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Mostrando postagens com o rótulo J D Salinger

Então eu li J. D. Salinger

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Por Guilherme França J. D. Salinger. Foto Antony Di Gesu/San Diego Historical Society Fazia uma releitura de Dom Quixote quando me deparei com um filme biográfico sobre J. D. Salinger, O rebelde no campo de centeio (2018), do diretor Danny Strong. Embora o filme não se configure exatamente como uma obra-prima cinematográfica, ele despertou em mim um profundo interesse pela leitura da obra mais célebre de Salinger, The Catcher in the Rye , publicada como romance em 1951. A partir desse contato com a vida do autor, marcada por seu notório isolamento e pelas sucessivas tentativas de consolidar um texto literário de valor, fiquei curioso para conhecer a razão do sucesso estrondoso e duradouro daquela obra. Mesmo com certa desconfiança e o peso de ter momentaneamente preterido Cervantes, mergulhei por três dias seguidos na narrativa de Salinger para tirar minhas próprias conclusões. O uso da figura de linguagem ao me referir a “ler o autor” justifica-se pelo fato de o contexto bi...

Os novos livros de J. D. Salinger

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Por Cristian Vázquez J. D. Salinger em sua mesa de trabalho. Cornish, New Hampshire. Arquivo: Biblioteca Pública de Nova York 1. Digamos logo desde o começo: não temos ideia sobre quantos nem de como serão os novos livros de J. D. Salinger serão, cuja morte terá uma década neste 2020. O que sabemos pelo menos é que haverá novos livros. Isso há muito foi assegurado por alguns de seus biógrafos e só recentemente confirmado por Matt Salinger, filho do escritor, que ficou – junto com Colleen O’Neill, a viúva – encarregado de seu legado. A parede de silêncio “oficial” que pairava sobre o trabalho não publicado de Salinger começou a ruir no ano passado, após o centenário do escritor, nascido em Nova York em 1º de janeiro de 1919. Em entrevistas concedidas a mídias como The Guardian , El País e o canal da Penguin Books no YouTube, Matt disse que seu pai continuou escrevendo todos os dias, cerca de oito horas por dia, ao longo de sua vida, apesar de não ter publicado nada des...

Salinger ou a adolescência

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Por Christopher Domínguez Michael Talvez fosse necessário proceder como o próprio Jerome David Salinger (1919-2010), quando ordenou que as quartas capas de seus livros não carregassem qualquer informação fornecida sua nem pelo editor, e voltássemos a lê-lo ou relê-lo, porque O apanhador no campo de centeio (1951) é um dos romances mais bonitos dos já escritos no século passado e, significando quase tudo, permite dispensar qualquer comentário. Durante anos, fiquei mais interessado na lenda Salinger do que em seus livros, porque o chamado – por Étiemble ou por Gracq – de “escândalo Rimbaud” é um bom tema. Por que a modernidade e seus adiamentos se surpreendem com o silêncio repentino ou a reclusão de autores como Rimbaud ou o próprio Juan Rulfo, quando antes do romantismo o ofício artístico era simplesmente abandonado por razões quaisquer? Não tendo ocorrido a morte retórica do autor tal como interpretou Barthes, o desaparecimento do artista de cena numa era de hip...

Uma foto, Salinger!

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Por Juan Tallón J. D. Salinger no clássico e icônico registro de Paul Adao. Passavam-se os anos e J. D. Salinger, assediado pelo sucesso de O apanhador no campo de centeio (1951), não dava sinais de vida; nem publicava, nem se deixava ser visto. Mas, sabia-se que escrevia e o resultado era guardado a sete chaves. Admitiu em algumas das poucas entrevistas que concedeu aos jornalistas que aprenderam ao longo dos anos como falar com o escritor em New Hampshire. “O que importa é apenas a literatura”, disse a Betty Eppes em 1980, quando aceitou falar com ela depois que a jornalista lhe deixou uma nota explicando que estaria num Pinto azul celeste parado próximo da ponte coberta que havia ao lado da casa dele. Em 1977, ante o silêncio literário que começava a durar demasiadamente, o editor de ficção da revista Esquire , Gordon Lish, ouviu dizer de seu chefe que não seria mal publicar uma bomba. Lish era um tipo ágil e tão logo pode – e pode nessa mesma noite – embria...

J. D. Salinger, o escritor ausente

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Por Marta Ailouti J. D. Salinger, 1952. Foto: Lotti Jacobi Contra os desejos do próprio J. D. Salinger (Nova York, 1919 – New Hampshire, 2010), seu nome continua gerando ruído até hoje. Zelosamente obcecado por sua vida privada, a forte recusa à exposição pública marcou a vida deste escritor que, apesar de propiciar muitas querelas e erguer muros, pôde viver isolado seus últimos quarenta anos num sítio de Cornish. “Se eu fosse um pianista, ou ator, ou coisa que o valha, e todos aqueles bobalhões me achassem fabuloso, ia ter raiva de viver. Não ia querer nem que me aplaudissem. As pessoas sempre batem palmas pelas coisas erradas. Se eu fosse pianista, ia tocar dentro de um armário” – escreveu em O apanhador no campo de centeio , quase como uma profecia. J. D. Salinger gostava, dizia ele, de escrever. E nada mais. Nascido em 1 de janeiro de 1919 numa família bem-colocada socialmente que se dedicava à importação de carnes e queijos europeus, publicou seu primeiro conto...

Salinger, um grupo de psicopatas e os do MKUltra

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Por Rafael Ruiz Pleguezuelos Norman Mailer, sempre disposto a ofender, disse numa ocasião que Salinger era a maior inteligência que não havia passado de secundária. No fundo, o autor de A canção do carrasco declarou é verdade, embora tenha feito impulsionado por essa espécie de pensamento violento que conforma sua personalidade de raro escritor. Dou razão a Mailer de que na obra de Salinger tem algo de desenvolvimento preso, de árvore obrigada a permanecer no tamanho de um bonsai. O que acredito que o bom de Mailer não entendia, ou queria entender, é que para muitos leitores de Salinger (incluindo quem assina este artigo) o que seduz em sua literatura é justamente isso, que viva num tempo congelado e propicie que entendamos melhor a dor da pessoa que fica presa entre fases, como se o elevador de sua vida se detivesse entre o andar da adolescência e o da vida adulta. O apanhador no campo de centeio é um livro demasiado especial , singular na acepção mais obscura do termo....

O mundo ficcional de J. D. Salinger

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Muito temos falado de J. D. Salinger (ver links no fim deste texto) nos últimos meses dado o alvoroço iniciado com a confirmação de dois trabalhos que trouxeram à tona novas margens para composição da figura reclusa do escritor. Mas, afinal, quem foi o autor, além desse enigma de recluso? A postagem de hoje visa ser um adendo à vida e à obra do romancista, cujo sucesso de O apanhador no campo de centeio mudou em definitivo o rumo de sua vida e se tornou uma obra signo da atmosfera de uma época da história estadunidense. O autor morreu em 2010 e deixou livros tidos como materializações de uma aura de perfeição e mistério que pouquíssimos autores modernos terão conseguido. Na opinião de Andrés Hax, somente Rimbaud estará acima do estadunidense. Não deixou vasta obra (embora, as descobertas recentes tenham dado mostras de uma leva de inéditos deixados com o comando de serem editados a partir de 2015): O apanhador no campo de centeio , de 1951; uma antologia de contos, Nove es...