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Jean-Marie Gustave Le Clézio

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Jean-Marie Gustave Le Clézio em Saint-Malo, França, 1999. Foto: Raphael Gaillarde Jean-Marie Gustave Le Clézio (ou, simplesmente J. M. G. Le Clézio) publicou seu primeiro romance, Le Procès-verbal em 1963. Tinha 23 anos e com aquele livro torrencial onde mergulha o leitor no isolamento de um jovem com amnésia que se perde gradualmente entre alucinações, ganhou o Prêmio Renaudot e o reconhecimento de titãs da crítica como Michel Foucault e Gilles Deleuze. Os estudiosos da obra de Le Clézio sempre dividem sua carreira literária em duas fases. A primeira, marcada por sua inquietude experimental, o pós-estruturalismo, a exploração da loucura e uma retórica enervante; foi esta que lhe valeu os adjetivos de inovador e rebelde além da comparação com o também francês Albert Camus. A relação dá-se ainda pela preocupação do escritor com questões do indivíduo a partir do que denominadamente foi criada pelo autor de O estrangeiro , o absurdismo. A segunda, em que recusa a anterio...

Cravos, de Julia Wähmann

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Por Pedro Fernandes No que tem se transformado parte dos romances herdeiros daquela tradição fundada em parte por Marcel Proust? Como o leitor poderá encontrar nas páginas de Cravos , em fio de uma sensível tessitura lírica. Isto é, uma quase fusão entre a prosa e a poesia; aquela só se mantém pela forma estrutural enquanto a última é meio através do qual o escritor elabora algo que já não é mais narrativa, no sentido tradicional como é geralmente empregado este termo.  Embora me sinta inclinado para a história mais comum e que tenha uma nesga de diálogo com o fora do hermetismo verbal porque tenho uma opinião de que a literatura e as artes são sistemas na complexa engrenagem social sempre sou fisgado pela engenhosidade criativa de alguns escritores – em grande parte, nesse território, embora sempre seja arrastado para o vale das decepções; sim, esse domínio da linguagem que se mostra /deve se mostrar pleno na superfície do texto nem sempre é alcançado pelos escritor...

Virginia Woolf - entre cartas e diários, a impressão de nunca estar pronta

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Por Carmen G. de la Cueva Virginia Woolf, 1939. Foto: Gisèle Freund Entre outras coisas, por esses dias estive lendo uma biografia de Virginia Woolf publicada no Reino Unido em 2011. A autora, Alexandra Harris, professora da Universidade de Liverpool, tinha então trinta anos. Este dado passaria totalmente despercebido para qualquer leitor, mas para mim, uma jovem aspirante a escritora que não cumpriu ainda os trinta anos, qualquer sucesso de alguém dessa idade, me consola. E, tristemente, penso: “Oh, apenas trinta anos! E ainda tenho vinte e nove, tenho tempo de escrever uma biografia literária de Anne Carson ou, quem sabe de Joan Didion – ainda vivas e jovens de coração – ou talvez uma grande tese sobre a poesia feminina ou os mais belos poemas sobre a passagem do tempo”. Enquanto minha cabeça sonha uma voz como que de desesperada diz: “não conseguirei, só me restam três meses para publicar antes de completar os trinta”. Os trinta são, irremediavelmente, a fronteira d...

Cortázar em seu labirinto

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Por Gustavo Arango Julio Cortázar em Manágua. Foto: Susan Meiselas   Julio Cortázar era um leitor entusiasta: sublinhava, comentava, desenhava, guardava objetos e mensagens entre as páginas de seus livros. Sua biblioteca é o retrato minucioso de seu caminho intelectual, de suas admirações e reprovações; também de seus receios mais íntimos, do mórbido e do trivial. Na primavera de 1993, Aurora Bernárdez, sua primeira companheira e herdeira literária, colocou a biblioteca pessoal do escritor aos cuidados da Fundação Juan March, em Madri. Desde então está ali à disposição de estudiosos e do público em geral interessado na sua obra. No início era difícil conhecer a magnitude do tesouro. Em 2006, quando visitei pela primeira vez a biblioteca, a busca era como um jogo de adivinhações. Então, como agora, não havia acesso às estantes e os funcionários entregavam, por vez, um máximo de três livros. Era possível passar horas folheando, entregando e recebendo tomos nos quais ...

O Novo Jornalismo: uma corrente literária da prática jornalística

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Por Vinicius Colares As constantes revoluções dos anos 1960 agitaram o globo culturalmente, socialmente e politicamente. Atingiram, inevitavelmente, a prática jornalística. Não faltaram, nesse período, pautas marcantes para quem usava a notícia como matéria-prima: as ascensões e quedas de John F. Kennedy e Martin Luther King; o início da Guerra do Vietnã; e os primeiros passos de Neil Armstrong na lua. O mundo girava, os fatos aconteciam. A forma como eram narrados os acontecimentos, porém, não passava perto da profundidade que lhe era merecida. Era assim que pensava Tom Wolfe, um dos precursores do Novo Jornalismo. Pensando em um período de estrondosa agitação social, geralmente ligamos ao new journalism (nomenclatura norte-americana original) o termo movimento. Chamamos sempre de “o movimento Novo Jornalismo”. Marcelo Bulhões, em seu Jornalismo e literatura em convergência  (2007), porém, não confia essa terminação para marcá-lo. –  O New Journalis...

Boletim Letras 360º #186

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Uma antologia com contos inéditos de F. Scott Fitzgerald será publicada em 2017 nos Estados Unidos. Mais informações ao longo deste Boletim.  Eis a nossa já tradicional postagem de sábado com as notícias que circularam durante a semana em nossa página do Facebook. O Letras está prestes a atravessar sua primeira dezena de anos online; este boletim, portanto, em relação ao tempo de existência é muitíssimo recente. Mas é já uma referência e tanto para nós que fazemos o blog e para os leitores mais presentes. Segunda-feira, 05/09 >>> Portugal: Morreu Maria Isabel Barreno Pesquisadora e escritora — e juntamente com Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta uma das mulheres envolvidas no caso conhecido por “Caso das Três Marias” em 1972; quando estas publicaram a obra Novas cartas portuguesas , o livro foi proibido pela Ditadura e elas acusadas por um livro pornográfico e atentatório da moral pública e dos bons costumes. Nos dois anos de embate com a just...