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Na tua face: Vergílio Ferreira constrói a complexidade feminina em Ângela

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Por Marina Rufo Spada Boyd Em Na tua face , romance escrito em 1993 pelo português Vergílio Ferreira, é-nos exposto duas figuras femininas de características ímpares, psicológica e fisicamente. Embora tais figuras sejam de complexa análise – dado o característico uso de Vergílio Ferreira das analepses, prolepses, elipses, monólogos interiores dentre tantas outras ferramentas de difícil descodificação – o narrador não deixa muitas ferramentas à mão do leitor, e assim nos cabe a tarefa de desatar os nós que as mantém ligadas – e amarrá-las quando necessário. Sendo assim, fica ao leitor reconstrução de elementos diegéticos a partir da seleção de fragmentos de informações que o texto oferece. Apesar das duas personagens femininas complementarem-se ao longo do romance, cabe aqui analisar a construção de apenas uma delas: Ângela. A figura de Ângela aparece-nos logo ao primeiro capítulo da trama, já formada quase que em toda sua completude. Como sendo as personagens im...

Aparição, Vergílio Ferreira

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Por  Pedro Belo Clara Vergílio Ferreira. “Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro” – eis a forma crua, simples e directa com que o preâmbulo desta magnífica obra se inicia, dando o mote à mesma. Convém referir que, a par de Manhã Submersa (1953), Aparição é das mais notáveis e famosas obras do existencialista Vergílio Ferreira, um autor que debruçou o seu grandioso talento maioritariamente sobre a ficção e o ensaio. A prova dessa justa fama encontra-se nas mais de sessenta edições (!) que a obra regista, desde que em 1994 a Bertrand Editora comprou os direitos da mesma. A título de curiosidade, diga-se que o livro foi lançado aos prelos em 1959. Falecido no ano de 1996, aos oitenta anos de idade, Vergílio foi dos vultos maiores do existencialismo que em Portugal se conheceu. Por um lado, poder-se-á considerar o autor como um discípulo de Sartre; mas, por outro, torna-se igualmente válido designá-lo de “embaixador português do existencialismo”. Resta apenas dizer q...

Vergílio Ferreira

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Vergílio Ferreira.  “Perguntam-me com frequência quantas horas trabalho por dia. As pessoas entendem assim que se escreve à hora, como se trabalha numa repartição. Eu respondo que, enquanto escrevo um romance, trabalho vinte e quatro horas por dia. Nem o trabalho fundamental é o realizado à mesa (ou no cartão sobre o joelho). O trabalho mais importante é realizado fora disso, na procura ininterrupta de soluções para o livro, enquanto se divaga com um cigarro, enquanto se não adormece, logo de manhã quando se acorda, mesmo às vezes durante o sono, durante as andanças pelas ruas. [...] É esse o momento de maior fascinação, de enlevo, de plenitude. De encantamento.” – Vergílio Ferreira, Conta-corrente O que a arte nos ensina não é puro discernimento, é a relação mais profunda de nós próprios com o mundo, é verdadeiramente o ver. – Vergílio Ferreira, Espaço do invisível O nome poderá soar desconhecido a muitos leitores brasileiros, mas é o autor de uma obra das mais significativa...