Postagens

Boletim Letras 360º #124

Imagem
Um imbróglio envolvendo o nome do escritor Franz Kafka teve um veredito final esta semana. Qual será? Mais um sábado. E todo sábado é dia de Boletim Letras 360º. As notícias que circularam em nossa página no Facebook e você não acompanhou ou quer simplesmente reler, estão aqui, guardadinhas num só lugar. Vamos lá? Segunda-feira, 29/06 >>> Brasil: Edição comemorativa de Macunaíma A Editora Nova Fronteira aproveita as celebrações pelos 70 anos da morte de Mário de Andrade para publicar uma edição especial da obra marco do Modernismo brasileiro. A obra foi publicada originalmente em 1928 e a nova edição em capa dura é incrementada com fotografias inéditas do escritor e material sobre o processo de criação do romance. Em 1979 a obra havia ganhado uma edição do gênero com ilustrações de Carybé - era a passagem de seus 50 anos de publicação. A edição foi da Editora da Universidade de São Paulo. >>> Brasil: Onde está o seu pudor? Jogue fora ...

Pessach: a travessia, de Carlos Heitor Cony

Imagem
Por Rafael Kafka Carlos Heitor Cony (detalhe). Paulo Monteiro Um dos debates mais acirrados do século XX no campo literário é sobre qual seria a posição do escritor diante dos mais diversos conflitos políticos que nos cerceiam. Para muitos, a função do escritor é simplesmente escrever, nem sendo obrigado a falar daquilo que é objeto de angústia para muitos seres humanos em determinado momento. Para outros, o escritor deve engajar suas letras e se possível até mesmo pegar em armas para chegar a uma mudança política concreta. O livro que melhor me deu uma resposta sobre isso é (o bastante citado por mim) ensaio de Jean-Sartre O que é a literatura? . Nesse texto, Sartre fala que a literatura é uma relação entre escritor, leitor e objeto de leitura e que o escritor escreve sobre aquilo que ele julga importante. Se não fala da miséria, da pobreza e do que as origina isso denota que para este escritor tais temas não são importantes. Em uma interpretação radical dessa leitu...

Federico García Lorca, de Ian Gibson

Imagem
Já se passaram alguns anos da publicação original de Federico García Lorca – a biografia , de Ian Gibson. Igualmente, da tradução da obra no Brasil: 1989. Mas, pelo tempo era um livro escasso; agora, os leitores têm tantos anos depois, desde 2014, a sorte de contar com a reedição integral deste texto de grande fôlego pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros; a novidade, da edição original, é um novo prefácio escrito pelo autor para a reedição espanhola da obra ocorrida há quatro anos. Dizemos integral porque, quando o livro foi publicado em Espanha veio em dois tomos, um em 1985 e outro em 1987. Além de alguns anos sobre a aparição desta biografia, estamos a uma distância significativa do ano em que o poeta espanhol foi barbaramente assassinado pela Ditadura de Franco (1936). E tanto tempo depois, nunca se sabe onde foram parar os restos mortais de Lorca; sabe-se, tão somente, com a revelação recente de mais documentos dos porões da ditadura que o mataram porque era comuni...

A luz e a escuridão do Cristo de Kazantzákis

Imagem
Por Alfredo Monte  Nikos Kazantzákis.  A Última Tentação  está entre um dos mais importantes (se não o mais)  títulos que reclamam um Jesus mais próximo do homem. …e olha que se encontrássemos o Diabo e ele deixasse que o abríssemos, talvez tivéssemos a surpresa de ver saltar Deus lá de dentro (…) imagine-se o escândalo se Pastor lembrava de abrir Deus para ver se o Diabo lá estava dentro... José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo "O velho rabino O conhecia, conhecia bem o Deus de Israel. Ele era impiedoso, tinha Suas próprias leis, Seu próprio decálogo, é verdade que Ele dava Sua palavra e a mantinha, mas não tinha pressa. Tinha Sua própria medida e mensurava o tempo, gerações e gerações sucediam-se e Sua palavra permanecia ociosa no ar, sem descer à terra. E quando finalmente descia, pobre, três vezes pobre do homem que Ele escolhia para lhe confiar Sua palavra! Quantas vezes, de uma extremidade a outra da Sagrada Escritura, os escolhidos ...

Mário de Andrade

Imagem
Mário de Andrade. Foto: Jorge de Castro Eu sou um escritor difícil  Que a muita gente enquisila, Porém essa culpa é fácil  De se acabar de uma vez: E só tirar a cortina Que entra luz nesta escuridez. Os versos estão no livro A costela do Grão Cão , obra de Mário de Andrade que só veio a lume, apesar de escrito entre 1924 e 1940, em 1941. Eles reforçam duas coisas: uma, o escritor tinha consciência sobre o que durante toda uma vida, e depois dela, sempre o acusaram — o hermetismo de sua obra; outra, estamos diante de um dos nomes mais irreverentes da literatura brasileira. As duas constatações são produzidas como definidoras de um contexto cultural do qual o paulista foi um dos grandes incentivadores: o modernismo cuja chegada é geralmente atribuído a realização da Semana de Arte Moderna de 1992. Noutras palavras é possível dizer que a figura de Mário de Andrade se confunde com aquilo que o movimento preconizava. Antonio Candido relembra-o ao lado ...