, colocando em cena o corpo que cai e se ergue, salta, insiste, sussurra, grita, cada uma dessas poetas se torna “igual a todas / igual a você”. Este livro performa a comunidade que a poesia de Vicuña e Galindo encena, ao traduzi-las juntas para que dessa leitura entrelaçada surjam visões e memórias do que, apesar de tudo, é possível reinventar. Poesia e performance é publicado pela editora Iluminuras. Você pode comprar o livro aqui.

Ao descrever uma relação entre mãe e filha marcada por um passado doloroso, Natalia Timernann constrói uma história poderosa sobre os vínculos afetivos.

Diagnosticada com Alzheimer, a mãe da narradora em Antes que apague perde, em velocidade assombrosa, os traços que definem sua identidade. No luto antecipado desse apagamento, vêm à tona revelações inesperadas sobre o passado materno. Este livro — uma investigação sobre a força da memória e dos laços familiares — atesta o poder da literatura contra o esquecimento. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

Um dos romances mais marcantes da literatura contemporânea do Haiti e uma poderosa porta de entrada para a obra de Lyonel Trouillot, um dos grandes escritores caribenhos de sua geração.

Em Antoine de Gommiers: o lendário adivinho do Haiti, Lyonel Trouillot mergulha nas ruas de Port-au-Prince para contar uma história em que memória, imaginação e realidade se entrelaçam. Franky e Ti Tony são irmãos que vivem em uma cidade marcada pela pobreza, pela violência, pela desigualdade e, ao mesmo tempo, pela força da imaginação e das tradições populares. No centro de sua jornada está Antoine de Gommiers, uma figura lendária, adivinho e conhecedor dos mistérios do mundo, cuja história atravessa gerações. Entre relatos, lembranças, crenças e episódios fantásticos, Trouillot constrói um romance profundamente enraizado na cultura haitiana. A narrativa combina humor, oralidade e poesia para revelar uma sociedade complexa, onde o passado e o presente, o mundo dos vivos e o dos mortos, o real e o imaginado convivem lado a lado. Publicado originalmente em 2021, o livro chega ao Brasil com tradução de Diogo Cardoso e prefácio de Dyhorrani Beira pela editora Pinard. Você pode comprar o livro aqui.

Megha Majumdar traça um retrato caleidoscópico de duas famílias, cada uma agindo a partir de um amor feroz e de uma esperança inabalável.

Em Calcutá, num futuro próximo, Ma, sua filha e seu pai estão a poucos dias de deixar para trás a cidade em ruínas, rumo aos Estados Unidos, em busca de uma vida melhor. Porém, certa manhã, descobrem que seus preciosos documentos de imigração foram furtados. A última semana entrelaça duas histórias que correm em direções opostas e, ao mesmo tempo, se espelham: a busca frenética de Ma pelo ladrão, travada em meio à fome e a uma escassez brutal; e a trajetória de Boomba, cujo desespero para cuidar de sua família o leva a atitudes cada vez mais extremas, com consequências inimagináveis. Com controle e domínio impressionantes, Megha Majumdar traça um retrato caleidoscópico de duas famílias, cada uma agindo a partir de um amor feroz e de uma esperança inabalável, cada uma descobrindo até onde é capaz de ir para garantir seu futuro enquanto se defende da catástrofe que se aproxima. A publicação brasileira sai pela editora Instante com tradução de Julia Bussius. Você pode comprar o livro aqui.

Um dos maiores autores franceses contemporâneos e vencedor do Prêmio Goncourt, Pascal Quignard inaugura a nova coleção de ensaios da Editora Ercolano com uma investigação íntima e humana sobre a sexualidade e o desejo.

Escrito em fragmentos, Complementos à teoria sexual e sobre o amor nasce do debate provocado pela Lei Comstock, de 1873, dos Estados Unidos, contra as imagens indecentes, e é dessa inquietação despertada no presente que o autor parte para lançar perguntas que atravessam milênios. O que o erotismo revela sobre a condição humana? Por que a sexualidade permanece, ao mesmo tempo, fundadora da experiência e cercada por interditos? O que perdemos quando reduzimos o desejo a um problema moral, jurídico ou psicológico? Quignard não oferece respostas definitivas. Aproxima psicanálise, mitologia, antropologia, etimologia, pintura, literatura e filosofia para mostrar que a história do amor e da sexualidade é também a história da imaginação humana. Freud convive com Ovídio, os mitos antigos dialogam com os tempos atuais, e cada fragmento amplia o horizonte do leitor. Com desenvoltura, humor e poesia, Quignard demonstra o quanto a mitologia e a linguagem, fundadoras da cultura humana, são originalmente imbuídas de erotismo e sexualidade. O livro investiga as imagens, as narrativas e as palavras que moldaram nossa compreensão do desejo ao longo dos séculos, e o erotismo surge como uma força que atravessa a arte e a própria formação da cultura. A liberdade intelectual que caracteriza toda a sua obra leva Quignard a desafiar as fronteiras entre disciplinas e gêneros literários. Sua escrita reúne a precisão do filólogo, a sensibilidade do romancista e a imaginação do poeta. Com tradução de Verónica Galíndez. Você pode comprar o livro aqui.

