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A poesia reflexiva e existencial de Paulo Lima

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Por Thiago Gonzaga Quanto mais verdadeiro, mais poético. Novalis O famoso escritor argentino Jorge Luis Borges disse certa vez que, dos diversos instrumentos que o homem usa, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Para o renomado escritor, o livro é uma espécie de extensão da memória e da imaginação. Retomo o pensamento borgiano depois de ler o livro O ser e a existência   do poeta Paulo Lima. Objeto artístico de muita qualidade visual, a obra contém poemas ateados de modo significativo, ambientados em cenários poético-fotográficos de lugares fantásticos, por onde o autor viajou e registrou através de suas lentes, numa poesia impregnada de lembranças de um mundo visto e vivido, uma poesia quase imagética ou, diria, que se funde à imagem. O ardor do escritor pelos versos e pela fotografia o influencia profundamente e isso está registrado num livro riquíssimo de beleza visual, com versos repletos de sonhos e vida, e que em alguns momentos revelam ce...

E.T. e a atualidade significante da sétima arte

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Por Maria Vaz Um destes dias fui com uma amiga ao cinema. Contudo, não foi uma ida vulgar, em busca das novidades do mundo da sétima arte. Pelo contrário. Fomos ver um filme que se tornou ‘clássico’:   E.T - o extraterrestre , de Steven Spielberg. Entretanto, dei por mim a reflectir na capacidade de um filme me fazer viajar dentro de mim, num mundo que se (re)densifica e alcança sempre novas significâncias à medida que o tempo origina o discorrer de uma história com aromas de infância e traços de ficção miscigenados com utopia e pedaços de realidade. A arte tem essa capacidade de nos fazer evadir, para que nos percamos numa amálgama de novas sensações, numa (re)vivência existencial aniquiladora de qualquer tédio vicioso do espírito. O filme relata a história de um menino que dizia ter visto um duende: um menino que sofreu bullying na escola, como tantos outros meninos que padecem do mesmo mal, em um século informatizado mas insensível às diferenças, à criati...

Três formas de ser Camilo José Cela

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Por Manuel Vicent Eusebio García Luengo era um velho escritor cavalheiresco e cheio de talento, abúlico e quase secreto, que consumia suas tardes na tertúlia de poetas do café Gijón. Um dia lhe perguntei: "Eusebio, se você já renunciou a escrever, estás dedicado a que agora?" Sorrindo maliciosamente me respondeu: "Estou muito ocupado. Dedico-me as 24 horas do dia a odiar Camilo José Cela". Sem dúvida, Eusebio recordava os velhos tempos de pós-guerra, quando um Cela tremendo e faminto assistia à tertúlia da Juventude Criadora no café Gijón e compartilhava os sonhos de glória com poetas e escritores, então com todo o futuro pela frente, agora devastados. Cela foi o único daquele grupo de artistas a alcançar um renome. A família de Pascual Duarte  (1942) o colocou em órbita de repente. Em meio à repressão política e a fome coletiva, com este violento chafarrinón ibérico Cela havia recuperado a cadência dos clássicos que aprendeu lendo inteiramente o Riva...

Amar é crime, de Marcelino Freire

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Por Pedro Fernandes Eis aqui um escritor em constante experimentação, mas ligado ao fio da construção de um estilo capaz de defini-lo entre a pluralidade de nomes na literatura brasileira contemporânea (sim, estamos numa era em que certos grupinhos estão em processo de desfazimento e numa era em que todo mundo tem alguma coisa para dizer através da escrita, duas condições que, num país de dimensão continental como o Brasil, só aumenta o cerco para o nascimento do chamado novo escritor, embora muito do que se produz hoje esteja fadado a virar pó no dobrar antes mesmo de chegar às prateleiras de uma livraria, mesmo quando o livro alcance o plano estratosférico da aceitação mercadológica). Amar é crime é um dos títulos mais recentes de Marcelino Freire; a edição agora apresentada é uma antologia revista e ampliada da que foi publicada em 2010 com pequena tiragem num projeto coordenado pelo Coletivo Edith. E o que se vê na obra do autor de títulos como Angu de sangue...

O paraíso são os outros, de Valter Hugo Mãe

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Por Pedro Belo Clara Muito provavelmente, a escolha do presente título como mote da discussão promovida mensalmente neste espaço de literatura causará alguma estranheza entre os leitores mais versados no trabalho de Valter Hugo Mãe. Afinal, a nossa opção não recaiu sobre A Desumanização , a máquina de fazer espanhóis ou o remorso de baltazar serapião , que ao dito autor rendeu, em 2007, o Prémio José Saramago. Esperamos, no entanto, que ao longo desta “conversa” consigamos elucidar melhor os nossos estimados leitores no que à opção tomada diz respeito, consolidada sobre os parâmetros de um nítido critério de diferenciação. Na verdade, O paraíso são os outros é uma obra que, em primeira impressão, não escapará ao rótulo de “livro infantil”, já que se trata de um trabalho ilustrado em aparência dirigido aos leitores mais jovens. A percepção adquirida não se poderá afirmar totalmente errada, é um facto, mas tornar-se-ia redutor restringi-la a um público reduzido. Veja...

Boletim Letras 360º #128

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Quando ainda jovem, o escritor Varlam Chalámov; o russo terá obra publicada no Brasil a partir de agosto. 1.  Os leitores assíduos sabem que estamos próximos de chegar aos 9 anos on-line e por esta razão temos trabalhado numa extensa revisão das postagens publicadas no blog; sequer sabemos se findaremos isso a tempo do aniversário em novembro próximo; e também não é nada sistemático, mas apenas uma forma de tentar adequar o conteúdo do blog com os rumos tomados pelo espaço criado para ser um mero lugar pessoal. Nesse processo ficou decidido que todos os textos de Pedro Fernandes enquadrados no rol de “notas de leitura” serão publicados num outro espaço já disponível para os leitores interessados - chama-se Bodega de livros . A mudança se deu pelo fato das restrições do Letras em não publicar textos do gênero sobre livros de outra natureza que não a literária. E, claro, há livros de ensaios ou de viés mais acadêmico, p.ex., que merecem um tanto da atenção do nosso e...