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Konstantinos Kaváfis

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Para os cabalistas e especuladores da numerologia, há muito o que trazer à luz sobre datas redondas. Konstantinos Kaváfis nasceu em 29 de abril de 1863 em Alexandria e morreu setenta anos depois no mesmo dia e na mesma cidade. Para fechar (ou abrir) o círculo, e prevendo a origem palíndroma da existência, Kaváfis enquadrou, num gesto de afeição pela forma perfeita, essa mesma obsessão na escrita. Celebrado e lido ao redor do mundo, com extensa admiração por conterrâneos de exercício, o poeta dedicou-se à escrita de uma obra breve, mas monumental. No Brasil, até a pouco Kaváfis preserva o mesmo espírito dado pelos poetas de outras partes do mundo e tem, entre os leitores, galgado espaço entre grupos acadêmicos e circuitos muito particulares. Eis um dos motivos que faz sua poesia por aqui peça rara: há pelo menos quatro obras com poemas seus editadas, Poemas de K. Kaváfis , reúne toda a obra do poeta com tradução de Isis Borges da Fonseca (Editora Odysseus),  60 poemas , a...

O monge, de Dominik Moll

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Este filme de Dominik Moll recupera o veio do diretor pelas adaptações cinematográficas para obras literárias; isso porque seu primeiro filme, um curta-metragem realizado em 1983, The blanket , foi uma releitura de um conto de Bukowski. Já O monge é fruto da releitura do romance gótico publicado em 1796 por Matthew G. Lewis. Com um enredo muito bem armado e bem construído, apesar de não ser uma narrativa com surpresas maiores, já que toda atmosfera de mistério é sempre imediatamente resolvida, ficando alguma coisa para o desfecho do filme, que confesso, até inutilizado pela necessidade de explicação dos acontecimentos. Teria ficado coerente com a trama se isso não tivesse acontecido, já que, tanto no cinema quanto em outra arte qualquer, o autor tem de sugerir e não explicar. Mas, talvez o romance no qual Moll se baseou tenha essa característica, já que estamos diante de um texto de 1796, período em que grande parte da matéria literária respondia uma certa obrigação em es...

A culpa como tema na literatura

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Por Pedro Fernandes Cena de Raskolnikov , de Robert Wine, 1993. O filme é uma adaptação de Crime e castigo , clássico da culpa na literatura. Haverá, sem dúvidas, muitas obras literárias que deram enforme artístico à culpa – sentimento em voga já na literatura bíblica, por exemplo. Longe de querer esgotar o assunto ou mesmo me deter profundamente sobre o caso, quero, ainda que superficialmente, registrar esse tema como um dos mais promissores nas artes. Dois autores, no rol dos que já tive oportunidade de ler colocaram no seu extremo de obras esse sentimento: José Saramago e Dostoiévski. Do primeiro, cito o seu O evangelho segundo Jesus Cristo e, do segundo Crime e castigo , para não esquecer dois principais trabalhos que, no âmbito da produção dos dois autores, são obras principais e, no âmbito universal, são obras clássicas. N O evangelho , a culpa é manifestada pela via oposta, ou o lugar contrário do que esperaríamos; não será Deus, o topo poderoso e c...

Americano, de Mathieu Demy

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Por Pedro Fernandes Às vezes achamos que há talento de sobra numa única pessoa, enquanto outras, coitadas, não têm recurso sequer para inventar a própria assinatura. Mathieu Demy é um exemplo do primeiro grupo. Quando assisti a este Americano sabia que ele era o ator principal do filme, mas, perdoe-me as circunstâncias e o tempo, só dei a conhecer que é também o diretor, quando fui fazer algumas pesquisas na web sobre sua pessoa. Evidente que todo seu talento nasce da convivência e da educação que recebeu, afinal ele é filho de ninguém menos que Jacques Demy e Adgnès Varda, dois importantes nomes da cinematografia francesa e foi nos trabalhos dos pais em que Demy apareceu pela primeira vez. Americano é seu primeiro trabalho na direção. Duplo trabalho, na verdade, que agora já sabemos, a personagem principal, que domina integralmente as cenas de toda a narrativa, é também o próprio Mathieu. A personagem por ele vivida é Martin, que recebe, logo no início da trama, o comu...

A crise do impresso

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Os que me acompanham noutros espaços que não apenas este blog terão já lido que tem meu aplauso o jornal que vai à falência quando ele próprio é responsável pela desgraça. Alguns não entenderão a sentença. E digo mesmo que, se o jornal, o objeto, falasse, não entenderia o que está em questão com esse riso aparentemente sacana. Mas, não estranhem, tenderei me explicar nesse breve texto, mesmo achando que não devo. Sentenças boas são as que ao se desembaraçarem suscitam um debate mais extenso. O retorno à sentença terá um propósito mais que aclarar; ela volta porque ontem fomos surpreendidos, e nem devíamos, com a notícia de que o Diário de Natal , um dos jornais mais tradicionais do Rio Grande Norte, não irá mais circular; pelo menos no formato impresso. Os leitores que quiserem ainda acompanhá-lo terão de fazer isso através da internet. A morte do Diário impresso não é fruto meramente de uma crise do impresso ou uma total valorização que os sujeitos têm dado ao virtual como ...

As ilustrações de J R R Tolkien para O Hobbit

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Semana passada, postamos  na fan page do Letras in.verso e re.verso no Facebook , o segundo trailer para O Hobbit , que já tem data de estreia marcada, 14 de dezembro. O filme é o primeiro de uma trilogia descoberta pelo diretor Peter Jackson, ainda quando estava no trabalho de montagem; as aventuras de Bilbo Bolseiro irão até 2014, para quando está previsto o lançamento do último filme da saga. A segunda parte deverá sair em fins de 2013. O filme é baseado no romance homônimo de J. R. R. Tolkien, publicado em setembro de 1937. Mas, o manuscrito foi entregue ao seu editor ainda em outubro do ano anterior. A primeira publicação veio com mais ou menos 20 desenhos inéditos, dois mapas e uma pintura confeccionados pelo próprio Tolkien. Essa mostra não passou disso, amostra, mas o autor criou mais de 100 ilustrações que só começaram a ser descobertas recentemente conforme atesta matéria publicada no The Guardian . O achado veio dos papéis que compõem o espólio do escritor enquanto...