O caderno que gravou cenas do cotidiano na roça, do trabalho como empregada doméstica ainda criança, das privações materiais e da convivência familiar e muitas outras passagens de Venancia

“Foi tudo assim como está aqui, foi verdade, tudo verdade.” É com essa afirmação que Venancia da Silva Vieira inicia o registro de suas memórias, em 1955, em um caderno cuidadosamente manuscrito. Nele, a autora, que frequentou a escola por apenas quatro anos, reconstrói sua infância e juventude — do nascimento, em 1924, ao casamento, em 1945. Os episódios narrados são marcados pela pobreza, por relações familiares conturbadas, pelo trabalho precoce e pelas migrações constantes entre os estados de Minas Gerais e Paraná. Ao longo do caderno, surgem cenas do cotidiano na roça, do trabalho como empregada doméstica ainda criança, das privações materiais e da convivência familiar. A relação com a mãe, caracterizada por cuidado e violência, e o vínculo com o pai, figura de escuta e proteção, estruturam parte central da narrativa. O fantasma da fome, da doença e da morte, e a disciplina rígida dos costumes compõem o retrato de uma vida moldada pela necessidade. Mas o drama da desigualdade social e econômica nunca é abstrato nem teórico. É real e individual, e carrega uma camada subjetiva que, talvez, só a literatura possa considerar integralmente. E é justamente por essa razão que as memórias de Venancia não devem ser lidas apenas de um ponto de vista sociológico. Trata-se, “de verdade”, de literatura. Um texto em que o trabalho com a linguagem e com o estilo é tão valoroso quanto os temas que aborda. A escrita de Venancia alia, de forma única e, em certa medida, misteriosa, recursos literários sofisticados — ritmo, pontuação, sintaxe e construção de frase — a erros ortográficos elementares. Essa combinação é, em parte, um dos motivos pelos quais o leitor reconhece um teor de “verdade” e de “originalidade” no livro. Não somente pelo fato de os assim chamados “erros” serem marcas de sua classe social, mas porque, amalgamados a preocupações estilísticas, criam uma atmosfera de surpresa permanente. Como se as frustrações da vida difícil da autora, bastante claras no final, fossem finalmente compensadas pela forma como ela conta e escreve sua história. Para os interessados nos originais do caderno, o fac-símile do manuscrito estará disponível no site da editora. Assim o leitor poderá ter contato com todas as particularidades do estilo de Venancia. O caderno de Venancia: memórias sai pela Chão Editora com posfácio de Noemi Jaffe. Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES

Um marco na trajetória de Manoel de Barros, Poesias, publicado originalmente em 1956, inaugura o projeto narrativo e estético que conquistou os leitores ao longo das décadas seguintes. 

Poesias foi o último título da tríade que compõe a primeira fase da escrita de Manoel de Barros. Ainda bastante urbano na temática e marcado pela experimentação, este é um livro onde as características principais da linguagem inaugurada por Manoel se encontram latentes. A atenção ao que parece desimportante indica a busca em desarrumar a lógica comum das coisas por meio de um modo de “desver” o mundo, como o próprio poeta diria. Para Italo Moriconi, convivem em Poesias, de um lado, a memória do menino do mato crescido em Corumbá e no Pantanal, e de outro, o poeta que sonda e explora a cidade grande. Pouco tempo depois da publicação desse livro, e com a morte do pai, Manoel de Barros assumiu a fazenda no Pantanal, indo para lá com a mulher Stella e os filhos. A convivência direta com a paisagem pantaneira alteraria de vez sua escrita, intensificando ainda mais sua relação com a natureza e o rompimento com a “racionalidade” civilizatória. Manoel nos ensina que, para ser boa, a poesia tem que ser ilógica, “pois a razão diminui a poesia”. A nova edição da Alfaguara conta com fotos e documentos do acervo pessoal do autor e prefácio de Aline Bei. Você pode comprar o livro aqui.

