Jorge Baron Biza, o homem do subsolo
Por Alan Pauls Jorge Baron Biza. Foto: Sem autoria/ Reprodução do jornal El País Aos vinte anos, Jorge Baron Biza mora em Buenos Aires, num apartamento com paredes pintadas de preto. Mantém as persianas fechadas, as janelas trancadas e as cortinas sempre puxadas. É o sua toca . Há dois anos que se embriaga regularmente. Conhaque, uísque, licores baratos, até álcool isopropílico, mas principalmente gim, cujas garrafas são amontoadas debaixo da cama à medida que as termina: a bebida é a marca registrada de um programa repleto de spleen que também inclui prostitutas, os últimos quartetos de Beethoven e, ocasionalmente, enfiar a cabeça no forno. É 1962, o auge da era existencialista. Mas a decadência de Baron Biza é hereditária, e talvez já fosse antiga quando seu pai, Raúl Barón Biza, era quem a exagerava: dândi, escritor de panfletos pornográficos, milionário, conspirador. • • • Freiburg, Buenos Aires, Montevidéu; conveses de navios, escolas alemãs, governantas multilíngues. ...