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Os desenhos de Ana Miranda

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Quem estiver de posse de alguma edição dos romances de Ana Miranda já editados pela Companhia das Letras, irá notar desde a capa, certa excentricidade nos desenhos aí apresentados. E não tardará muito para saber a sua autoria: a própria escritora. Folha de rosto do romance Desmundo com ilustração de Ana Miranda. A capa e as 10 partes que compõem o romance são ilustrados com desenhos da escritora. O traço se beneficia de certa caracterização medieval ou do surrealismo da xilogravura do nordeste; nunca estamos diante de uma figura simples, mas híbrida que mantém um extenso diálogo com a narrativa; em Desmundo , por exemplo, cada uma das 10 partes do romance é indicada por um desenho específico, que, logo vamos percebendo parece cumprir com o trabalho de sugerir ao imaginário do leitor, primeiro, uma expectativa pelo andamento do enredo, segundo, um elo entre as partes, e por fim, constituir uma relação mais própria entre o visual e o verbal. E o que a princípio...

Programação para Hora de Clarice 2012

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Como o Dia D, que em 2012, no seu segundo ano, teve uma extensa programação Brasil afora, a programação do Hora de Clarice 2012, divulgada há pouco pela mentora da ideia, a Editora Rocco, ganhou também dimensão. O Instituto Moreira Salles (IMS) que detém parte do espólio da escritora e que publicou uma rica edição dos seus bem conceituados Cadernos de Literatura Brasileira sobre Clarice, destina outra parte da programação. Todas as celebrações se concentram no próximo dia 10 de dezembro, dia em que Clarice nasceu, em 1920, mas há o que acompanhar dias antes, também. É do IMS, aliás, que vem a maior novidade em torno do dia 10: por esse dia, o Instituto coloca on-line um site especial sobre a escritora. Ao criar a página, o Instituto proporciona um ambiente de pesquisa bastante completo, rigoroso quanto ao mapeamento de informações, que servirá não apenas para estudantes do nível médio, mas também para graduandos, pós-graduandos e admiradores da obra de Clarice. “Há, sobre a...

Décio Pignatari

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Décio Pignatari. Foto: Josane Faleiro Décio Pignatari terá aparecido para muita gente sem nem mesmo que essa gente o tenha conhecido ou lido de ponta a ponta sua obra ou sequer sabido de seus feitos. Pelo menos assim se deu comigo; Décio me apareceu muito antes que eu soubesse quem era Décio. Isso porque, aquele poema “beba coca-cola”, foi reproduzido em tudo quanto foi livro didático, principalmente se do Ensino Médio, quando a questão era falar do movimento concretista. Escrito em 1956, "beba coca-cola" tornou-se um dos poemas mais conhecidos do movimento concretista. Muitos anos depois terei sabido o que é foi o tal movimento: caiu para meu grupo na Faculdade de Letras um seminário sobre. E será da revisão dos slides que preparei por essa ocasião que muitas das informações serão aqui repisadas. O destino, mais tarde, me colocará diante do próprio Décio, com quem fiz um curso por ocasião de uma das edições do Colóquio Barroco, quando o evento sob chan...

O trabalho plástico dos escritores

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2012 marca o 75º aniversário da publicação de O Hobbit , recém adaptado (quer dizer a primeira parte já está em finalização) para o cinema. E, com essas duas empreitadas uma série de novidades tem sido apresentadas em torno do livro de J R R Tolkien. Primeiro, foram os seus desenhos feitos para o livro em questão, sobre os quais falamos aqui ;   mas, vejam só que outra novidade boa: o site Flavorwire saiu à cata de outros escritores que, como Tolkien, também gastaram seu tempo rabiscando coisas para seus trabalhos; a amostra tem dez nomes, que reproduzimos a seguir mais alguns outros elementos que se aventuram entre uma obra e outra a cometer seus trabalhos de artes plásticas. 1 – encabeça a lista o próprio Tolkien que compôs ilustrações e mapas, não apenas para O Hobbit , como para O senhor das anéis : 2 – depois, Kurt Vonnegut: seu primeiro trabalho de ilustração aparece em 1969 em Matadouro-5 , mas seus desenhos serão reconhecidos quatro anos depois em Café da manhã ...

10 filmes a partir da obra de Liev Tolstói

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Os leitores brasileiros, sobretudo depois do nascimento do que poderíamos chamar de escola da tradução para o português direta do russo inaugurada muito recentemente por aqui, têm construído uma saudável aproximação com uma das obras mais importantes da literatura universal, a de Liev Tolstói. Mas, a obra do escritor russo não é apenas isso; é também um terreno fértil para outras criações artísticas. Entre elas, o cinema. E é sabendo disso, no ano em que aparece uma nova releitura de Anna Kariênina para a grande tela, que preparamos esta listinha com algumas peças muito raras, mas indispensáveis ao leitor interessado em ver através da imagem o que encontrará através das letras. Anna Kariênina , 1967, de Aleksandr Zarkhi. Este talvez seja o romance de Tolstói mais adaptado. Antes da versão de agora por Joe Wright que traz Anna Kariênina vivida pela atriz Keira Nightly, teve o filme de 1935, quando saiu da primeira adaptação do romance com a personagem vivida por ninguém me...

O Letras, 5 anos depois

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Por Pedro Fernandes Todos que frequentam o Letras ou que passarem por aqui e tiverem a curiosidade em acessar “Sobre este blog” já sabem como tudo começou e em que pé está a ideia. Mas, não custa lembrar. Era novembro de 2007 e eu ministraria um curso sobre a poeta Auta de Souza. Por causa disso, estava à procura de criar um espaço na web para divulgação do andamento das atividades e materiais do referido curso. E tudo foi tomando a proporção que tomou e hoje aqui estou: cinco anos depois. Um blog cujo interesse se centra em três eixos – literatura, artes e comportamento. Pelo alcance da internet, este projeto não quer ser apenas um espaço local, bairrista, para falar do que é a literatura e as artes no Rio Grande do Norte; nem quer também ser um mero espaço individual, onde o seu mantenedor é a figura em destaque. Não. A abertura de horizontes dada ao Letras nos dois últimos anos pela inserção em outros meios – Tumblr, YouTube, Facebook, Google+ etc. – fez com que o blog ...