RAPIDINHAS 

Mais dois livros de Ibrahim Al-Koni. A Tabla investe na publicação de O tibar, considerado um dos mais destacados romances do autor líbio, e em A pedra que sangra. O primeiro com tradução de Safa Jubran e o segundo, de Beatriz Negreiros Gemignani. 

Marco da poesia indianista em nova edição. Pelo Círculo de Poemas sai A lágrima de um caeté, poema de feição épica em que Nísia Floresta reconta a história de um índio, único sobrevivente de seu povo, que vaga por Pernambuco. 

Traçando Verissimo. É nome de uma exposição aberta ao público a partir de 24 de setembro no Centro Cultural Fiesp. A mostra reúne mais de 300 itens do escritor, incluindo desenhos, charges, originais de livros, objetos pessoais, cadernos, fotografias e mais um pouco.

OBITUÁRIO

Morreu Wendell Berry.

Wendell Berry nasceu no dia 5 de agosto de 1934, em Louisville, Kentucky. Fez sua formação acadêmica — bacharelado e mestrado — no final dos anos 1950 na Universidade de Kentucky. É nessa altura que também se forma seu interesse pela literatura e chega mesmo a publicar o primeiro romance, Nathan Coulter (1960). Um ano depois mudou-se com a família para a Europa; viveu na Itália e na França com bolsa Guggenheim. Ao regressar aos Estados Unidos passa a lecionar escrita criativa na Universidade de Kentucky, ao mesmo tempo que passa a viver no campo. Data desse período os seus primeiros ensaios, interessados em discutir as relações entre o homem e a terra, evocativos da sua militância ambientalista praticada ao longo da vida. A obra de Berry é vasta. No ensaio, por exemplo, publicou quatro volumes, quinze romances e várias antologias de contos. Também cultivou a poesia, espraiada em quase três dezenas de títulos. De acordo com o verbete do poeta para a Poetry Foundation, “sua poesia celebra a sacralidade da vida e os milagres cotidianos”. Estão neste rol títulos como The Broken Ground (1964), There Is Singing Around Me (1976), Traveling at Home (1989),  Entries: Poems (1994) Given (2005) e This Day: Collected & New Sabbath Poems (2014). Entre os reconhecimentos estão o Prêmio do Círculo Nacional de Críticos Literários (2016), a Medalha Nacional de Humanidades (2010) e o Prêmio T. S. Eliot (1994). Berry morreu em Port Royal, Kentucky, em 31 de agosto de 2026.

DICAS DE LEITURA

1. Mendel, o livreiro, de Stefan Zweig (Trad. Gisele Eberspacher, Arte & Letra, 108p.) Um livreiro de memória enciclopédica tem sua vida radicalmente abalada quando é enviado para um campo de prisioneiros acusado injustamente de ser um colaboracionista dos inimigos da Áustria. Você pode comprar o livro aqui

2. Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway (Trad. Luís Peazê, Bertrand Brasil, 672p.) Situada na Guerra Civil Espanhola, o romance acompanha três dias na vida de um estadunidense que passa a integrar as Brigadas Internacionais ao lado do governo democrático e republicano. Você pode comprar o livro aqui

3. A ninfa inconstante, de Guillermo Cabrera Infante (Trad. Eduardo Brandão, Companhia das Letras, 232p.) Nos tempos de antes de Revolução, Estela, uma jovem de dezesseis anos, mas nada ingênua, encontra-se envolvida numa trama amorosa com um homem casado e mais velho. Você pode comprar o livro aqui

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

Foi no dia 1 de setembro de 1942 que nasceu António Lobo Antunes. Marcamos a data publicando em nosso álbum de poemas no Facebook um poema do escritor português. Sim, o grande romancista também escreveu poesia e extensa parte dos textos nesse gênero foi publicada neste ano, meses depois da sua morte em 5 de março, em Livro de poemas

BAÚ DE LETRAS

Recordamos a resenha de Por quem os sinos dobram. O referido romance de Ernest Hemingway recomendado na seção Dicas de leitura deste Boletim foi resenhado por Rafael Kafka em 2018. O texto está aqui.

Foi Pedro Belo Clara que no seu projeto De versos apresentou aos nossos leitores o poeta Wendell Berry e sua poesia até agora inédita por aqui. Publicação aberta. 

Voltamos a sublinhar a presença de Luis Fernando Verissimo em nosso arquivo neste conjunto de textos: um breve perfil do cronista; a análise de uma das suas crônicas conduzida pelo nosso colunista Davi Lopes Villaça; e uma crônica do nosso colunista Afonso Junior.

DUAS PALAVRINHAS

A natureza, então, é não apenas a nossa fonte, mas também o nosso limite e medida.

— Wendell Berry

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