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Dez poetas necessários da nova literatura brasileira

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Qualquer movimento cujo interesse seja o de tentar colocar a poesia brasileira entre limites – seja julgando forma, tema ou conteúdo – estará fadado ao fracasso. Mesmo as divisões didático-pedagógicas que buscam reunir este ou aquele autor pelas correntes ou escolas literárias, determinação mais ou menos homogeneizante, nunca conseguiram responder adequadamente por essa organização sem deixar de ser questionada pela diversidade de indagações que obrigam exceções frente às imposições das regras. Quando o núcleo temporal é o das últimas décadas, as dificuldades mais aumentam porque os critérios criativos, formais, temáticos e de conteúdo dos poetas são bastante heterogêneos. Reanimam com essa diversidade a natureza plural e multissignificativa da literatura brasileira já não mais presa ao reduto nacional mas sempre em busca de integrar-se ao lugar de criação universal. Logo, a lista de autores que cuidadosamente selecionamos abaixo jamais será uma lista completa, tampou...

Sobre Corpo de festim, de Alexandre Guarnieri

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Por Pedro Fernandes toda a vida contida numa exígua partícula, – desdobrável de si própria –, equilibrada sobre a mesma progressão desenfreada; deuses ferveram-na numa caldeira aquecida ante o clarão do big bang / cozeram-na por milênios, lenta, nas tripas da mais velha estrela / e lá, aprisionada, como o maior espetáculo da via láctea, além do limbo centígrado dos organismos bioquímicos, replicou-se a enzima de sua fina ( e elástica ) matematicidade // até que [...] Alexandre Guarnieri escreveu Corpo de festim , livro que integra o lento e sofisticado processo de lapidação poética porque passa todo poeta comprometido com a palavra. Sim, porque sempre existiu, mas tem ganhado forma com cada mais cinismo, o poeta criador de formas falsamente manipuláveis e, logo, facilmente quebráveis ao dinamismo do tempo. Não é porque o material verbal que o poeta utiliza é estranho ao universo acusado tantas vezes de pertencer às formas frágeis. Não. É o trabalho in...

Casa das máquinas, de Alexandre Guarnieri

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por Pedro Fernandes Se esta fosse uma fala que tivesse oportuno interesse em servir de matéria para outro tipo de escrita que não esta do blog – texto que sempre tomo cuidado de não chamar de resenha dado as limitações de tempo e espaço numa apreciação mais profunda das leituras – bem poderia suar mais para escrever uma leitura que valha para a dimensão de Casa das máquinas , livro do poeta Alexandre Guarnieri publicado em 2011. Poderá ser ledo engano, mas é este um conjunto de poemas escritos pela letra da maturidade e com o cuidado e o zelo com a palavra a modo do que fizeram os nomes da poesia concreta e toda a tradição brasileira da objetividade verbal. Alexandre Guarnieri se mostra ser, ao menos com este título, o de uma nova gênese vocal na poesia brasileira, herdeiro nato da casa de onde vieram nomes como João Cabral de Melo Neto, os irmãos Haroldo e Augusto de Campos, Ferreira Gullar ( nos tempos em que foi um grande poeta ), entre outros; nomes com os quais...